15 de maio de 2023

Depois de há poucos meses ter dito que fazia intenções de nomear um novo CEO “até ao final do ano”, Elon Musk anunciou na semana passada que Linda Yaccarino vai ser a nova líder da "X/Twitter”. Mas o que é que isso significa para a rede social do passarinho e o que se tem dito lá fora sobre esta decisão? Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis

Long Stories Short 

 O que muda com a nova CEO do Twitter? 

Desde que comprou a empresa por 44 mil milhões de dólares em outubro do ano passado e juntou o título de “Chief Twit” ao seu largo role de cargos das cinco empresas que lidera (Twitter, Tesla e a SpaceX são as maiores, mas convém não esquecer as duas startups mais “pequenas”, a Neuralink e a The Boring Company), que Elon Musk não tem tido uma vida fácil à frente da rede social que disse ter adquirido “não por dinheiro, mas para ajudar a humanidade”, “que adora”.Em parte, a vida não tem sido fácil por culpa da regularidade com que diz uma coisa e depois faz algo que vai no sentido aposto. Mas também porque as alterações que foi implementando, na maioria das vezes, vieram acompanhadas de reações pouco positivas por parte dos utilizadores (como esta), que receiam pelo futuro da plataforma. No entanto, apesar de nem sempre cumprir ou ir na direção do que disse ou prometeu, Musk parece ter aceitado a decisão da votação (a poll) que fez em dezembro (depois de questionar os utilizadores/seguidores se devia ou não abandonar o cargo de CEO do Twitter, a maioria votou que sim).Assim, volvidos seis meses desde a votação e depois de em fevereiro ter reiterado que planeava encontrar um substituto até ao final do ano, eis que no final da semana passada anunciou que vai deixar o cargo e que Linda Yaccarino, ex-diretora de publicidade da NBCUniversal, vai assumir a posição “nas próximas seis semanas”. Mais concretamente, Musk especificou (num tweet) que a nova CEO vai "concentrar-se principalmente nas operações comerciais, ao passo que eu vou concentrar-me na conceção de produtos e novas tecnologias". Ou seja, Musk assume o papel de Diretor de Tecnologia (CTO) e de “executive chairman”.A importância da nomeaçãoO que significa para Musk: Depois de ter entrado nos escritórios do Twitter com uma pia nas mãos no primeiro dia como “Chef Twit”, Musk mudou muitas coisas na empresa, entre as quais o nome e a morada fiscal (o Twitter Inc. é agora a X Corp. e mudou-se do Delaware para o Nevada, embora Musk tenha mantido a marca Twitter). No entanto, o bilionário tem estado sob pressão noutras frentes, nomeadamente porque há investidores preocupados com a atenção que tem dado ao Twitter; segundo consta, queriam que Musk encontrasse rapidamente outra pessoa para liderar os destinos do passarinho, de maneira a que pudesse concentrar-se nas outras empresas que lidera (i.e, Tesla). Com esta nomeação, em teoria, terá mais tempo para acalmar as preocupações dos acionistas e ataca um dos problemas da rede social: as receitas com publicidade, que estão a cair.O que significa para o Twitter: A próxima CEO é muito respeitada no mundo da publicidade e do entretenimento, além de ter uma longa relação com figuras importantes dos setores (e de gozar da fama de ser uma dura negociadora, tendo a alcunha de “Martelo de Veludo”). E não estando o serviço de subscrição Twitter Blue a ser particularmente um grande sucesso, a publicidade vai desempenhar um papel importantíssimo no futuro da empresa — área que Linda Yaccarino conhece bem e na qual tem créditos firmados. Depois, e não menos importante, como recorda a BBC, menos de 10% das tecnológicas da Fortune 500 são lideradas por mulheres. Com esta nomeação, Yaccarino vai tornar-se num exemplo raro de uma mulher que chega ao topo de uma grande empresa tecnológica depois de já ter subido na hierarquia de algumas das maiores empresas de comunicação social dos Estados Unidos.

  • Ainda assim: Pese embora a nomeação da antiga responsável pela publicidade da NBCUniversal reflita um claro progresso naquilo que diz respeito à representação do género nas grandes empresas, alguns especialistas alertam que esta possa resultar num caso de "Glass Cliff", em que basicamente as mulheres são promovidas para falhar. Contudo, há quem veja as coisas de outro prisma, acreditando que Musk não ia apostar pessoalmente em alguém só para a ver essa pessoa falhar.  

A pesada herança de Linda YaccarinoYaccarino vai herdar uma empresa que dispensou cerca de 80% dos seus trabalhadores (muitos dos quais da moderação de conteúdos) desde que se iniciou o reinado Musk, e que o próprio disse há uns tempos ter perdido metade do seu valor. Mais, vai também herdar uma marca cuja relação com os anunciantes não está em muito bom porto.

