8 de fevereiro de 2021  

Qual será o nosso "sítio" digital favorito daqui a 5 anos? Tanto para os que acham a resposta óbvia como para os que consideram impossível antever, nada como propor uma pequena viagem no tempo até 2016, esse ano tão próximo e tão longínquo, e avaliar a relação que tínhamos então com espaços como Facebook, Instagram, Whatsapp ou TikTok - e depois confrontar com o que se passa hoje. A Clubhouse, nova rede social de que hoje falamos, cruza, uma vez mais, os territórios dos media, dos eventos e das simples conversas que gostamos de manter uns com os outros, tudo misturado com um marketing de exclusividade (que tem sucessos na história como o Gmail). É esperar para ver. Obrigada por nos acompanharem, Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 Entrar? Só com convite 

Quando achávamos que já não seria possível imaginar mais uma rede social, eis que aparece uma

que promete crescer muito (de uma forma peculiar) em 2021. A Clubhouse é uma rede social à base de áudio e foi descrita pelo The Guardian como uma mistura entre conference calls, programas de rádio e a app House Party, que se tornou popular durante o primeiro confinamento e que depois desapareceu um pouco do nosso radar. A plataforma foi criada em maio de 2020 por Rohan Seth, um ex-Google, e Paul Davidson, um empresário de Silicon Valley, e foi lançada com apenas mil e quinhentos utilizadores, mas com um forte financiamento de investidores que já a valorizavam em 100 milhões de dólares. A verdade é que, em nove meses, a plataforma já conta com mais de dois milhões de utilizadores e ganhou o estatuto de unicórnio ao atingir uma valorização de mil milhões de dólares. Como é que conseguiu este feito? “O objetivo é promover conversas interessantes” São as palavras dos fundadores numa altura em que a sua plataforma ainda se encontra em fase beta (de teste, na gíria empreendedora), apesar de isso não a ter impedido de gozar de uma extensa popularidade. A Clubhouse funciona à base de chat rooms moderadas por personalidades que podem discutir uma variedade de temas nos seus programas e nas quais os utilizadores podem decidir entrar quase como se estivessem numa festa e quisessem participar numa conversa a acontecer “em rodinha”. No entanto, esta rede social não é para qualquer utilizador. No Facebook, no Instagram ou no Twitter basta utilizarmos o nosso computador ou smartphone, partilharmos o nosso e-mail e pensarmos numa password para tirarmos proveito de todas as suas funcionalidades. No caso da Clubhouse, existem duas possibilidades:

  • Ou a plataforma tem a iniciativa de convidar pessoas de relevo a produzir conteúdo na plataforma no “Creator Pilot Program”;

  • Ou uma pessoa só consegue aceder à plataforma se for convidada por um utilizador existente, que pode no máximo convidar duas pessoas. E mesmo sendo um dos sortudos convidados, é ainda necessário ter também um dispositivo da Apple, seja ele iPhone ou iPad, dado que a plataforma só funciona em iOS. Má sorte para os fãs de Android.

 Um crescimento controlado Na versão oficial, este mecanismo foi pensado por Seth e Davidson de modo a poderem ir acomodando novas funcionalidades de forma sustentável, sem terem um aumento gigante de utilizadores que estragassem a experiência na plataforma. Na versão menos oficial, a ideia passou também por criar uma perceção de exclusividade que aumentasse a curiosidade e vontade de fazer parte da plataforma e “ouvir o que acontece por lá”. Tanto que notícias recentes reportavam pessoas dispostas a dar 100 dólares no eBay por um convite para entrarem no mundo da Clubhouse. Ao contrário de plataformas como o Instagram e o TikTok, cujo crescimento se baseia nas gerações mais novas, a Clubhouse cresceu dentro de uma comunidade tecnológica de empresários nos seus quarenta e cinquenta. Este grupo tirou proveito da plataforma para formar uma rede de seguidores com os quais não comunicariam com imagens de férias, com uma dança engraçada ou com uma opinião com menos de 200 caracteres. Apesar de tudo isto, nas palavras do autor Malcolm Gladwell, o tipping point (ponto de viragem) da plataforma pode ter acontecido no final do mês de janeiro deste ano, quando a Clubhouse decidiu convidar Elon Musk, CEO da Tesla, para entrevistar um dos fundadores da Robinhood, plataforma de trading que se viu envolvida na polémica das ações da GameStop. Ora a plataforma tinha acabado 2020 com 600 mil utilizadores (+40.000% desde o lançamento) e no início deste mês já apresentava mais de dois milhões. Não terá sido coincidência e a verdade é que o tema que marcou o mundo dos negócios nas últimas semanas, bem como o perfil carismástico de Musk, levaram a que os convites (ou pedidos de convite) para a plataforma se multiplicassem na ânsia de ouvir a história a ser esmiuçada. Há potencial, mas nem tudo é um mar de rosas  O sucesso precoce e rápido indica que a Clubhouse poderá ter um futuro risonho, mas para isso a startup americana terá de resolver alguns problemas:

  • Privacidade... outra vez: para criar conta na plataforma é necessário dar acesso à nossa lista de contactos para convites feitos no futuro, algo que na Europa irá provavelmente contra as normas do RGPD. Isto mesmo que a Clubhouse assegure que as conversas são apagadas e não são mantidas nos seus servidores. Tal só acontece, caso haja alguma reclamação com o conteúdo produzido, para que a situação possa ser analisada.

