17 de julho de 2023

No que toca à indústria das entregas "ultrarrápidas" de mercearia, a Getir é a referência no mercado europeu (e está presente em Portugal desde 2021). Mas apesar disso e de ter sido avaliada em quase 12 mil milhões de dólares, este unicórnio turco está longe de estar imune ao que se passa no setor e está obrigado a meter o travão no caminho da rentabilidade. Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis

Long Stories Short 

  Entregas ultrarrápidas apertam o travão 

Numa altura em que a sociedade vive quase ao que parece ser à velocidade da luz, urge a vontade em satisfazer os desejos e necessidades dos clientes de acordo com essa realidade. Entregas à velocidade "rápida" já não chegam; é preciso "meter a quinta" e fazer entregas de maneira "ultrarrápida". No fundo, é estarmos a fazer o jantar e à última da hora darmos por falta de um ingrediente e não ser preciso improvisar à boa maneira portuguesa ou sequer abortar o planeamento da refeição em causa. É só meter em lume brando, que numa questão de minutos está alguém a tocar à porta com o ingrediente que falta.Ora, foi a pensar neste tipo de situações que nasceu a Getir, que se assume como a "pioneira" e a "retalhista mais rápida do mundo" no que concerne às entregas "ultrarrápidas" de mercearia. Ou seja, a empresa viu uma oportunidade no mercado e criou um serviço que permite ao cliente encomendar produtos sem escolher um horário de entrega — o utilizador escolhe o quer dentro da lista disponível e a empresa começa logo, no imediato, a tratar do pedido. E num curto espaço de tempo, vamos dizer 10 minutos, a pessoa tem em casa os ingredientes que faltam para fazer, por exemplo, o jantar.

  • Como é que a Getir consegue fazer este tipo de entregas de forma tão rápida? A resposta a isso está no modelo deste tipo de empresas que operam com uma aplicação online. Para fazerem tempos tão rápidos, estas estão dependentes das suas 'Dark Stores', um conceito que combina o espaço de loja com o espaço de armazém em ambiente urbano, que operam como lojas com produtos já predefinidos, em que os estafetas só tem de ir recolher as encomendas e ir entregar ao cliente (que tem de estar a um máximo de dois quilómetros de alguma 'Dark Store' para que os tempos "ultrarrápidos" sejam cumpridos). 

  • Por falar em 'Dark Stores'. Diga-se que os governos, nomeadamente o espanhol e francês, estão em cima destas operações há vários anos. Em França, a luta foi mesmo para tribunal, com um juiz a dar razão à autarquia de Paris, que se queixou que estas empresas ocupam os espaços de forma ilegal — estes espaços têm de ser considerados armazéns e não lojas, pelo que a tutela do município tem poder para decidir se podem ou não manter atividade. E ao que parece, a vontade  é "correr" com os armazéns para as periferias e voltar a abrir lojas de comércio que façam circular pessoas. Decisão que a Bloomberg diz satisfazer os residentes do centro de Paris (que se queixam do barulho das cargas/descargas durante a noite e de as ruas estarem minadas de bicicletas de distribuição destas empresas) e dos lojistas locais (que manifestaram a sua preocupação com o facto de as 'Dark Stores' estarem a exercer pressão sobre o seu negócio).

  • O modelo de negócio. De acordo com a Sifted, o modelo da Getir e das outras empresas de entregas ultrarrápidas passa por vender produtos de mercearia em grande quantidade, com margens de ganhos relativamente pequenos. Ao mesmo tempo, procura fazer frente aos supermercados tradicionais — empregando menos pessoas, alugando imóveis mais pequenos e mais baratos, mantendo um inventário relativamente mais curto e vendendo produtos de conveniência a um preço superior. 

Fundada em 2015 na Turquia, a Getir é a referência das entregas rápidas e no seu auge atingiu uma avaliação de 11,8 mil milhões de dólares depois de anunciar uma financiamento de 768 milhões, numa ronda que incluiu o Mubadala, Tiger Global e Sequoia como investidores maioritários. Não obstante, 2022 aconteceu e os 5,5 mil milhões investidos no setor na Europa passaram a ser apenas uma miragem do passado. E nem esta gigante parece ser imune ou avessa a problemas."A situação é que não há dinheiro"Nos últimos 18 meses, o setor das entregas rápidas sofreu um duro revés, uma vez que a inflação e a redução do financiamento levou a que muitas empresas não fossem capazes de atingir a rentabilidade ou simplesmente não tivessem condições para continuar a operar. E é também por esses motivos que se registaram uma data de aquisições e vendas no setor.

  • Exemplo: A Getir adquiriu a rival alemã Gorillas no final de 2022 (negócio avaliado em 1,2 mil milhões de dólares) e a própria Gorillas já havia adquirido a Frichti, uma startup francesa que entregava refeições prontas a comer. Mas não foi só a Gorillas, a Getir comprou também a espanhola Blok e a britânica Weezy.

No entanto, o clima de aperto é sentido até mesmo por esta gigante que está a engolir a concorrência na Europa — e que é a prova viva que ser ultrarrápido não é sinónimo de ser rentável.

  • Do Reino Unido, surgem relatos de que a Getir está com dificuldades em fazer pagamentos (e já se fala que o fundo soberano de Abu Dhabi está em "conversações avançadas" para liderar uma nova injeção de capital por esse motivo). Segundo revelou um funcionário à Sifted, "a situação é que não há dinheiro", pelo que a gigante de entregas rápidas estará mesmo a ter dificuldades em pagar aos seus fornecedores, que já ameaçam romper com a parceria. E para fazer face à situação, de acordo com outro trabalhador, a empresa turca está a procurar novas formas para encurtar custos, nomeadamente diminuindo o número de escritórios alugados e acabando com regalias como a oferta de pequenos-almoços.

