22 de maio de 2023

Os últimos meses na indústria tecnológica têm sido marcados pelo “generative AI” e pelas diferentes empresas que foram bebendo do sucesso do ChatGPT para apresentar as suas próprias soluções. Contudo, a história da inteligência artificial já conta com mais de 80 anos e, nesta edição, andamos para trás no tempo e fazemos uma cronologia de sete tecnologias que nos permitiram chegar onde estamos hoje.Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 As prequelas do ChatGPT 

A Máquina de Turing (1936)Pode ser considerada como a pioneira da inteligência artificial. Criada pelo matemático e cientista britânico Alan Turing, era uma máquina que nos anos 30 já era capaz de correr algoritmos e resolver problemas de computação antes sequer de a Internet serem uma realidade. Não dava ainda para criar redes sociais, mas dava para a Humanidade resolver problemas importantes, por exemplo, guerras mundiais. Como é demonstrado no filme “O Jogo da Imitação”, foi esta tecnologia que levou a que Turing tivesse um papel fundamental na Segunda Guerra Mundial e a fazer parte da equipa que desenvolveu uma uma solução capaz de decifrar a Enigma, a máquina que os Nazis utilizavam para enviar mensagens encriptadas.The Logic Theorist (1955)Criado um ano antes de o termo “inteligência artificial” ser oficialmente cunhado numa conferência na Universidade de Dartmouth, nos EUA, este é considerado o primeiro programa AI. Foi desenvolvido por um Nobel da Economia - Herbert A. Simon -, um especialista em Psicologia e Cognição - Allen Newell - e um programador da RAND Corporation chamado Cliff Shaw. A base deste “software” era automatizar a lógica humana para provar teoremas matemáticos. Com ele, esta equipa conseguiu provar 38 dos 52 teoremas da Principia Mathematica, uma popular obra com os fundamentos da Matemática, encontrando inclusive formas mais simples de os demonstrar. Esta seria a primeira colaboração de Newell e Simon, que acabaram por formar uma parceria duradoura que deu origem a algumas das mais importantes aplicações iniciais de inteligência artificial.ELIZA (1966)Foi um dos primeiros chatbots a conseguir criar a ilusão de uma conversa, quase 60 anos antes do ChatGPT. Criado por Joseph Weizenbaum, utilizava um programa de processamento de linguagem natural mais rudimentar que permitia correr alguns guiões de conversa preparados para um determinado contexto. O guião que ganhou maior popularidade foi o DOCTOR, que simulava a conversa com um psicólogo, utilizando parte dos inputs dos “pacientes” para lhes fazer perguntas que davam ideia de comunicação, mas não de compreensão (apesar dos utilizadores iniciais acharem o contrário). A ELIZA não aprendia nada com a interação e qualquer alteração nas suas respostas tinha que ser editada no próprio código do programa, considerado uns dos mais importantes da História da computação.MyCIN (1976)Regressando ao tema da saúde, este foi um dos primeiros sistemas informáticos a recorrer a inteligência artificial para simular o conhecimento e decisão de um especialista humano. No seu desenvolvimento, Edward Shortliffe, utilizou um processo relativamente “simples”: primeiro definiu 600 regras-base de saúde; depois elaborou uma série de perguntas Sim/Não que tinham de ser respondidas; por último, inseriu-as num programa que, com base na combinação de respostas, diagnosticava bactérias por detrás de infeções por ordem de probabilidade, às quais juntava não só um racional de diagnóstico, como uma proposta de tratamento associada ao tipo de corpo do paciente. O MyCin acabou por nunca ser utilizado na prática, mas não foi por não dar resultados fidedignos. À época, não só havia ainda algumas dúvidas éticas sobre a utilização de computadores na Medicina, como ainda não havia uma infraestrutura tecnológica que facilitasse a sua integração. Atualmente, como sabemos, o caso já é bem diferente.Deep Blue (1997)Uma das primeiras vitórias da Inteligência Artificial sobre o Homem. A Deep Blue foi um programa desenvolvido num supercomputador da IBM, capaz de disputar jogos com os principais mestres de xadrez. Em 1996, deu-se o primeiro encontro mediático com um dos melhores jogadores de sempre, Garry Kasparov. Numa série à melhor de seis jogos, a Deep Blue perdeu, mas tornou-se na primeira IA a vencer um jogo contra um campeão mundial utilizando o controlo de tempo habitual. No ano seguinte, houve uma desforra e, depois de um “upgrade” tecnológico, a Deep Blue tornou-se mesmo no primeiro programa a derrotar um mestre de xadrez. O confronto Deep Blue vs Kasparov já foi alvo de vários livros e documentários, que analisam em detalhe o desenvolvimento da tecnologia e algumas polémicas, entre elas, a dúvida de se algumas jogadas tinham sido feitas ou não pela máquina. Watson (2011)14 anos depois da Deep Blue, este foi outro projeto da IBM a ganhar grande protagonismo. O Watson era capaz de processar e responder a questões colocadas em linguagem natural sem precisar de seguir um guião pré-definido como vimos com a ELIZA umas décadas antes. Um dos seus principais casos de estudo foi a vitória numa competição de “Jeopardy!”, o popular programa de quiz americano, que em vez do modelo pergunta-resposta, funciona com base em pistas que os concorrentes têm de associar a um tema geral. A tecnologia acabou por ser aplicada pela IBM em várias indústrias, da saúde ao marketing digital, e a marca Watson passou a ser uma parte importante da oferta B2B da empresa. Ainda recentemente, a IBM anunciou a sua nova plataforma AI, a WatsonX, que vai facilitar o desenvolvimento de modelos de generative AI para os seus clientes.AlphaGo (2016)A partir do início da década de 2010 começaram a surgir novos desenvolvimentos, nomeadamente a investigação levada a cabo por Geoff Hinton (“o Padrinho do AI”) no campo do Deep Learning. O objetivo passava por introduzir elementos de machine learning onde o algoritmo aprende tarefas ao identificar padrões nos dados e infere ações a partir daí, em vez de as mesmas serem programadas. Foi parte deste racional que a DeepMind (entretanto comprada pela Google) utilizou para desenvolver o AlphaGo, um programa para rivalizar com os melhores jogadores de Go, um popular jogo de estratégia chinês. Simplificando, o AlphaGo em vez de ter no seu código todas as regras de Go e aplicá-las a diferentes contextos, utiliza um algoritmo que, com machine learning, consegue identificar padrões no jogo e ele próprio aprender as regras sem necessitar que isso seja programado. Atualmente, a DeepMind já desenvolveu o MuZero, um programa geral que pode aprender jogos sem ter de saber as suas regras.

