
29 de maio de 2023
A Apple mostrou o caminho até à casa dos biliões no verão de 2018. Desde então, apenas outras quatro conseguiram acompanhar o feito e juntar-se ao muito restrito grupo de empresas avaliadas com doze zeros nos EUA: além da já citada Apple, as outras são as congéneres Microsoft, Alphabet, Amazon e a petrolífera Saudi Aramco. No entanto, há uma empresa que está na iminência de juntar-se a este clube de titãs: a Nvidia. E a fazer jus à crença dos analistas, não faltará muito até que a fabricante de semicondutores se torne a próxima “trillion-dollar baby”.Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis
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Long Stories Short

O novo bebé dos biliões
Se nos últimos meses a Inteligência Artificial (IA) tem dominado a euforia do espetro noticioso, nos últimos dias o foco tem recaído na notícia de que a Nvidia, fabricante de processadores, está prestes a atingir um valor de mercado na casa dos biliões de dólares. Ainda não chegou lá, mas parece ser um daqueles casos em que é só uma questão de tempo. E assim que chegar à fasquia, poderá gabar-se de fazer parte de um lote muito restrito de empresas a alcançar a valorização nos Estados Unidos de um milhão de milhões, ou seja, um bilião (o trillion americano).Impulsionada pela procura de processadores e pelo boom da IA generativa, a tecnológica começou a fazer manchetes a meio da semana passada (quarta-feira, 24) depois de anunciar a previsão de receitas na ordem dos 10 mil milhões de dólares no segundo trimestre fiscal de 2024 — mais 50% do que os analistas previam, segundo a Forbes. Como consequência, o mercado reagiu e as ações da empresa dispararam mais de 24% no dia seguinte (quinta-feira, dia 25).
Depois da divulgação do relatório de contas, a sua valorização de mercado passou a ser de 939 mil milhões de dólares. Nota: 24 horas antes, estava avaliada em 755 milhões.
De acordo com a Reuters, as ações da empresa subiram mais de 160% este ano, tornando a Nvidia na quinta empresa mais valiosa dos EUA.
Do gaming à IAFundada em 1993, a Nvidia é conhecida pelas suas placas gráficas para os computadores dos gamers e por ter desenvolvido uma tecnologia (os GPUs, na sigla inglesa, ou Unidades de Processamento Gráfico, que são processadores que lidam com os dados gráficos) que permitiu dar um maior realismo às imagens dos videojogos e de animação. No entanto, o foco da empresa mudou nos últimos anos. Se é verdade que tudo começou no gaming, a atenção está cada vez menos nos jogadores e mais nos seus data centers. E, claro, nos seus chips — para os quais, até ver, ainda não há rival no mercado.Porquê? Porque os seus GPUs não servem só para jogar e para dar realismo aos nossos olhos. Em 2006, investigadores de Stanford descobriram que os GPUs tinham outra utilidade - podiam acelerar as operações matemáticas, de uma forma que os chips de processamento normais não conseguiam. É então que Jensen Huang, CEO e um dos fundadores, decidiu apostar noutra direção e quis que os seus GPUs fossem programáveis, permitindo que as suas capacidades de processamento fossem além dos melhores gráficos.
ChatGPT foi treinado com 10 mil GPUs V100 agrupados num supercomputador (que pertence à Microsoft). O custo de cada um? Segundo consta, perto dos 10 mil dólares. E o custo de energia para treinar este monstro? Tanta energia como 400 restaurantes a operar 24h durante duas semanas.
Como realça a BBC, esta decisão acrescentou pouco ao dia-a-dia dos gamers, mas deu aos investigadores uma nova forma de fazer computação de elevado desempenho sem necessitar de um supercomputador ou de muitos chips. Tanto que atualmente os GPUs da Nvidia são fundamentais para desenvolver, por exemplo, o deep learning (componente da inteligência artificial que ensina os computadores a processar dados de uma forma complexa, inspirada no funcionamento do cérebro humano). Ou seja, hoje encontramos estas “placas” de hardware da Nvidia a dar gás e a servir de motor à maioria dos projetos que tenham por base modelos de inteligência artificial generativa.Segundo a Reuters, a Nvidia desenvolve cerca de 80% dos GPUs do mercado e gigantes como a Amazon, Google, Meta e Microsoft são alguns dos clientes que utilizam os chips da Nvidia para o processamento de dados. Em abril, foi inclusive notícia que Elon Musk terá comprado milhares de GPUs para começar uma startup de IA para competir com a OpenAI.No entanto, refira-se que a empresa não tem fábricas. A Nvidia desenha, projeta e faz investigação, mas quem produz efetivamente os chips é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). O engraçado? A Nvidia vale agora em bolsa praticamente o dobro da TSMC — sem produzir um único chip.