  • Tudo com moderação: já existiram diversos relatos de chat rooms onde os tópicos debatidos giravam à volta do antissemitismo, do racismo, da homofobia e misoginia. Isto significa que a Clubhouse terá de garantir um sistema de verificação mais rigoroso do perfil de utilizadores que podem fomentar este tipo de discussões.

  • Show me the money: até agora, a Clubhouse não tinha implementado um regime de monetização para os produtores de conteúdo na sua plataforma. Tal vai mudar já este mês com a introdução de funcionalidades que permitem que os utilizadores possam dar gorjetas, comprar bilhetes para participar em certos chats ou optarem por subscrever o conteúdo de certas personalidades. Vejamos como corre, pois, as outras redes sociais ou o próprio Spotify, que investiu muito em podcasts e produtos em áudio, não deverão ficar quietos por muito tempo.

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Adicionar ao CV

 Quem se vai sentar no trono de Bezos? 

Aquela que é a maior plataforma de e-commerce do mundo, a Amazon, vai mudar de CEO depois de 27 anos. Jeff Bezos (o homem mais rico do mundo) deixa o lugar vazio (e ganha o título de Presidente Executivo) e abre caminho para Andy Jassy.Jassy está na empresa desde 1997, ano em que saiu de Harvard e, nos últimos anos, foi o chefe da divisão de cloud da Amazon, a Amazon Web Services (AWS). Este serviço é essencial para o funcionamento de grandes titãs da tecnologia, como a Netflix, o Spotify ou entidades como a CIA. O mandato de Jassy na AWS fez com que este serviço fosse responsável por 63% dos lucros da Amazon o ano passado e traçou o caminho para que, este ano, conseguisse receitas de 50 mil milhões de dólares (41,5 mil milhões de euros). Neste momento, a Amazon controla cerca de um terço do mercado de infraestruturas “em nuvem” (mais do que a Microsoft e a Google juntas).

  • Constatar o óbvio: ver Jassy liderar o império Amazon era expectável. Para além de ser conhecido pela sua disciplina e método de trabalho, é uma figura notável dentro da companhia e o orador principal da conferência re:Invent da Amazon, dedicada à computação em cloud. No último verão, o responsável pelas operações da Amazon, Jeff Wilk, outro possível sucessor de Bezos, aposentou-se. Sem este elemento em jogo, a decisão tornou-se clara.

  • Isto faz-nos lembrar algo: a promoção de Satya Nadella a CEO da Microsoft em 2014. O empresário ascendeu a esta categoria  depois de 3 anos a cargo da cloud Azure.

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The Next Big Idea apresenta...

 Olá, sou a Nikita 

Numa viagem ao Japão, Asaf Shiloni, encontrou dificuldades em comunicar em inglês com as pessoas do hotel onde ia ficar. Esta situação deu-lhe a ideia de desenvolver uma solução tecnológica que permitisse que turistas pudessem ter uma experiência melhor que não dependesse tanto de quem os recebia. Com isso em mente, criou a Xoltar, uma startup focada em desenvolver assistentes virtuais que, através de inteligência artificial, são capazes de interagir com os turistas agindo como um ser-humano. Estes aparecem na forma de avatares, figuras animadas digitalmente, que podem ser programadas para interpretar algumas interações e emoções humanas. Segundo Asaf, as nove perguntas mais frequentemente colocadas por turistas num hotel representam 60% da sua interação durante a estadia. Por isso, se conseguisse autonomizar parte desse processo e potenciais reações, já poderia ajudar uma série de estabelecimentos. Assim nasceu a Nikita, o primeiro assistente desenvolvido pela startup israelita, que está a ser testada no Future Labs Hotel, um projeto de parceria entre o NEST – Centro de Inovação e Turismo e a Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Setúbal. Entre outras coisas, Nikita consegue fazer o check-in e check out, dar recomendações de atrações nas redondezas do hotel e ainda fazer propor serviços como o spa se "perceber" que o cliente precisa de uma atenção especial.

  • Saiba mais sobre a Xortal em xoltar.com

  • Veja o teaser do último episódio aqui.

  • Veja os episódios anteriores no nosso canal de Youtube.

  • Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.

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Vi algures na Internet

 Começou por ser uma piada... 

