
7 de agosto de 2023
A sandália ortopédica alemã da Birkenstock passou de objeto “feio” a item de referência da moda dos tempos modernos. E além de brilhar nos pés super cor-de-rosa da Barbie, pode estar prestes a entrar na bolsa.Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis
Esta newsletter foi partilhada consigo? Pode subscrevê-la aqui.
Siga-nos também no LinkedIn, no TikTok, no Instagram e no Twitter
Long Stories Short

"Feias", mas confortáveis e na moda
A fazer jus à notícia avançada pela Bloomberg, a L Catterton - um fundo controlado pela LVMH de Bernard Arnault, a família por detrás da Dior e Louis Vuitton -, proprietária da Birkenstock, está a trabalhar com a Goldman Sachs e o JPMorgan Chase para que em setembro seja feita uma oferta pública inicial (OPA) da marca de calçado alemã, que, segundos fontes da agência, pode ficar avaliada entre os 8 mil milhões de dólares.A confirmar-se a OPA, a Birkenstock prepara-se então para acrescentar mais um marco nos seus quase 250 anos de história. Aquilo que começou com uma empresa familiar que fabricava palmilhas, dois séculos mais tarde, dita a tendência do calçado ortopédico e é uma marca com uma vasta gama de produtos.
A Birkenstock está presente em Portugal e tem uma fábrica desde 2022 onde produz modelos de calçado fechado e os produtos da sua submarca Papillio.
Esta notícia surge também depois de nas últimas semanas a marca estar a registar um aumento acentuado de vendas, que dispararam à boleia do sucesso do filme “Barbie”, em que a protagonista Margot Robbie aparece com umas Birkenstocks cor-de-rosa nos pés (mais concretamente o modelo Arizona Big Buckle, à venda online por 130€).Mas como é que a sandália com cortiça portuguesa passou de motivo de chacota entre os estrangeiros que nos visitam durante o verão a item de moda altamente cobiçado (e que em 2022 registou um aumento de 29% de receitas para cerca de 1,2 mil milhões de euros)?A ascensãoA história da Birkenstock remonta a 1774 e a Johann Birkenstock, um sapateiro de Langen-Bergheim, na Alemanha. No entanto, o nome que trilhou o caminho de partida para o império do calçado ortopédico foi o descendente Konrad Birkenstock, que cria e comercializa aquilo que iriam ser as primeiras palmilhas, em 1896. Em 1932, o filho de Konrad, Carl, com o apoio de médicos e podólogos, criou cursos de formação para sapateiros e vendedores de sapatos sobre o "Sistema Birkenstock": depois de receberem formação sobre o sistema, os proprietários de lojas podiam utilizá-lo nas suas lojas e vender as palmilhas.Para chegarmos às primeiras sandálias, é preciso voltar a fazer um exercício de avanço no tempo, até 1963, quando o filho de Carl, Karl Birkenstock, fiel aos princípios da empresa, que só produz calçado a partir de materiais naturais, apresentou a Madrid, uma sandália com uma palmilha flexível feita de cortiça. Do ponto de vista da moda, o lançamento foi um fracasso, pois havia preferência pelo estilo do sapato italiano. Do ponto de vista comercial, como Karl Birkenstock tinha ligações a médicos, foi inundado de encomendas de profissionais de saúde.Ainda nessa década, a Birkenstock iria chegar aos EUA, em 1966, pela mão da germano-americana Margot Fraser, que as descobriu durante um período na Alemanha e as levou para as farmácias e outras superfícies voltadas para a saúde e bem-estar porque as sapatarias da Califórnia não queriam “as sandálias feias”. Mas ao contrário do que aconteceu na feira de calçado em Düsseldorf a Carl em 63, as sandálias encheram as medidas e receberam o carinho dos hippies e dos adeptos do Verão do Amor.Nos anos 70, a Birkenstock lançaria por fim o seu ex-libris e o modelo das suas sandálias mais icónicas, o modelo Arizona — e como se costuma dizer, o “resto é história”. Nas quatro décadas seguintes, foram concebidas centenas de variações e vendidos milhões de pares, tornando este modelo no best-seller da empresa. Já apareceu nas páginas de revistas de moda de renome, bem como nos pés de uma grande variedade de celebridades internacionais e intergeracionais, entre os quais Steve Jobs, que foi um dos primeiros a adotar as sandálias (recentemente alguém pagou 200 mil dólares num leilão por um par que Jobs utilizou na garagem onde fundou a Apple).A guerra das sandáliasEm 2002, os três irmãos da sexta geração da família - Christian, Alex e Stephan - assumiram o controlo da empresa ao pai (Karl). E conta a Forbes, as coisas não correram bem. Depois de várias décadas sob o comando de uma única figura obstinada, cada irmão tinha visões diferentes para a empresa e esforçava-se por gerir dezenas de filiais concorrentes que o pai tinha criado para maximizar a eficiência na execução de determinadas funções, como o fabrico e a distribuição.Para apimentar o drama familiar, quando se fala no passado recente da Birkenstock, é quase obrigatório falar no enredo de “A Guerra das Sandálias”. Susanne Birkenstock esteve casada 16 anos com o herdeiro (Christian) e teve dois filhos. Mas quando se divorciou, lançou a sua própria gama de calçado rival (a Beautystep) — ainda com o nome de casada. Naturalmente, seguiu-se uma amarga disputa em tribunal, que determinou que Susanne podia vender os seus sapatos desde que não exibisse de forma proeminente o famoso apelido da família.Em 2012, os irmãos decidiram afastar-se e pela primeira vez na história da empresa, a gestão deixou de pertencer à família Birkenstock. Stephan vendeu a sua participação aos irmãos Christian e Alex, que por sua vez contrataram Markus Bensberg e Oliver Reichert para gerir o recém-criado Birkenstock Group. Mas após um ano, o co-CEO Markus Bensberg afastou-se do dia-a-dia das operações, deixando Oliver Reichert à frente da empresa como o único CEO. Contudo, esta nova forma de trabalhar registou um crescimento sem precedentes nas vendas e uma relevância crescente da marca nos últimos anos. Até que em 2019 a L Catterton comprou a Birkenstock num negócio que avaliou a empresa em 4,9 mil milhões de dólares e em 2021 os dois irmãos decidiram vender parte da sua posição da empresa ao fundo.Agora, o próximo passo a dar pelas sandálias (que são "feias por uma razão") parece ser em direção à bolsa norte-americana.
* * *
The Next Big Idea apresenta...

