5 de junho de 2023

A conferência anual da Apple, a WWDC 2023, arrancou esta segunda-feira e depois de sucessivos adiamentos, Tim Cook revelou finalmente os óculos de realidade aumentada há muito prometidos. Será que a Apple vai conseguir aquilo que Mark Zuckerberg está a tentar fazer há vários anos?Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis

Long Stories Short 

 A nova realidade da Apple  

Entre o fim de 2021 e durante quase todo o ano de 2022, ainda que os líderes das grandes tecnológicas não conseguissem muito bem chegar a um consenso sobre o que era exatamente o “metaverso”, a realidade é que o termo, seja qual fosse a definição que lhe quisessem dar, era a palavra de ordem. No entanto, há meio ano apareceu o ChatGPT (fait-diver: celebra hoje seis meses) e é da Inteligência Artificial (IA) que o mundo fala (uns preocupados com o futuro, outros a investir).Mas quer dizer que com o recente boom da IA o primeiro vai desaparecer de vez? As notícias sobre o desinvestimento no metaverso por parte de grandes empresas como a Microsoft e as perdas da Meta Reality Labs levaram a que muitos vaticinassem a sua morte. Contudo, na opinião de vários especialistas, é manifestamente cedo para isso. Brittan Heller, uma advogada norte-americana especializada em tecnologia e direitos humanos, é um desses casos.Num artigo de opinião publicado no site “The Information”, Heller destaca que o “ciclo da moda tecnológica quer fazer-nos crer que o metaverso está em declínio”, sendo que o seu lugar foi “usurpado” pela IA generativa. No entanto, na sua opinião, esta narrativa, “embora superficialmente atrativa, é uma ficção”. E justifica o ponto referindo que as tecnologias emergentes como estas “fazem parte de um ecossistema sinérgico” — e que em vez de “anunciar o fim do metaverso”, a IA generativa “pode muito bem vir a ser o seu catalisador, alimentando o desenvolvimento acelerado de tecnologias de realidade aumentada, tanto por parte das plataformas do metaverso como dos cidadãos do metaverso”.E porque é que o metaverso volta à orla do dia? Porque a Apple apresentou hoje na sua conferência anual, a WWDC 23, os seus óculos de realidade aumentada: os Apple Vision Pro. É o primeiro produto da marca a ser apresentado desde que deu a conhecer o Apple Watch em 2014.Entre muitas outras coisas, os Vision Pro vão "combinar na perfeição os conteúdos digitais com o espaço físico", e vão permitir ver filmes em 3D e em 4K ou jogar 100 jogos da Apple Arcade.

  • Os óculos, que se assemelham a uns óculos de esqui futuristas, podem ser controlados através da voz, do olhar e de pequenos gestos com as mãos.

  • Vão ser lançados no início do próximo ano nos EUA e terão um custo de 3.499 dólares.

A Apple aproveitou o anúncio e chamou ao palco o Diretor Executivo da Disney, Bob Iger, para falar sobre o potencial criativo do dispositivo. Iger revelou algumas das ideias da Disney, que incluem uma nova forma de consumir desporto em direto ou de ver filmes, bem como a promessa de nos podermos tornar um super-herói da Marvel ou "vivermos um documentário da National Geographic" (em vez de nos limitarmos a ver). Ah, e também prometeu que o Disney+ estará disponível nos Vision Pro desde o Dia 1.Mas o que é que tudo isto significa? Como nota este artigo da The Verge, o anúncio dos óculos da Apple, para a indústria da Realidade Aumentada (RA), “é a melhor coisa que poderia acontecer a este setor”. Segundo os especialistas, seja a nível de software ou hardware, o produto da empresa liderada por Tim Cook pode “finalmente” fazer aquilo que se está a tentar vender há “uma década”: tornar o produto mais mainstream.Aquilo que realmente está em jogo, lembra ainda o mesmo artigo, é saber se estes óculos vão ser o “momento iPhone” da realidade virtual e deste tipo tecnologia. Porque é sabido que a Apple raramente é a primeira a lançar produtos, mas quando o faz, o mundo por norma presta atenção — e tem a tendência para a seguir o que a Maçã sugere.Até ver, como nota a Axios, apesar dos esforços da Meta em fazer crescer o interesse pela realidade aumentada (ainda há pouco tempo anunciou os novos óculos Quest 3 e a redução do preço dos Quest 2), a maioria dos adultos americanos nunca os experimentou. Portanto, será giro ver no futuro se a Apple vai ou não mudar essa tendência. 

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The Next Big Idea apresenta...

 Masterclass com Gonçalo Gaiolas 

Gonçalo Gaiolas apaixonou-se pela tecnologia da Outsystems quando ainda estava a estudar. Há 17 anos que está da empresa e é com base nessa experiência que olha para os erros mais comuns cometidos pelas startups: desde comprometer a visão de longo prazo por uma moda, à falta de empatia pelo contexto do cliente cujo problema se procura resolver, até às dificuldades de contratar e reter uma equipa de alta performance.

  • O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.

  • A masterclass com Gonçalo Gaiolas está disponível aqui

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No nosso site 👀

 Oeiras é o novo hub do maior marketplace de peças de automóvel da Europa A AUTODOC, o retalhista online de peças e acessórios para veículos, inaugurou o seu novo tech hub no Lagoas Park, em Oeiras. A empresa alemã planeia ter contratadas, até ao final do ano, mais de 200 pessoas para a nova equipa sediada em Portugal.A notícia completa aquiOutras notícias:

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Vi algures na Internet  💻

Twitter. A Fidelity Investments partilhou que, desde que Elon Musk comprou a empresa em outubro do ano passado, o valor da empresa sofreu uma queda de 66% relativamente ao seu valor de mercado. (Quartz)Inteligência Artificial. Sam Altman, CEO da OpenAI, e muitos outros nomes ligados à área, assinaram uma carta aberta para sinalizar que a IA deve ser uma prioridade global ao nível de uma pandemia ou guerra nuclear. (CNBC)Android. A ESET revelou que a aplicação "iRecorder - Screen Recorder" introduz um código que permite à aplicação gravar um minuto de áudio ambiente do microfone do dispositivo a cada 15 minutos, exfiltrar documentos e ficheiros multimédia do telefone do utilizador. (TechCrunch)QR Codes. Os fabricantes de vestuário estão a pressionar o Congresso e a Comissão Federal do Comércio americanos para substituir as etiquetas físicas de vestuário por etiquetas digitais. (Axios)Uber. A empresa está a abandonar os descontos de 5% em futuras viagens atribuídos aos membros da subscrição Uber One. Agora, os subscritores vão ganhar 6% de "Uber Cash", que podem ser gastos na Uber e no Uber Eats. (TechCrunch)ChatGPT chinês. Já é possível testar o Tongyi Qianwen, a resposta da Alibaba ao chatbot da OpenAI. (Quartz)Hacking. A Rússia acusa os EUA de terem pirateado milhares de iPhones. (Axios)Nike & EA Sports. As duas marcas acreditam que, desta vez, os NFT podem mesmo funcionar — e por isso uniram esforços. (Ars Technica)Binance. A SEC (a CMVM norte-americana) vai processar a maior corretora de criptomoedas do mundo e o seu fundador, Changpeng Zhao, por alegadamente terem infringido a lei nos EUA. Zhao, contudo, nega qualquer infração. (CNBC)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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