
31 de julho de 2023
Depois de ouvirmos os principais atores das grandes tecnológicas, que apresentaram os resultados financeiros do último trimestre na última semana, parece que está confirmada a tendência dos tempos vindouros: nas Big Tech, a inteligência artificial (IA) é a palavra de ordem a repetir quando se pensa em crescimento.Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis
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Long Stories Short

Rótulo IA para crescer
É certo que ainda falta saber o que a Amazon e a Apple têm para contar a seu respeito - só vão comunicar os seus resultados a 3 de agosto -, mas depois do que se ouviu durante as conferências de apresentação dos relatórios de contas do último trimestre da Meta (Facebook), Alphabet (Google) e Microsoft, a ideia com que se fica é: no futuro, é para apostar em produtos que sejam sustentados por algum tipo de IA.E isso fica claro não só pelos movimentos recentes das Big Tech, que sustentam esta ideia também, mas pelo próprio discurso dos seus líderes. Segundo as contas da CNBC, Sundar Pichai, CEO da Alphabet, e a sua equipa, fizeram referência ao termo "IA" 66 vezes; Satya Nadella, o presidente da Microsoft, e os seus executivos, fizeram o mesmo 47 vezes. Uns dias depois, foi a vez de Mark Zuckerberg e a sua equipa da Meta repetirem o termo mágico 42 vezes. Mais exemplos:
A Google anunciou que está a renovar o seu motor de busca utilizando um modelo de IA denominado Search Generative Experience;
No caso da Microsoft, o plano é para criar uma subscrição "Copilot" de 30 dólares por mês que integra texto ou código gerado pelo ChatGPT no Word, Powerpoint, etc;
O investimento mais recente da Meta é o seu próprio Large Language Models (LLM), a que chama LLaMA, que poderá servir de base a novos tipos de chatbots de redes sociais ou gerar automaticamente anúncios online.
E o que nos dizem os relatórios?
Microsoft (relatório completo)Nos últimos tempos tem estado ocupada a tentar fechar a aquisição da Activision Blizzard (titã dos videojogos e casa-mãe de “Call of Duty”), mas apresentou contas acima das expectativas ao aumentar os lucros nos primeiros três meses do ano em 9% para 18,3 mil milhões de dólares.
A unidade de produtividade e processos empresariais, que engloba o Office, o LinkedIn e o Dynamics, foi responsável por 18,29 mil milhões de dólares em receitas. Só a receita do LinkedIn aumentou 5%.
As vendas do negócio de "nuvem inteligente" da Microsoft - o seu maior impulsionador de receitas - cresceram 15% em relação ao trimestre homólogo, para 24 mil milhões de dólares.
Todavia, as vendas da unidade de "computação mais pessoal" da empresa, que inclui dispositivos, Xbox e produtos Windows, diminuíram 4% em relação ao ano anterior, para 13,9 mil milhões de dólares, o que pode indicar que a incerteza económica está a pesar nas vendas de hardware.
Meta (relatório completo)
Apresentou resultados sólidos e isso refletiu-se nos dias seguintes, com as ações da empresa a serem negociadas pelo valor mais alto desde janeiro 2022. As receitas aumentaram 11% em relação ao ano anterior, para 31,9 mil milhões de dólares, com grande parte desse sucesso a dever-se a um interesse renovado na publicidade online e à redução de custos (despedimentos) operacionais para melhorar a rentabilidade.
Zuckerberg confirmou ainda que ficou surpreendido com os primeiros números da Threads, a rival do ex-Twitter, e que apesar do plano inicial da Meta ser manter a equipa do nova rede social pequena, existe agora uma grande oportunidade de a fazer crescer.
A família de aplicações - Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp - atingiu a marca de 3,07 mil milhões de utilizadores ativos em junho (média), um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
Gastou 7,7 mil milhões de dólares no seu setor de realidade virtual em 2023 — e só neste segundo trimestre perdeu 3,74 mil milhões de dólares nas operações relacionadas com o metaverso.
Alphabet (relatório completo)
O rei dos motores de busca superou as projeções de receitas em vários quadrantes, obtendo 74,6 mil milhões de dólares em receitas - um aumento de 7% em relação ao ano anterior. Além disso, revelou um sólido crescimento na área da computação em nuvem.
O hardware e os serviços Google (Chrome, o Google Maps e o Android) geraram receitas no valor de 66,3 mil milhões de dólares (grande parte via publicidade).
As receitas da unidade de nuvem aumentaram 28% para 8 mil milhões de dólares.
As receitas de publicidade aumentaram 3,3% para 58,14 mil milhões de dólares, com as receitas de publicidade do YouTube a atingirem 7,67 mil milhões de dólares.
Em resumo: as gigantes tecnológicas estão a apostar fortemente na inteligência artificial para impulsionar os seus negócios e lucros do futuro, com o foco a estar apontado para produtos e serviços sustentados por esta tecnologia.Mas: será engraçado ver como é que a Apple vai comunicar os resultados e se vai seguir a toada dos seus rivais. Os executivos da Apple raramente utilizam o termo “IA” ou inteligência artificial, preferindo utilizar expressões como “Machine Learning”, que é mais popular entre os académicos e os profissionais da área. Depois, a IA da Apple opera na sombra e o discurso é sempre virado para o que o seu software faz pelo utilizador e não se tem ou não IA. E, claro, é a tal coisa. Na realidade, como salienta a CNBC, a Maçã não faz alarido disso porque também sabe que não precisa de o fazer.
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The Next Big Idea apresenta...

