19 de junho de 2023

Que a Inteligência Artificial (IA) generativa parece destinada a mudar os hábitos de trabalho de muitos setores e veio para ficar, ninguém duvida. Contudo, quando a questão evolui para “será que estamos numa bolha Dot-com 2.0” com a recente loucura em torno da tecnologia, as respostas dividem-se. Existe quem veja semelhanças com o passado e sinta que já lá estamos, mas há quem seja da opinião que a situação é diferente e acredite que ainda é cedo para falar em bolhas.Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis

Long Stories Short 

  Nova bolha da Internet ou a próxima revolução? 

O lançamento do ChatGPT no final do ano passado criou uma explosão de interesse no setor da IA generativa. Apesar da inflação, do aumento das taxas de juro e dos avisos dos economistas quanto a possíveis cenários de recessão, a esperança que as ferramentas turbinadas a IA vão aumentar a produtividade nas empresas e vão levar a uma redução de custos parece ser uma daquelas difíceis de resistir.Porque o medo de perder o comboio é real. Veja-se o caso da francesa Mistral AI, uma startup fundada há apenas quatro semanas por um trio de antigos investigadores de inteligência artificial da Meta e da Google, mas que angariou 105 milhões de euros, naquela que já é a maior ronda de lançamento de sempre na Europa. Isto sem terem desenvolvido o seu primeiro produto e os seus trabalhadores terem iniciado funções há apenas alguns dias. O que tem para mostrar? Um plano para criar um modelo (LLM) de “IA generativa” da “família” GPT e lançá-lo em 2024.Se surpreende? Pouco. Apesar de a IA generativa ser uma tecnologia emergente, já “mostra” obra feita. Esquecendo os feitos já muito documentados do ChatGPT, tome-se a evolução, por exemplo, da Midjourney, ferramenta que gera imagens através de promps (descrições) dos utilizadores. Em pouco mais de um ano, a evolução do Midjourney V1 para o Midjourney V5.1 é colossal — é tão absurda que quase só dá para acreditar vendo as diferenças lado a lado. Quando apareceu, em fevereiro de 2022, gerava imagens com um “grafismo” disfórmico estilo Playstation 1 (saiu em 94). Volvidos 15 meses, em maio de 2023, gera imagens ao nível do último Avatar (e pelo meio gera imagens virais com o Papa Francisco).Portanto, visto que o “hype é real”, não admira que exista um frenesim em torno desta tecnologia, qual corrida ao ouro prestes a mudar o séc. XXI. Em maio, o frenesim resultou num investimento recorde de 8,5 mil milhões de dólares — e a tendência é para continuar. De acordo com um relatório da Bloomberg Intelligence, analisado pela Business Insider, o mercado da IA generativa poderá tornar-se uma indústria de 1,3 biliões de dólares (do trillion americano) até 2032.Dot-com 2.0Todavia, todo este investimento vertiginoso — que por sua vez está a conduzir a uma escalada do preço das ações de muitas tecnológicas — está a suscitar algumas comparações pouco lisonjeiras com a bolha dot-com no final dos anos 90. Nessa altura, em que o Microsoft Windows 95 Plus Pack apresentava a primeira versão do Internet Explorer, acreditava-se que ter “.com” no domínio do site era suficiente para ter um negócio de sucesso. Tanto que toda uma nova geração de empresas angariou milhões em financiamento devido a esta crença, levando o índice Nasdaq a atingir máximos históricos. Mas como as extintas Pets.com (esta empresa tornou–se no caso mais conhecido, culpa dos seus anúncios hilariantes com uma meia em forma de cão) ou a Webvan.com (empresa de entregas, que declarou falência depois de ter evaporado mil milhões de dólares em um ano e meio) o provaram, só o nome não chegou. É preciso ter igualmente um modelo de negócio que tenha um plano que faça lucro.Bolha? Facção "do Sim". Há quem considere que estamos a caminhar (ou que até já estamos) numa bolha estilo dot-com. Primeiro, porque o mercado está a valorizar demasiado as empresas associadas à IA; depois, porque está a sobrevalorizar a própria tecnologia (como esta opinião salienta, a IA generativa é uma ferramenta; uma muito poderosa e capaz de coisas incríveis, mas ainda assim uma ferramenta). A par, há quem veja sinais de uma repetição do “comportamento corporativo” levado a cabo no anos 90, isto é, uma corrida cega no investimento atrás do último grito tecnológico para ganhar rapidamente dinheiro, desvalorizando as ameaças de uma possível recessão ou se há ou não modelos de negócio viáveis nestas novas empresas.Bolha? Facção "ainda é cedo". Contudo, há quem não acredite nesta ideia ou que o mercado afunde como aconteceu nos finais dos anos 90. Isto porque consideram que é errado colocar as empresas da IA no mesmo saco que as dot-com, nomeadamente porque as empresas como a Pets.com ou a Webvan.com não davam lucro e estavam sobreavaliadas por “conceitos irrealistas” dos primórdios da Internet. Hoje, ao contrário do que se passou em 99, as empresas que estão a levantar o S&P 500, índice de referência, ou o Nasdaq Composite, o tecnológico, são todas gigantes com bons resultados financeiros (Meta, Microsoft, Apple, Amazon, Intel, AMD). E a liderar o pelotão está uma Nvidia forte, que em 2023 está a ter uma valorização em bolsa meteórica e que em maio foi temporariamente uma “trillion dollar company”. Neste momento, a inteligência artificial é o ouro e a Nvidia valoriza porque é a única que faz picaretas - chips — para o extrair; sem chips, não há matéria prima para as empresas como a francesa Mistral desenvolverem a IA.Veredicto: mesmo que os especialistas discordem se estamos ou não numa bolha, a realidade é que ninguém passa ao lado da inteligência artificial ou quer ficar na cauda. A tecnologia é tida como revolucionária e já é vista como sendo de importância estratégica inclusive geopolítica (prova disso são declarações recentes do presidente francês, Emmanuel Macron, que disse à CNBC que a França vai "investir de forma louca" em IA). Portanto, com bolha ou sem bolha, o ChatGPT parece ter sido mesmo só o início. É que a conversa em torno IA tem todo o ar de estar só a começar.