  • De acordo com o Digiday, que cita dados da Pathmatics, os gastos com publicidade na plataforma caíram de cerca de 156,6 milhões de dólares (em outubro de 2022) para 76,9 milhões de dólares (em abril de 2023).

Contudo, apesar de as vendas com publicidade terem caído drasticamente, tanto num perfil da BBC como noutro do Digiday, as fontes contactadas por ambos os meios realçaram as suas qualidades, frisando que tem a personalidade certa para alterar o “atual rumo do Twitter”. No perfil da emissora britânica, Yaccarino é mesmo descrita como sendo o tipo de pessoa que “Elon Musk precisa".Ou seja: Até há uns dias, Yaccarino liderava um dos dos maiores conglomerados de media dos Estados Unidos (foi a responsável por coordenar o lançamento da plataforma de streaming Peacock), onde passou anos a convencer as marcas a apostar na televisão (old media) em vez de nas plataformas digitais (new media). Agora, vai fazer exatamente o contrário. No Twitter, Yaccarino vai ter de aproveitar o conhecimento acumulado nas últimas décadas e mudar o chip.Em suma, parece que Yaccarino chega à empresa para ajudar Musk na parte em que é preciso estancar o êxodo corrente dos utilizadores e anunciantes, que estão a procurar outros voos e paragens (i.e, alternativas tipo BlueSky). Como bem frisa este artigo da Mashable, se Musk vai supervisionar as decisões como presidente e liderar "produtos, software e sistemas" como CTO, o que sobra para a nova CEO? Publicidade, pois. O que nos leva a perguntar: se assim é, e se nada mudar ao nível da moderação da atual “liberdade de expressão” (visto que Musk é fica encarregue de supervisionar essa parte), será que a relação próxima de Yaccarino com as marcas é suficiente para que estas regressem, se o problema principal se mantém? Custa a crer, mas só o tempo o dirá.

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The Next Big Idea apresenta...

 Masterclass com Marcelo Lebre 

A Remote de Marcelo Lebre é a empresa fundada por um português que mais rapidamente atingiu o estatuto de unicórnio. O rótulo diz pouco ao empreendedor, para quem o “conteúdo é mais importante que o título”. Focado em “montar um bom negócio”, nesta masterclass fala sobre encontrar product-market-fit, isto é, sobre ter o produto certo para o mercado certo. O sweet spot que a Remote levou sete anos a encontrar.

  • O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.

  • A masterclass com Marcelo Lebre está disponível aqui

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No Nosso Site

 O Fim do Mundo (ainda) não vem aí  Luís Sarmento, Co-Founder e CEO da Inductiva Research Labs, escreve sobre a falácia da “curva exponencial” no desenvolvimento da Inteligência Artificial. "É um texto em que se tenta desmontar aquela que é uma das principais falácias quando se fala dos potenciais perigos da IA: a de que o seu desenvolvimento se está a dar a um ritmo exponencial e que, portanto, o fim do mundo está iminente."

  • Leia o artigo completo aqui

Outras notícias:

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Vi algures na Internet  💻

Google. O que se pode esperar da empresa depois da palestra de I/O deste ano? Atualizações e reformulações de software, lançamento de novos telemóveis e produtos com IA para não perder o comboio. (The Verge)Sundar Pichai. No podcast Decoder, o CEO da Google revelou não estar preocupado em "ser o primeiro". Falou ainda sobre motores de busca, inteligência artificial e da dança com a Microsoft. (The Verge)Meta. A dona do Facebook anunciou a AI Sandbox, uma nova funcionalidade para anunciantes que vai permitir criar textos alternativos (copys), cortar imagens e gerar novos fundos através de texto (prompts). (TechCrunch)Inteligência Artificial. Uma popular influenciadora do Snapchat lançou uma "namorada virtual" (alegadamente com a sua personalidade) alimentada por IA para ajudar a "curar a solidão". (NBC)Vice Media. O grupo, conhecido por deter os sites Vice e o Motherboard, apresentou um pedido de insolvência para planear a sua venda e proteger-se dos credores. (Reuters)WhatsApp. A Meta anunciou uma nova funcionalidade que vai permitir bloquear e ocultar conversas. (SkyNews)Microsoft & Activision. Ao contrário do regulador britânico, o regulador da UE aprovou a aquisição de 68.7 mil milhões de dólares. (The Verge)Sustainable Skylines. A startup está a planear usar drones para transportar faixas publicitárias pelo céu. O objetivo é reduzir as emissões de carbono e substituir operações de publicidade aérea antiquadas. (AcessWire)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Maria Moreira RatoEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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