Masterclass com Gonçalo Gaiolas
Gonçalo Gaiolas apaixonou-se pela tecnologia da Outsystems quando ainda estava a estudar. Há 17 anos que está da empresa e é com base nessa experiência que olha para os erros mais comuns cometidos pelas startups: desde comprometer a visão de longo prazo por uma moda, à falta de empatia pelo contexto do cliente cujo problema se procura resolver, até às dificuldades de contratar e reter uma equipa de alta performance.
O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.
A masterclass com Gonçalo Gaiolas está disponível aqui.
* * *
Vi algures no nosso site 👀

O futuro das entregas porta a porta? A Bolt anunciou uma parceira com a Starship Technologies, empresa que fornece serviços de entregas autónomas, com objetivo de colocar milhares de robôs a fazer entregas da Bolt Food (além da aplicação de viagens, a Bolt tem outra que entrega comida e compras do supermercado).
Leia a notícia completa aqui.
* * *
Vi algures na Internet 💻
Zuck v Musk. A acreditar na palavra de Musk, a luta numa jaula de MMA entre ele e Mark Zuckerberg será transmitido em direto na X. O líder da Tesla explicou ainda que as receitas vão reverter a favor de instituições de caridade para ex-combatentes. (The Verge)Reed Jobs. O filho de Steve Jobs lançou um fundo - já com 200 milhões de dólares - para investir em projetos que procurem novos tratamentos contra o cancro. (New York Times)X / Twitter. Depois de o utilizador "@x" ter ficado sem o handle, agora foi a vez de o utilizador "@music" ficar sem acesso ao seu — e a meio milhão de seguidores. (CNBC)Apple. No último trimestre a maçã viu cair as vendas dos produtos - iPhone, iPad e Mac -, mas superou as expectativas dos analistas com as receitas recorde dos seus serviços (CNBC). Agora, é esperado que o novo iPhone 15 seja anunciado a 12 ou 13 de setembro (as características incluem um processador mais rápido, uma câmara melhor e uma porta de carregamento USB-C). (Bloomberg)Ironia. Terá a revolução do trabalho remoto chegado ao fim? O Zoom acabou de dizer aos seus trabalhadores para regressarem ao escritório. (Business Insider)AI Music. A Meta anunciou há uns dias a AudioCraft, uma framework para gerar áudio e música a partir de descrições de texto curtas ou prompts. (Tech Crunch)PS5 Grátis = Caos. Os streamers da Twitch Kai Cenat e Fanum prometeram dar PS5 grátis aos seus seguidores na praça Union Square, em Nova Iorque, atraindo grandes multidões e instalando o caos. Cenat acabou detido e acusado de incitar um motim. (ABC News)Google. A gigante tecnológica tem uma nova proposta para convencer os trabalhadores a regressar aos escritórios: estadias no hotel do campus a preço reduzido. (CNBC)LK-99. A ser real, a descoberta deste "super condutor" que se tornou viral é de nível Prémio Nobel e tem potencial para mudar diversas áreas do quotidiano (da energia aos transportes, passando até pela computação quântica). Mas a comunidade científica não parece estar muito convencida. (The Verge)Barbie. O filme totalmente cor-de-rosa de Greta Gerwig ultrapassou os mil milhões de dólares de bilheteira (em 2023 só é superado por "The Super Mario Bros. Movie"). (Forbes)Warren Buffett. Aos 92 anos, o empresário conduziu a Berkshire Hathaway aos melhores resultados trimestrais de sempre. (Quartz)
* * *
Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








Copyright © , Todos os direitos reservados.O nosso endereço é:Quer deixar de receber estes emails?Pode clicar aqui. Mas não faça isso: isto está giro.