
21 de agosto de 2023
No que toca às fintech, a neerlandesa Adyen é a menina dos olhos da Europa e é conhecida por rivalizar com a Stripe (e outras) no mercado dos pagamentos. No entanto, na última quinta-feira viveu um dia de “apocalipse” depois de afundar quase 40% em bolsa — perdendo 18 mil milhões de euros da sua capitalização em 24 horas. Auch!Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis
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Long Stories Short

Adyen afundou 40% em bolsa
A Adyen tombou com estrondo na bolsa de Amesterdão. Na verdade, não foi bem um tombo; foi mais uma espécie de derrocada, já que a fintech neerlandesa perdeu 18 mil milhões de euros de capitalização bolsista em apenas 24 horas. Mas antes de explicar esta queda aparatosa, um pequeno parênteses de contexto.Quem é a Adyen?Fundada em 2006 por Pieter van der Does (atual co-CEO) e Arnout Schuijff, é uma tecnológica com sede em Amesterdão que nasceu para simplificar os métodos de pagamentos. Cotada em bolsa desde 2018, é uma das maiores empresas de fintech a nível mundial (escritórios em 27 países, sendo o de Madrid o quartel-general para a Península Ibérica) e ajuda a processar os pagamentos de gigantes como a Uber, Netflix, eBay, Meta ou Spotify.Mais do que um processador de pagamentos, realça a CNBC, a Adyen é o que se designa por gateway de pagamento - o que significa que fornece a tecnologia que permite aos donos de negócios aceitar pagamentos com cartão e fazer transações nas suas lojas online. A troco do serviço, a empresa recebe uma pequena parte de cada transação efetuada.“Ajudamos empresas a aceitar pagamentos de clientes que comprem em qualquer canal, em qualquer região, com qualquer método de pagamento e também em qualquer moeda”, explica ainda Juan José Llorente, Country Manager da empresa para Portugal e Espanha, ao Público.Em termos práticos, pegando no exemplo da fictícia Empresa A, a plataforma permite:
À Empresa A poupar trabalho e dores de cabeça na gestão de várias moedas e variantes (se Portugal tem o MB Way, o Brasil tem o Boleto, por exemplo), juntando vários serviços numa única plataforma;
Ao cliente da Empresa A ter mais garantias de escolha e eficiência na hora de pagamento no checkout. No fundo, a Adyen permite à Empresa A pensar na conveniência do cliente — de modo a que este não desista da compra por não ter o seu método favorito ou o processo demorar muito tempo. No fundo, para não acontecer aquela situação do “Tem MB Way? Não? Então, obrigado”.

No caso da Adyen, a fintech oferece ainda um sistema antifraude, que com recurso a inteligência artificial (IA), é moldado à medida das necessidades do cliente. Ao contrário da concorrência, é o cliente que decide o quanto a IA vai intervir ou não na sua situação.Em Portugal, país onde opera desde 2013, oferece uma carteira de serviços online e presenciais para o comércio unificado — um modelo que une o mundo físico e o digital num só sistema. Juan José Llorente, ao Observador, apelidou esta prática híbrida de compra de “figital”. Exemplo: situação em que o cliente vê e experimenta um produto presencialmente, mas opta por comprá-lo online (ou vice-versa).O que aconteceu?Feitas as apresentações, responda-se então à questão que dá título à newsletter de hoje: o que levou à venda frenética das suas ações e à consequente desvalorização de 18 mil milhões de euros num único dia? A resposta é simples: o anúncio de que teve o crescimento de receitas mais lento da sua história desde que é cotada em bolsa.Há duas semanas, a Adyen apresentou os resultados do primeiro semestre do ano. Mas as receitas de 739,1 milhões de euros, um aumento de 21% em relação a 2022, foram inferiores ao esperado. Segundo a CNBC, os analistas esperavam um volume de negócios de 853,6 milhões de euros e um crescimento anual de 40%. Ainda de acordo com aquela fonte, os valores contrastam com aquilo que tem sido norma na Adyen, que tem reportado consistentemente um crescimento de receitas de 26% em cada período semestral desde a sua estreia.Em 2022, houve lucro, só não foi o esperado —o que levou à queda das ações da empresa que um corretor descreveu à Reuters como uma "venda do apocalipse" - foram feitas mais de um milhão de transações, algo que não era visto desde os tempos da pandemia em 2020. Contudo, no mesmo artigo, é também dito que alguns dos investidores já contavam com esta derrapagem, tendo em conta que o setor tem sido fustigado pelo aumento das taxas de juro.O futuroNo relatório, a Adyen justificou os números apresentados com dois fatores:
A redução de preços da concorrência (para fazer face às taxas de juro e à inflação) abrandou o crescimento das receitas;
A contratação de pessoal (entraram 551 pessoas para os quadros da empresa) levou a que a margem de lucros diminuísse.
O primeiro ponto é especialmente importante para a Adyen porque a concorrência, nos EUA, está a oferecer taxas de juro mais baixas devido à inflação. O que é um problema porque havendo menos transações por parte dos consumidores, há menos receitas a entrar nas contas.Porém, isso parece ser algo que, para já, não tira o sono ao CEO, que se manteve otimista e tentou tranquilizar os investidores. Na sua ótica, a sua “empresa não está a encolher”, está simplesmente a crescer “um pouco mais devagar”.E se for preciso baixar as taxas, também consegue ir “à guerra”. “Trabalhamos com os custos mais baixos [leia-se, trabalham com metade das pessoas da Stripe] pelo que poderíamos entrar na luta dos preços, mas não acreditamos que essa seja a melhor estratégia", afirmou Pieter van der Does na reunião com analistas após os resultados.
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Vi algures no nosso site 👀