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The Next Big Idea apresenta...

 Masterclass com Daniela Braga 

Daniela Braga é fundadora e CEO da Defined.ai, empresa líder na área da Inteligência Artificial. Linguista de formação, percebeu rápido que as Línguas são também uma “forma de programação”. Hoje, a sua empresa gera dados altamente fiáveis, escaláveis e em múltiplas línguas, capazes de “treinar” máquinas para ler, interpretar e relacionar informação autonomamente. Mulher, imigrante, mãe e empreendedora a solo, partiu sempre em desvantagem, mas não deixou que isso a condicionasse. É isso que a torna também a pessoa ideal para uma masterclass sobre os desafios da vida como founder.

  • O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.

  • A masterclass com Daniela Braga está disponível aqui

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No Nosso Site

 O Fim do Mundo (ainda) não vem aí  Luís Sarmento, Co-Founder e CEO da Inductiva Research Labs, escreve sobre a falácia da “curva exponencial” no desenvolvimento da Inteligência Artificial. "É um texto em que se tenta desmontar aquela que é uma das principais falácias quando se fala dos potenciais perigos da IA: a de que o seu desenvolvimento se está a dar a um ritmo exponencial e que, portanto, o fim do mundo está iminente."

  • Leia o artigo completo aqui

Outras notícias:

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Vi algures na Internet  💻

Yuval Noah Harari. O filósofo e historiador israelita este em Portugal numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e defendeu que os governos nos devem "comprar" tempo enquanto a inteligência artificial é ainda uma ameba e não evoluiu para T-Rex (SAPO24)OpenAI. O ChatGPT vai ter uma aplicação oficial para iOS que será de utilização gratuita, sem anúncios e permitirá a introdução de voz, mas será inicialmente limitada aos utilizadores dos EUA (TechCrunch)Apple. Deixa o teu iPhone falar por ti, literalmente… a Apple apresentou uma nova funcionalidade de Voz Pessoal em que os utilizadores, ao lerem um conjunto de textos durante 15 minutos, podem criar uma voz que soa como a deles. (The Verge)Microsoft. A aquisição da Activision Blizzard pelo gigante tecnológico está a ser bloqueada pelo Reino Unido e pelos EUA. O negócio de 69 mil milhões de dólares já tem a luz verde do lado da União Europeia. (Vox)IA. Sam Altman, CEO da OpenAI,  testemunhou perante o Comité Judicial do Senado dos EUA sobre inteligência artificial. Altman apelou à urgente regulação do seu setor. (Quartz)Ferrari. Apesar de as coisas não estarem famosas no campeonato de F1, a marca apresentou uma subida de 24% nos lucros do primeiro trimestre (CNBC)Instagram vs Twitter. A Meta está a preparar-se para lançar uma plataforma rival durante o verão. Será o suficiente para ganhar utilizadores à rede de Elon Musk? (Bloomberg)Gaming. O novo jogo de “Zelda” já é um sucesso: 10 milhões de cópias vendidas nos primeiros 3 dias nas lojas (Axios)Cool idea. A Drone Bird Company desenvolveu drones, parcialmente impressos em 3D, com lasers e um aspeto semelhante a aves de rapina, com o objetivo de afugentar aves mais pequenas de comerem as colheitas. (Axios)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abilio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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