8 de maio de 2023

Os avanços recentes da Inteligência Artificial (IA), mais concretamente dos chatbots tipo ChatGPT, alimentam manchetes e artigos na comunicação social há meses. Seja pela adesão em massa do público, seja pelo receio do que possa implicar no futuro, seja pela falta de ética de como os modelos são treinados, seja pela necessidade de regulamentação. No entanto, a discussão em torno da IA mudou de tom nos últimos dias após um dos pioneiros da área ter deixado a Google por ter receio que a machine learning supere a inteligência dos seres humanos. Será agora que vamos dar ouvidos aos especialistas e vamos começar a ter mais respeito pela inteligência das máquinas?Obrigado por nos lerem,Abílio dos Reis

Long Stories Short 

 Quando é que vamos dar ouvidos a quem sabe? 

Em 2017, a organização Future of Life Institute juntou investigadores, cientistas e legisladores numa conferência para delinear os "Princípios da Inteligência Artificial". A intenção deste encontro passava por estabelecer os mandamentos que nos iam ajudar a evitar aquilo a que um artigo apelidou de "Apocalipse IA”. No final, 23 "princípios" foram criados. Porém, volvidos seis anos, o que aconteceu? O mesmíssimo Future of Life Institute viu-se forçado a publicar, em março, uma carta aberta a pedir uma “pausa”, de pelo menos seis meses, no desenvolvimento de novos sistemas de inteligência artificial porque os mandamentos estavam a ser ignorados. Entre os signatários da carta, constam nomes como Elon Musk, fundador da Tesla e da SpaceX, ou Steve Wozniak, cofundador da Apple.Até ver, não há grandes indícios de que o pedido venha a ser aceite pelas empresas responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia e as questões da carta (“Devemos deixar que as máquinas inundem os nossos canais de informação com propaganda e falsidade? Devemos automatizar todos os empregos, incluindo os que nos satisfazem? Devemos desenvolver mentes não-humanas que possam eventualmente ultrapassar-nos, ser mais inteligentes, obsoletos e substituir-nos? Devemos arriscar perder o controlo da nossa civilização?”) devem continuar sem resposta. Tanto que a conceituada jornalista e autora Naomi Klein, num extenso mas super-interessante artigo de opinião, além de acusar os CEOs das grandes tecnológicas de serem eles que estão a “alucinar” (jargão utilizado para definir os “erros” que encontramos nas respostas dadas pelos modelos tipo ChatGPT) e não as máquinas que estão a potenciar, enumera umas poucas razões para que isso aconteça.No entanto, ainda que não existam respostas, parece existir uma certeza: a indústria tecnológica continua a estar um passo à frente dos governos e quem está por dentro do assunto a assistir a todo este avanço frenético está a prever que, sem regulamentação e discussão ponderada, a sociedade como a conhecemos hoje pode estar com os dias contados.OK. Mas quais são os receios dos especialistas em concreto? A Axios falou com vários - programadores, investigadores e reguladores - e pediu-lhes que descrevessem os seus medos  para o futuro próximo. Num resumo, temem:

  • O escalar da massificação dos ciberataques e burlas. Com as instruções corretas, as chamadas “prompts”, vai ser mais fácil diversificar e concretizar este tipo de ataques; além disso, a IA vai “turbinar” as ferramentas existentes dando aos malfeitores uma oportunidade para aperfeiçoarem os seus esquemas de phishing e fraude. Esqueçam os e-mails mal traduzidos e amanhados, é imaginar um áudio/vídeo com a voz de um familiar aflito a pedir dinheiro.  

  • A desinformação em modo imparável e indistinguível ao olho humano. À medida que evolui, a IA multimodal - texto, discurso, vídeo - vai ser de tal maneira realista que não vamos saber o que é gerado por IA ou por humanos. Depois, falam ainda na vigilância massificada e na força que pode dar ao totalitarismo. Nas mãos erradas, há especialistas que temem que a democracia não sobreviva.  

Tudo isto são problemas conhecidos e a vontade de regular e responsabilizar existe. Ainda no final da semana passada, num artigo de opinião publicado no New York Times, Lina Khan, líder da FTC, a autoridade federal norte-americana equivalente à nossa Autoridade da Concorrência, salientou isso mesmo e até detalhou como o pretende fazer. Na Europa, os legisladores tentam andar para a frente com o AI Act, mas não está fácil porque a tecnologia evolui mais rápido do que a lei.E é precisamente esta rapidez de evolução que fez com que recentemente se junta-se ao grupo de gente preocupada alguém que sabe uma coisa ou duas sobre inteligência artificial, mais especificamente sobre machine learning: o investigador Geoffrey Hinton. Hinton foi apelidado pela imprensa como sendo um dos três “Padrinhos da IA" e anunciou a sua saída da Google. A razão? Queria ter a liberdade para exprimir os seus receios quanto ao rumo que a tecnologia que ajudou a criar está a levar.