É assim que a Zomato quer utilizar os dados para mudar o setor da restauração O Data Lab é a nova divisão da Zomato Portugal. Criado para ajudar marcas e restaurantes, utiliza os dados recolhidos na plataforma e transforma-os em insights relevantes para a sua operação. Para perceber melhor como é o que o faz, falámos com Fabiana Lopes, responsável por parcerias e pelo Data Lab na Zomato.
Leia a notícia completa aqui.
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Masterclass com Ricardo Marvão
"O dinheiro não é uma coisa que me assuste", diz Ricardo Marvão, cujo percurso profissional é testemunho da sua capacidade de identificar uma oportunidade de negócio. Nesta marterclass, o co-fundador da Beta-i guia-nos pelo que é preciso para montar uma startup de sucesso — a começar pelos fundadores.
O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.
A masterclass com Ricardo Marvão está disponível aqui.
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Vi algures na Internet 💻
Cruise. A subsidiária da General Motors para a condução autónoma foi “convidada” a reduzir a sua frota em 50% em São Francisco após um incidente com um camião dos bombeiros (Tech Crunch). Todavia, esta não é a única razão pela qual os seus robotaxis estão a ser notícia. Aparentemente, as pessoas estão a chamar os carros da Cruise (ignorando os da Waymo) para fazer sexo. (The San Francisco Standard)Crypto-bife. Dois dos maiores nomes no espaço NFT - Bored Ape Yacht Club e OpenSea - estão de costas voltadas. (The Verge)Threads. A Meta vai lançar no início desta semana uma das funcionalidades mais pedidas pelos utilizadores: a versão browser. (The Verge)OpenAI. A criadora do ChatGPT fez a sua primeira aquisição em sete anos.Alucinações & Snapchat. O bot de IA da rede social assustou os seus utilizadores ao publicar uma story sem avisar — para depois aplicar o tratamento do silêncio. A empresa diz que se tratou de um bug. (Quartz)X / Twitter. 1) A Mashable analisou de perto os mais de 150 milhões de seguidores de Elon Musk - e o que foi descoberto é “preocupante”. A par, Musk anunciou que utilizadores vão deixar de poder bloquear seguidores (o que é mau por motivos de segurança e abuso, segundo a CNBC).BeReal. A aplicação está mais social com a funcionalidade "amigos de amigos”. (Tech Crunch)Direitos de autor. A arte criada por IA não é passível de direitos de autor, segundo um juiz norte-americano. (The Hollywood Reporter)iPhone 15. O novo telefone da Apple deve vir a ter carregamento rápido de 35W graças à nova porta USB-C. (9to5Mac)Adobe. Morreu John Warnock, um dos co-fundadores da empresa de software criada em 1982. Tinha 82 anos. (Adobe News)Apple / Tesla. A aplicação da Tesla foi atualizada (para a versão 4.24.0) e os proprietários dos carros elétricos podem agora utilizar a Siri para controlar alguns aspetos do seu automóvel. (The Verge)Espaço. Há startups a investir milhões para fabricar medicamentos e semicondutores fora da atmosfera terrestre. (CNBC)
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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