Mas está-se a tornar-se real. A Dogecoin, a criptomoeda com a cara de um cão – um famoso meme – aumentou o seu valor em 50% depois de Elon Musk ter feito um tweet no mínimo caricato. O fundador da Tesla fez uma publicação a brincar com a cena icónica do filme "Rei Leão", em que pequeno Simba é exibido ao mundo pelo babuíno Rafiki. Nela, ao invés da cara da cria de leão estava o cão que dá cara à Dogecoin, enquanto Musk tomou a liberdade criativa de substituir a cara de Rafiki pela sua. Como legenda desta imagem, escreveu apenas "Ur welcome" (De nada), que é como quem diz "aqui têm publicidade feita na conta pessoal de um dos homens mais poderosos do mundo".Como se este meme não fosse suficiente, Musk apimentou a situação quando disse que a Dogecoin era a "cripto-moeda do povo", "sem altos nem baixos, apenas Doge". Tudo isto depois de dizer que se queria afastar do Twitter por algum tempo. E porque um palco não basta, o fundador da Tesla falou sobre o assunto precisamente na conversa da Clubhouse que mencionámos acima, numa altura em que a criptomoeda tinha subido mais de 300% para atingir um recorde histórico. Elon Musk afirmou que "o resultado mais divertido e irónico seria tornar a Dogecoin na moeda da Terra do futuro". Atualmente, o valor da moeda ronda os 0,08 dólares (0,07 euros).

 Super Bowl = $uper Commercial 

Na popular final da liga de futebol americano, que decorreu neste domingo, a espera pode parecer longa. Durante os intervalos, a produção arranjou uma forma de manter os espectadores de olhos postos nos ecrãs. A receita foi a mesma de sempre: os anúncios.

  • Mas quanto custou fazer campanhas na Super Bowl? Segundo este artigo do Fast Company, cerca de 5,5 milhões de dólares (4,6 milhões de euros) por 30 segundos!

  • Subiu ou desceu? O valor é inferior ao do ano passado (4,7 milhões de euros), mas superior ao de 2019 (4,4 milhões de euros). Veja quando pagaram os anunciantes nos últimos 10 anos por 30 segundos, neste gráfico da Statista.

Neste ano atípico, o canal CBS (que transmitiu a final) demorou mais dois meses do que o habitual para fechar todos os contratos publicitários, mas o resultado foi uma mixórdia interessante de conteúdo. Entre anúncios do detergente Tide com a cara de uma estrela da série Seinfeld, a Tik Toks feitos por John Travolta para promover produtos de jardinagem, ou uma troca de acusações entre o casal Ashton Kutcher e Mila Kunis em formato musical sobre o roubo de umas batatas Cheetos, houve espaço para rir muito.

  • Neste artigo do Vulture, pode ver todos os anúncios que passaram durante o jogo onde os Tampa Bay Buccaneers de Tom Brady acabaram por sair vencedores.

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Projetos que ficaram debaixo de olho esta semana 🤩

  • Uma casa feita em 3D:Parece surreal, mas a ciência não para de nos surpreender. Está à venda nos Estados Unidos a primeira casa impressa em 3D. A empresa por detrás deste sistema de construção robótico que imprime as estruturas das habitações em tamanho real é a SQ4D. O preço da primeira casa é inferior ao que se possa pensar: 300 mil dólares (249 mil euros), por uma casa com três quartos e duas casas de banho. Este processo automático de construção também é mais barato do que a construção tradicional.

  • Quem é a Elsa? É a nova app que ensina inglês e que já levantou uma ronda de investimento de 15 milhões de dólares (12,4 milhões de euros). A Elsa funciona através de inteligência artificial e colecionou as especificidades do sotaque de milhões de utilizadores. A startup responsável por este serviço, a Vu Van, garante que esta app de conhecimento de voz é mais eficaz do que as outras devido a esta particularidade. Normalmente, estas aplicações só entendem falantes nativos de países de língua inglesa, mas têm dificuldades em perceber pessoas com sotaque não-nativo.

  • Ver a arte de perto: é este o conceito da nova invenção da Hirox, que criou uma plataforma onde é possível analisar obras de arte com um nível de detalhe altamente rigoroso. Funciona como uma espécie de digitalização, com uma resolução de 10 mil milhões de pixéis. Para já, ainda só está disponível o scanner do quadro "A Rapariga do Brinco de Pérola", que é uma autêntica…pérola do barroco, do pintor holandês Vermeer. Para conseguir este resultado, a empresa japonesa teve de tirar 9 mil fotos ao quadro.

É só mais 1 minuto ⌛

  • Aprender com quem sabe: leia a nossa entrevista com António Câmara, um dos empresários portugueses mais importantes do século XXI.

  • Turismo no Espaço: a SpaceX está a preparar-se para lançar a primeira viagem “de outro mundo” para civis. Descubra como neste artigo da CNN.

  • A pensar no futuro: o Upskill é um programa de desenvolvimento de competências digitais que pretende dar emprego a 3 mil pessoas.

Dois dedos de conversa

  • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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