2 de maio de 2023

Nestes tempos de pouca bonança para o Twitter, pode a Bluesky ser a alternativa viável que o mundo procura? A verdade é que não sabemos, mas no fim de semana a rede social descentralizada disparou em popularidade ao ultrapassar os 50 mil utilizadores na sua fase beta (o acesso só é possível através de convite) e existem algumas condicionantes que lhe podem ser favoráveis. Uma delas é ter um tal de Jack Dorsey como investidor.Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 Jack Dorsey quer derrotar o seu Twitter 

Têm sido anos cinzentos para o mundo das redes sociais. Durante algum tempo, o alvo de contestação foi a Meta (dona do Facebook e do Instagram), que após uma série de casos, desde apropriação de dados pessoais com o Cambridge Analytica às políticas de moderação de conteúdo com temas como o Covid-19 ou eleições, teve de trabalhar para recuperar a sua imagem e credibilidade. Um rebranding passou a remeter para o metaverso, apesar de não haver muita obra para demonstrar nesse departamento, mas esse assunto fica para outras núpcias.Felizmente ou infelizmente, passados alguns meses da Meta passar a ser Meta, foi a ovelha negra das redes sociais - o Twitter - que passou a ser o objeto de frustração de milhões de utilizadores. A liderança e postura de Elon Musk, bem como a sua decisão de reformular as dinâmicas da plataforma para criar um modelo de negócio extra-publicidade deixaram muitas pessoas insatisfeitas e levaram, inclusive, a que muitas marcas interrompessem o investimento em comunicação destinado ao Twitter. A consequência disso? Abriu uma janela de oportunidade para outras plataformas que quisessem abraçar o desafio de substituir a rede social como pólo de discussão e definição dos temas do momento, da política à cultura pop.Os problemas enfrentados (ou criados) pela Meta, pelo Twitter e até pelo TikTok têm levado a novas vagas de talento e de financiamento para novas plataformas que os procurem resolver (e, se tudo correr bem, não vão cair nos mesmos vícios de um modelo dependente da rentabilização dos dados de utilizadores). Dito isto, este período tem sido marcado pelo aparecimento de vários serviços que procuram ser o próximo “digitem qualquer rede social” com diferentes graus de sucesso: o BeReal teve tração, mas ainda não descobriu como pode fazer dinheiro; o Mastodon mostrou-se demasiado complicado de usar para ocupar o lugar do Twitter; outros nem atingiram escala suficiente para o potencial lhes ser reconhecido.

  • É essa a parte complexa de uma rede social. Não basta ser bonita e ter funcionalidades incríveis, é preciso haver uma razão para lá passar tempo; seja porque estão lá os nossos amigos ou personalidades que queremos seguir. É aqui que a maior parte delas falha.

Um incrível céu azulNo meio destas águas turbulentas, a Bluesky quer ser o novo Twitter e tem algumas condicionantes que lhe podem ser favoráveis. No fim de semana, a rede social descentralizada disparou em popularidade ao ultrapassar os 50 mil utilizadores na sua fase beta, apenas através de convites individuais. Mas esqueçamos por momentos o rápido feito ou mesmo o facto de a plataforma ter como base um protocolo desenvolvido numa blockchain.A apoiar o projeto — que conta com 13 milhões de dólares em investimento — está um financiador que sabe uma coisa ou duas sobre redes sociais e sobre o próprio Twitter. Trata-se de Jack Dorsey, o seu fundador e CEO até há pouco tempo, que viu na plataforma uma oportunidade de regressar aos primórdios do Twitter, numa altura em que este não era uma rede social a precisar de dar lucro, mas uma espécie de tubo de ensaio que qualquer developer podia utilizar para desenvolver uma aplicação ou integrar no seu negócio.

  • Um dos exemplos mais populares foi a Tweetie, a plataforma que introduziu na nossa vida a dinâmica de arrastar o dedo no ecrã para fazer refresh e ter novas publicações. Long story short (intencional) utilizou a API do Twitter, foi comprada pela empresa e hoje é, nada mais, nada menos, que a app mobile do Twitter que utilizamos nos nossos smartphones.