À BBC, dois analistas ajudam a explicar o fenómeno ao salientarem que a empresa “é o principal ator tecnológico que permite esta nova coisa chamada inteligência artificial" e que a Nvidia está para a IA como a Intel esteve para os PC’s.
Na opinião dos analistas do Bank of America, a empresa estabeleceu-se na última semana como um "líder da IA" cuja capitalização de mercado está definida para subir para "1 bilião de dólares e mais além".
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Gonçalo Gaiolas apaixonou-se pela tecnologia da Outsystems quando ainda estava a estudar. Há 17 anos que está da empresa e é com base nessa experiência que olha para os erros mais comuns cometidos pelas startups: desde comprometer a visão de longo prazo por uma moda, à falta de empatia pelo contexto do cliente cujo problema se procura resolver, até às dificuldades de contratar e reter uma equipa de alta performance.
O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.
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No Nosso Site

A história do AI em 7 tecnologias Os últimos meses na indústria tecnológica têm sido marcados pelo “generative AI” e pelas diferentes empresas que foram bebendo do sucesso do ChatGPT para apresentar as suas próprias soluções. Contudo, a história da inteligência artificial já conta com mais de 80 anos e, ao recuar no tempo, encontramos sete tecnologias que nos permitiram chegar onde estamos hoje.
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Vi algures na Internet 💻
TikTok. O chatbot Tako já está a ser testado — e no futuro pode vir a recomendar vídeos com base naquilo que as pessoas lhe pedem. (The Verge)Twitter. O lançamento da candidatura presidencial do governador da Flórida, Ron DeSantis, não correu como planeado. (Vox)OpenAI. O CEO, Sam Altman, avisou que a empresa poderá retirar os seus serviços do mercado europeu se não existirem alterações na regulamentação da IA que está a ser desenvolvida pela União Europeia. (The Verge)TikTok Shop. A loja da popular rede social já é vista como uma ameaça para os principais players do e-commerce (nomeadamente a Shopee e a Lazada) no Sudeste Asiático. (CNBC)OpenAI. A ChatGPT App contou com mais de meio milhão de downloads nos primeiros seis dias. (TechCrunch)Neuralink. Do Twitter para a neurociência. A startup de neurotecnologia, co-fundada por Elon Musk, anunciou que recebeu a aprovação da FDA (Food and Drug Administration) para realizar o seu primeiro estudo clínico em humanos. (CNBC)\Ciberguerra. O que se sabe sobre o "Volt Typhoon", o alegado grupo de piratas informáticos que, segundo especialistas da Microsoft, está a desenvolver ferramentas que podem perturbar as comunicações entre os EUA e os países asiáticos em "futuras crises?" (Reuters)Twitter. A rede social abandonou o grupo da União Europeia que combate a desinformação. (BBC)Medo. Doug Rushkoff, além de professor e autor, é um dos principais teóricos da era digital — e escreve há vários anos sobre os mais poderosos de Silicon Valley. Em entrevista, explica porque razão os bilionários estão com "medo que as suas pequenas IAs venham atrás deles". (The Guardian)Tesla Files. Um delator forneceu a um jornal alemão 100 GB de dados — mais de 23.000 documentos internos — que contêm informações (i.e, o número da segurança social de Elon Musk) que podem resultar numa multa de mais de 3 mil milhões de euros. (Ars Technica)Encurtar reuniões. Tempo é dinheiro, já reza o bem conhecido aforismo. E este artigo dá algumas dicas e estratégias para tirar o maior proveito das reuniões presenciais e virtuais. (The Wired)
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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