
25 de setembro de 2023
Rupert Murdoch, o barão dos media, anunciou que vai reformar-se e, por inerência, afastar-se do império que começou a construir há mais de 70 anos. A sua esfera de poder é sentida em vários continentes e países, estando a influenciar a política e opinião pública nos EUA, Austrália e Reino Unido há praticamente cinco décadas. Mas quem é Rupert Murdoch, o magnata que inspirou uma série de televisão galardoada e que polariza opiniões?Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis
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Long Stories Short

O anúncio inesperado
Nos últimos dias o mundo tecnológico não pautou pela falta de temas: depois de a Arm o ter feito, a Instacart parece ter dado ouvidos aos conselhos do CEO da JP Morgan e deu entrada em bolsa, a Amazon apostou forte na inteligência artificial ao investir quatro mil milhões na Anthropic (rival da OpenAI) e a Cisco anunciou a aquisição da Splunk, uma empresa de software de cibersegurança, por 28 mil milhões de dólares. No entanto, houve outra toada que fez alarido do outro lado do Atlântico: a notícia que Rupert Murdoch, de 92 anos, vai afastar-se da liderança dos dois grandes conglomerados que fundou.Frequentemente catalogado como um homem de negócios sem escrúpulos para atingir os seus fins, de grande crueldade e energia, é conhecido por ser o proprietário de jornais de grande influência e alcance como o “The Sun”, “The Times”, “The Wall Street Journal”, “New York Post” e de canais como a Sky News e a Fox News.Mas quem é o homem que os jornais internacionais descrevem como sendo o “barão das notícias” ou o “mongol” / “tycoon” dos media, e que durante a vida criou um legado de 17 mil milhões de dólares?O início do impérioHá 71 anos, Rupert Murdoch herdou um único jornal em Adelaide, na Austrália, e transformou o jornal fundado pelo pai (Sir Keith Murdoch, um dos jornalistas mais ilustres da Austrália, que faleceu nos anos 50), no conglomerado que o The Guardian descreve como o “mais poderoso fornecedor de notícias do mundo anglófono, conduzindo a política de três países - Austrália, Reino Unido e EUA - para a direita política e sobrevivendo a uma série de escândalos e controvérsias até à sua reforma”.Segundo o jornal britânico, aos 22 anos, Murdoch assumiu as rédeas do Adelaide News e, na década de 1960, criou o maior grupo de jornais do continente dos cangurus, em que os editores tinham indicações expressas para acabar com as carreiras de certos políticos. Rapidamente expandiu o negócio, comprando uma série de outros títulos na Austrália e na Nova Zelândia, aumentando a sua circulação através da utilização de “técnicas-tabloide” (“picantes”) importadas do Reino Unido — onde estudou (na Universidade de Oxford).No final dos anos 60, internacionalizou a operação e mudou o foco para a Grã-Bretanha, comprando o News of the World (que fechou em 2011, após 167 anos em atividade, devido a um escândalo com pirataria de telemóveis que originou um pedido de desculpas humilhante de Murdoch) e apoiando figuras como Margaret Thatcher e Tony Blair. Mas mais mediático, lançou o tablóide “The Sun”, que rapidamente se estabeleceu como o jornal mais vendido com uma fórmula que misturava sexo, celebridades e desporto (e cujas fotografias em topless na página 3 duraram 44 anos). Além dos jornais (nos anos 80 não teve pejo nem dolo ao despedir 5 mil trabalhadores, numa polémica que ficou conhecida como a “Wapping dispute”), Murdoch também introduziu o grupo de notícias Sky ao panorama televisivo.A entrada nos EUA deu-se nos anos 80. Primeiro em 1985 quando entrou em Hollywood ao comprar a 20th Century Studios (que iria vender à Disney em 2019 por considerar que perdia dinheiro) e um ano mais tarde ao adquirir uma série de canais de televisão e fundar a Fox Broadcasting. Em 1996, lançou a Fox News para competir com a CNN e ser o canal conservador mais visto dos Estados Unidos, aplicando neste medium as mesmas técnicas utilizadas nos seus jornais. Nos últimos anos, a notoriedade do canal ganhou dimensão internacional quase diária devido ao tempo e apoio dado a Donald Trump durante os tempos em que a sua administração tomou as rédeas do governo norte-americano (e também devido à proliferação de teorias da conspiração relacionadas com a pandemia ou as eleições presidenciais norte-americanas de 2020).