Masterclass com Cristina Fonseca
Cristina Fonseca não tem medo de começar do zero. Fê-lo diversas vezes, sempre com sucesso. O seu pecado capital? Gostar de trabalhar "com gente motivada". Hoje é investidora na Indico Capital Partners e deixa alguns concelhos: "nenhum produto vai ser perfeito". Depois, vendas, marketing, design e uma boa experiência de utilizador têm de estar presentes desde o dia 1.
O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.
A masterclass com Cristina Fonseca está disponível aqui.
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Vi algures no nosso site 👀

Worldcoin: descentralizar a economia
O CEO da OpenAI [a criadora da ChatGPT], Sam Altman, anunciou na semana passada o lançamento do Worldcoin, um ambicioso e muito aguardado projeto cripto da Worldcoin Foundation, que nasce para permitir o acesso “universal à economia global através da construção do maior sistema de identificação e de utilidade pública financeira do mundo”.
Leia a notícia completa aqui.
Leia também:
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Vi algures na Internet 💻
Shot de IA. 1) Estes são os planos da Microsoft para tentar recuperar o seu investimento na OpenAI; 2) A Anthropic - de ex-engenheiros da OpenAI e apoiada pela Google - lançou a última versão do seu chatbot, o Claude 2; 3) A Amazon lançou um serviço para concorrer com a Microsoft e a Google na guerra da IA generativa; 4) As rivais não param de falar de IA - e eis porque é que a Apple raramente o faz. Reuniões. Um jornalista participou em duas reuniões ao mesmo tempo com a Otten, empresa conhecida pelo software de transcrição de voz alimentado por IA. E isto foi o que aconteceu. (Axios)Body of Mine. Esta experiência de realidade virtual, que já ganhou inúmeros prémios, permite à pessoa que coloca os ósculos VR "sentir" um corpo que não corresponde ao sexo com que nasceu. (Axios)Threads. Depois de a aplicação ter perdido mais de metade dos seus utilizadores nas semanas que se seguiram ao seu lançamento, a Meta já tem planos para reter as pessoas. (CNBC)Guerra. Mykhailo Fedorev, o vice-primeiro-ministro ucraniano, está a gerir a guerra como se fosse uma startup. (Wired)NASA+. Vem aí um novo serviço de streaming espacial. Gratuito, sem anúncios, com cobertura de lançamentos em direto e com novidades espaciais 24 horas por dia, 7 dias por semana. (Tech Crunch)Clean Energy. A maior turbina eólica (mega-turbina!) do mundo já está a girar na China. Tem 152 metros de altura e cada pá tem 123 metros e pesa 54 toneladas. (IFLScience)Worldcoin. A Orb é o aparelho que decide se somos humanos ou robots olhando para a nossa íris - e depois dá-nos criptomoedas. Mas será que vale o preço? (Wired)RIP. Olá X, adeus little bird. Elon Musk acabou oficialmente com a marca do pássaro azul (CNBC). A par, os vizinhos da sede da nova X, em São Francisco, estão incomodados com a luz estilo holofote do gigante X que sinaliza o edifício da empresa - sendo que o senhorio desse mesmo edifício está a processar a X por não pagar a renda. (The Verge)Reddit. Um perfil ao longo dos anos: a ascensão, as revoltas recentes e os planos para a OPA. (CNBC)Facebook. Investigadores analisaram o impacto das redes sociais na democracia e nas eleições presidenciais norte-americanas de 2020 - em quatro estudos publicados na semana passada na "Science" e na "Nature". E a conclusão é que, embora a polarização política seja galopante naquela rede social, a culpa não é só do algoritmo. (CNBC)
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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