  • "É preciso imaginar algo mais inteligente do que nós, pela mesma diferença que nós somos mais inteligentes do que um sapo”, alertou em entrevista o cientista, de 75 anos, que, em 2018, juntamente com dois colegas (Yoshua Bengi e Yoshua Bengio, dois signatários da carta que pede a pausa no desenvolvido desta tecnologia), foi distinguido com o ACM Turing, o prémio Nobel para os cientistas da computação.

Nessa entrevista, Hinton, além de notar que Bernie Sanders, a Casa Branca e Elon Musk querem a sua atenção, e explicar melhor os motivos que o levaram a sair da Google, o investigador confessou aquilo que o faz “tremer”: a inteligência biológica é diferente da inteligência digital e esta última é “provavelmente muito melhor”. Por outras palavras, o cientista teme que não falte muito para que o machine learning seja mais inteligente do que os humanos.Ou seja: como sugere o académico irlandês John Naughton no The Guardian, se o facto de mais de 27 mil pessoas - muitas delas conhecedoras do que está em jogo - terem assinado uma carta aberta a pedir uma pausa de seis meses para pensar a IA não for suficiente para captar a atenção geral, se calhar quando se junta a estas vozes a mente que “desbloqueou a tecnologia que agora anda à solta no mundo”, talvez devêssemos de começar, realmente, a prestar mais atenção enquanto sociedade à evolução e discussão em torno da IA.

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The Next Big Idea apresenta...

 Masterclass com Marcelo Lebre 

A Remote de Marcelo Lebre é a empresa fundada por um português que mais rapidamente atingiu o estatuto de unicórnio. O rótulo diz pouco ao empreendedor, para quem o “conteúdo é mais importante que o título”. Focado em “montar um bom negócio”, nesta masterclass fala sobre encontrar product-market-fit, isto é, sobre ter o produto certo para o mercado certo. O sweet spot que a Remote levou sete anos a encontrar.

  • O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.

  • A masterclass com Marcelo Lebre está disponível aqui

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No Nosso Site

 Web Summit Rio de Janeiro. Muito bom, mas sem bifanas A primeira edição da Web Summit Rio de Janeiro contou com 20 mil pessoas e replicou formatos bem conhecidos em Lisboa. Diversidade e o papel das mulheres nas organizações foram temas em foco.

  • Leia o artigo completo aqui

Outras notícias:

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Vi algures na Internet  💻

Gaming.  No que toca à nova geração de consolas, a Xbox não vai mesmo superar as vendas da Sony (PlayStation 5) ou da Nintendo. (Kinda Funny Games)Howgarts Legacy. O videojogo baseado no mundo de Harry Potter já gerou mais de mil milhões de dólares em vendas (15 milhões de cópias vendidas). (IGN)Google. Os utilizadores já podem mudar de passwords para as passkeys através de uma autenticação biométrica feita pelo próprio dispositivo. As impressões digitais e o Face ID são dados biométricos que não são partilhados com a Google, nem com terceiros, tornando o processo mais seguro e rápido. (The Verge)Mozilla.Social. A nova rede social onde não é permitido assediar outros utilizadores nem utilizar linguagem depreciativa. A Mozilla pretende reinventar a moderação de conteúdos e melhorar a experiência dos utilizadores. (The Verge)Google. O ícone do cadeado, que indica a segurança de um site, vai ser retirado do Chrome ainda este ano. A empresa anunciou que o cadeado será substituído por um novo ícone com o lançamento do Chrome 117 em setembro. (The Verge)Uber. A empresa divulgou os resultados do primeiro trimestre que superaram as expectativas dos analistas. (CNBC)Apple. A empresa lançou 20 jogos novos na Apple Arcade. Estas adições ao catálogo são o resultado de uma tentativa de renovação de oferta constante por parte da Apple. No ano passado foram lançados mais de 50 jogos. (TechCrunch)Bing, Bard e ChatGPT. Estarão os chatbots a reescrever a Internet? Há quem acredite que sim. (The Verge)Espaço. Cientistas dizem ter encontrado mais luas com oceanos no nosso sistema solar. (Ars Technica)TikTok. Uma jornalista do Financial Times detalha como descobriu ter descoberto que estava a ser vigiada pela rede social chinesa. (Ars Technica)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Maria Moreira RatoEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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