A reforma
Rupert Murdoch anunciou na semana passada aos seus “Colegas”, através de
, que vai abandonar o cargo de presidente do conselho de administração dos conglomerados Fox e News, encerrando uma carreira de mais de sete décadas durante a qual criou uma dinastia nos media que se estende da Austrália aos Estados Unidos, passando pelo Reino Unido. A partir de novembro, Murdoch será o presidente emérito de cada uma das duas empresas e Lachlan Murdoch, o seu filho mais velho, tornar-se-á o único presidente da News Corp. e continuará como presidente executivo e diretor executivo da Fox Corp.O anúncio surpreendeu os que seguem de perto a sua carreira. Como lembra a
, apesar da sua idade avançada, Murdoch era um líder com uma tenacidade quase sem paralelo que liderava o seu império “como um rei que planeava morrer no trono”. Tanto que nem a morte o assustava. Em 1999, depois de ganhar uma batalha contra o cancro da próstata aos 69 anos, Murdoch afirmava que estava convencido da sua imortalidade. E o facto de a mãe ter falecido com 103 anos parece ainda ter dado mais força a essa crença.
Por esta razão e por acontecer num momento inesperado (parece longe de ser uma reforma total, pois o próprio salientou no comunicado enviado aos trabalhadores das suas empresas que vai continuar a “assistir às nossas emissões com um olhar crítico, ler os nossos jornais, sites e livros com muito interesse e contactar-vos com pensamentos, ideias e conselhos”), muitos questionam a decisão deste anúncio, que além da ambiguidade, levanta questões importantes, nomeadamente, o que terá realmente levado Murdoch a decidir reformar-se agora, depois de ter resistido à sucessão durante décadas? Teorizam-se várias situações, entre as quais o estado da sua saúde e as polémicas recentes em torno da Fox News que envolvem um acordo de 787,5 milhões de dólares com a Dominion Voting Systems por acusações de difamação nas eleições presidenciais de 2020.
A sucessão
Murdoch casou quatro vezes (recentemente terminou com os planos para um quinto casamento) e tem seis filhos. A árvore genealógica pode ser vista aqui, mas existem quatro figuras “principais”: Prudence (do primeiro casamento com Patricia Booker), Elisabeth, Lachlan e James (do segundo casamento com Anna Maria Torv). O magnata tem ainda duas filhas mais novas (Grace e Chloe, do terceiro casamento com Wendi Deng).Segundo o New York Times (NYT), embora a mudança coloque as empresas da família Murdoch na batuta de Lachlan, é ainda esperado que exista uma batalha de sucessão contundente no futuro. Após a morte de Rupert Murdoch, os seus quatro filhos adultos terão de decidir entre si o sucessor final, com base num plano que o próprio Murdoch pôs em prática há quase duas décadas. De acordo com os termos do fundo que controla a participação dos negócios da família, cada um dos quatro filhos mais velhos - Lachlan, Elisabeth, James e Prudence - terá um voto igual no futuro do império após a sua morte; até lá, Murdoch detém o voto de controlo.
Portanto, para já, é o filho mais velho (dos homens) que assume a posição de liderança por decisão do patriarca - que avisou no comunicado interno que vai “estar atento” e que está de “boa saúde”. E apesar de Lachlan Murdoch ter uma imagem diferente da do seu pai (com tatuagens e botas de cabedal, a sua imagem de marca) é o nome que representa a continuidade do legado. Contudo, a decisão de declarar Lachlan como o seu sucessor escolhido não causa grande surpresa. Afinal, tal como lembra o NYT, existe uma rutura de vários anos na ligação entre Murdoch e o filho mais novo, James, que é mais democrata/esquerdista do que o pai e o irmão e que tinha sido um defensor, por exemplo, de uma versão menos estridente da Fox News.