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The Next Big Idea apresenta...

 Masterclass com Gonçalo Gaiolas 

Gonçalo Gaiolas apaixonou-se pela tecnologia da Outsystems quando ainda estava a estudar. Há 17 anos que está da empresa e é com base nessa experiência que olha para os erros mais comuns cometidos pelas startups: desde comprometer a visão de longo prazo por uma moda, à falta de empatia pelo contexto do cliente cujo problema se procura resolver, até às dificuldades de contratar e reter uma equipa de alta performance.

  • O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.

  • A masterclass com Gonçalo Gaiolas está disponível aqui

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No nosso site 👀

 O Reddit tomou a decisão certa?  O Reddit está à procura de novos canais de receita a caminho de uma potencial IPO ainda em 2023.A notícia completa aquiOutras notícias:

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Vi algures na Internet  💻

Twitter (1). A National Music Publishers' Association está a processar a rede social em nome de várias editoras que representam artistas como Taylor Swift e Beyoncé, por violação da lei dos direitos de autor. (Quartz)Twitter (2). A conta de um dos maiores críticos de Elon Musk - o fundador da PlainSite, Aaron Greenspan - foi suspensa. (CNBC)NBA. Michael Jordan vai vender a sua participação maioritária - adquirida em 2010 por 275 milhões - nos Charlotte Hornets por 3 mil milhões de dólares. Ou seja, Jordan vai ganhar (perto) de 10 vezes o seu investimento inicial. (CNBC)Amazon. A gigante do e-commerce revelou a nova sede de 2,5 mil milhões de dólares em Arlington, na Virgínia, onde espera albergar oito mil trabalhadores. (Vídeo)Teams. A Microsoft vai apostar no desenvolvimento da aplicação Teams em vez do chat integrado no Windows 11. (The Verge)Tesla. A fabricante começou a oferecer três meses de carregamentos gratuitos para dar vazão ao stock do Modelo 3 Sedan. (BloombergNASA e Boeing. Foi anunciado um novo avião (X-66A) para "salvar o planeta". (Vox)Netflix. O evento anual (o Tudum 2023) da plataforma decorreu no último fim de semana e revelou as novidades sobre os seus conteúdos originais. (The Verge)Mercedes. A construtora alemã anunciou que vai integrar uma versão beta do ChatGPT em cerca de 900 mil dos seus veículos. (TechCrunch)Neuro-sama, a streamer-chatbot. A IA já entretém milhares de fãs na Twitch: joga Minecraft, canta karaoke e adora arte. (Bloomberg)Binance. A exchange chegou a acordo com a SEC nos EUA (mas não se sabem os termos). (Reuters)OpenAI. O ChatGPT foi - alegadamente - treinado com dados do YouTube, o que constitui uma violação das regras da Google. (The Wrap)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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