  • Em França, a Getir anunciou, no final de junho, que ia acabar com a operação no país, decisão que deixa 1.800 trabalhadores sem saber se vão ter ou não emprego (escolheram o mesmo caminho que a Flink, uma concorrente com quem alegadamente está em conversações para uma eventual aquisição). 

  • Em Espanha, El Periódico noticiava há dias que a Getir estava a ter dificuldades em gerar receitas com as suas 'Dark Stores' e que ia iniciar um processo de restruturação que pode afetar até 1.000 funcionários.

Em Portugal desde 2021A Getir está presente em Portugal desde outubro de 2021 (ano em que a empresa turca comprou a Blok, uma aplicação de entregas espanhola, que já tinha planos para entrar no mercado português e italiano). No site oficial, a promessa é a de que oferece um serviço em que as compras são entregues em pouquíssimo tempo. "De alface a cerveja fresca, levamos-te o que precisas (ou te apetece) em minutos", pode ler-se. Contudo, "por agora", as entregas são feitas apenas em Lisboa. "Se ainda não entregamos no teu bairro, em breve o faremos", dá ainda conta.Segundo a informação divulgada pela própria empresa, em 2022 foi ultrapassado o "marco das 150 marcas portuguesas na sua aplicação, materializando assim a sua estratégia de apoio ao comércio local". Ao todo, explica a empresa, são mais de 2000 produtos disponíveis para entrega, sendo que, por cá, 30% dos seus produtos correspondem a pequenas e médias empresas.2023, de resto, tem sido um ano de novidades a nível nacional. Já assegurou a distribuição de produtos da Delta Cafés, assumiu uma parceria com a REFOOD para apoiar pessoas necessitadas, além de ter lançado outras campanhas como o seu Clube do Vinho.

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The Next Big Idea apresenta...

 Masterclass com Vasco Pedro 

Vasco Pedro começou a programar aos seis anos, é um apaixonado confesso pela consciência humana e pela inteligência, e cedo percebeu que não queria ser "mais um". É um "team player" e fundou três empresas até encontrar a equipa certa para lançar a Unbabel. Enquanto CEO, despediu 70% dos seus clientes quando alcançou a meta de 1 milhão em vendas por ano. Porquê? É isso (e muito mais) que explica nesta masterclass.

  • O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.

  • A masterclass com Vasco Pedro está disponível aqui.

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Vi algures no nosso site 👀

 Entender o universo 

Depois dos rumores, a confirmação: Elon Musk anunciou o “nascimento” da xAI, uma nova empresa de Inteligência Artificial (IA). O seu propósito? “Perceber a verdadeira natureza do universo".

  • Leia a notícia completa aqui.

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Vi algures na Internet  💻

Hollywood. Os atores juntaram-se à grave dos argumentistas. O motivo? Acreditam que um cenário igual ao do episódio "Joan is Awful", da série "Black Mirror", não é coisa da Inteligência Artificial do futuro. Já há scans a serem feitos hoje. (Collider)Twitter. Em abril, Musk disse que a sua rede social estava perto do "break even", o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas. Agora, o discurso mudou e admite que perdeu 50% das receitas de publicidade. (CNN)Lionel Messi. Depois de firmado o acordo para ingressar nos Inter Miami da MLS, a liga norte-americana de futebol, estima-se que o astro argentino, em 2025, terá ganhado ao longo da carreira qualquer coisa como 1,6 mil milhões de dólares (entre salários, bónus e patrocínios). (Sportico)Threads. A resposta da Meta ao Twitter está a crescer, mas a sua popularidade está a levar utilizadores para outra Threads. Neste caso, a Threads de Zuckerberg está a levar pessoas para uma plataforma estilo Slack, que saiu da obscuridade e já foi descarregada por 2 milhões de pessoas. Esta última é Threads.com; a de Zuck é a Threads.net. (TechCrunch)Gaming. Sony e Microsoft assinam acordo para manter o "Call of Duty" disponível na PlayStation nos próximos 10 anos (e a Sony deixou de estar contra aquisição da Activision). (Quartz)Microsoft. Um grupo de hackers chineses explorou uma falha no serviço de correio eletrónico em nuvem da Microsoft para obter acesso às contas de funcionários do governo dos EUA. (TechCrunch)Proteção de dados. Os legisladores americanos divulgaram um relatório que mostra como a Meta e a Google partilham os dados dos utilizadores com certas empresas. (Vox)Bard. A Google afirmou que o chatbot inclui, agora, novas funcionalidades como análise de imagens, diferentes estilos de respostas e leitura de respostas, 40 idiomas. (CNBC)Apple. A empresa lançou o seu primeiro conjunto de versões beta do iOS 17. (TechCrunch)Claude 2. A Anthropic, empresa fundada por ex-funcionários da OpenAI, lançou uma nova versão do seu chatbot que diz ser mais útil, inofensiva e honesta do que o de outras empresas. (Quartz)LandSpace Technology Corp. A startup chinesa venceu a SpaceX na corrida ao lançamento de um foguetão alimentado a metano, com o sucesso do seu foguetão ZQ-2. (Bloomberg)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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