O poder dos Murdoch tem sido escrutinado ao longo dos anos na literatura, cinema e televisão (embora a memória recente acabe sempre por bater na similaridade com alguns eventos de "Succession"). Nos próximos tempos, o novo livro de Michael Wolff (o autor de “Fogo e Fúria”, de Donald Trump), que será lançado amanhã, trará ainda mais revelações sobre a família, a política dos EUA e a Fox News. E, provavelmente, mais comparações com a ficção da série da HBO. Porque além de ser fácil encontrar semelhanças, a Vanity Fair há uns meses publicou um extenso artigo sobre a sucessão real e reportou que uma fonte próxima da família alimentava os argumentistas com histórias da família (se bem que outra fonte desmentiu esta versão).
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Cristina Fonseca não tem medo de começar do zero. Fê-lo diversas vezes, sempre com sucesso. O seu pecado capital? Gostar de trabalhar "com gente motivada". Hoje é investidora na Indico Capital Partners e deixa alguns concelhos: "nenhum produto vai ser perfeito" e "para garantir que tenho uma chance de me afirmar no mercado, tenho de colocar o produto o mais rapidamente possível à frente do cliente" — e, de preferência, o cliente certo, aquele que me faz evoluir. Depois, vendas, marketing, design e uma boa experiência de utilizador têm de estar presentes desde o dia 1.
O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.
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A maior IPO dos últimos dois anosA “reentrada” em Bolsa avaliou a empresa em mais de 60 mil milhões de dólares, tornando-se a maior IPO nos EUA desde outubro de 2021, e abriu portas para que uma série de empresas voltem a olhar para os mercados como uma alternativa de financiamento. (Ler aqui)A ler também:
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Vi algures na Internet 💻
Inteligência ArtificialUK AI Summit. O n.º 10 de Downing Street receia que a IA possa ser utilizada para criar armas avançadas que escapem ao controlo humano (The Guardian). No entanto, os especialistas discordam sobre a ameaça que a AI realmente representa (mas concordam que não pode ser ignorada).Meta. A empresa-mãe do Facebook está a desenvolver chatbots com vários tipos de personalidade, incluindo um "sassy bot” e um outro desenhado para as celebridades interagirem com os seus fãs. (The Verge)Amazon. A gigante tecnológica vai investir até 4 mil milhões de dólares na Anthropic, a rival da OpenAI - uma aposta avultada, mas ainda longe dos 13 mil milhões injetados pela Microsoft na criadora do ChatGPT. (The Verge)Théâtre d’Opéra Spatial. O gabinete americano responsável pelos direitos de autor determinou que a famosa imagem gerada pelo Midjourney em 2022 não pode ser devidamente creditada - como o seu autor pretendia - por ser uma criação mais da máquina do que do homem. (The Guardian)Deeptech. Estas são as 10 startups europeias - com destaque para a Stability AI - que estão a crescer e a dar cartas. (Sifted)Outras NotíciasMicrosoft Surface Event. Do Laptop Studio 2 ao update do Windows 11 com o Copilot, estas foram as novidades do evento. (The Verge)Hollywood. Perante uma perda estimada de 1,6 mil milhões de dólares em vendas globais de bilhetes para filmes cujas datas de estreia foram adiadas devido à greve, os estúdios concordaram com a maior parte das exigências dos argumentistas — falta agora negociar com mais 10 mil atores e 100 mil trabalhadores do meio. (The New York Times)Samsung. A fabricante sul-coreana quer afastar a Geração Z dos iPhones e para isso avançou com uma parceria com MrBeast, o youtuber mais popular do mundo. (The Verge)NASA. Uma cápsula com amostras de um asteroide aterrou no deserto de Utah - uma viagem que começou em 2016! - e pode conter algumas respostas sobre a origem da vida. (SAPO24)Funding. A candidatura ao financiamento da UE pode ser extremamente difícil. E isto foi o que um fundador de uma startup aprendeu com a apresentação de dezenas de candidaturas. (Sifted)AppsRunPee. Dan Gardner queria saber quando podia ir à casa de banho durante os filmes. Como tal, construiu uma aplicação para o efeito e que nos diz a melhor altura para o fazer. (The Guardian)
Tinder. A aplicação vai ter um novo serviço VIP, o Tinder Select — que custará 499 dólares por mês. Ou seja, 6 mil euros anuais que valem ferramentas (procura, matching e de conversação) que não estão disponíveis noutros serviços. Ainda assim, o grupo que detém o Tinder não espera uma avalanche de subscritores e diz que vai disponibilizar o serviço VIP a menos de 1% dos seus utilizadores. (Axios)
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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