A Bluesky quer recuperar um pouco desta magia e não parece estar muito interessada em afastar-se do Twitter em termos de experiência do utilizador. Permite criar publicações em texto e imagem numa página principal, sendo que no seu mundo, os “tweets”, a “timeline” e o “Trending” são substituídos pelos “skeets”, a “skyline” e o “What’s Hot”.No entanto, as redes sociais mais recentes que encontraram algum sucesso, não tiveram que reinventar a roda, mas introduziram uma nova dinâmica que captou a atenção dos utilizadores: no TikTok foi o “swipe aleatório” de vídeos verticais com um algoritmo calibrado aos nossos gostos; no caso da BeReal foi singularização de um momento através de uma notificação e da utilização de uma câmara frontal e dianteira em simultâneo.À primeira vista, a Bluesky não tem isto. Além da exclusividade atual, o maior fator diferenciador é mesmo o elemento web3 do seu desenvolvimento: utiliza um protocolo que pode ser utilizado por qualquer pessoa para criar algo novo e ao funcionar de forma descentralizada, garante que não há uma entidade centralizada a coordenar todos os dados que são gerados pela sua utilização. Não é a coisa mais atrativa para uma plataforma que quer ser mainstream, mas não tem de ser um problema. Se calhar, a crescente procura por algo que suplante o Twitter é suficiente para a Bluesky ter uma janela de oportunidade.Para a aproveitar, há alguns desafios que vão determinar o seu potencial sucesso:

  • Terá de ter uma boa estratégia de aquisição de novos utilizadores quando o esquema de convites deixar de ser uma novidade. Se não o fizer, irá enfrentar uma situação parecida à do Clubhouse que, depois de um hype inicial, acabou por não corresponder às expectativas.

  • Simplificar ao máximo o acesso à plataforma. Um dos apontamentos mais comuns às plataformas web3 é a complexidade na utilização, por isso, idealmente, quanto menos as pessoas derem pela blockchain, melhor.

  • Encontrar modelo de negócio. Se não for a publicidade ou serviços de subscrição, o que pode ser?

  • Sendo uma rede social descentralizada, como é que poderá garantir uma moderação de conteúdo eficaz? Neste âmbito, poderá ser necessário algum tipo de centralização na tomada de decisões.

* * *

The Next Big Idea apresenta...

 Masterclass com Humberto Ayres Pereira 

Humberto Ayres Pereira é o fundador da Rows, cuja ambição é, nada mais nada menos, do que destronar o Excel e o Sheets do mercado das spreadsheets. A ambição é assumida, sobre o mercado potencial ninguém tem dúvidas. Nesta masterclass, o empreendedor fala sobre a “arte” levantar investimento, sobre como lidar com um ‘não’ sem deitar a toalha ao chão ou sobre como gerir o “casamento” com o investidor.

  • O projeto “Únicos” propõe-se dar resposta à pergunta sobre o que torna uma empresa única e de que forma essa aprendizagem pode ajudar outras. Fizemo-lo num projeto em parceria com a Google e a Shilling.

  • A masterclass com Humberto Ayres Pereira está disponível aqui

* * *

No Nosso Site

 PwC US vai investir mil milhões de dólares em IA Uma das maiores empresas de consultoria do mundo, a PwC (dos Estados Unidos), anunciou na semana passada que vai investir mil milhões de dólares para expandir e escalar as suas ofertas de inteligência artificial (IA).

  • Leia o artigo completo aqui

Outras notícias:

* * *

Vi algures na Internet  💻

Microsoft. A empresa anunciou que os utilizadores de iPhones poderão fazer e receber chamadas telefónicas, enviar e receber mensagens através do iMessage, entre outras funcionalidades, tudo diretamente no seu computador Windows. (TechCrunch)Banca. O JPMorgan Chase comprou o banco regional First Republic, que tremeu durante as últimas semanas depois de experienciar uma situação semelhante à vivida pelo Silicon Valley Bank. (Expresso)Biotecnologia. Uma startup espanhola anunciou o nascimento dos primeiros bebés fecundados através do seu robot de fertilização — com a ajuda de um comando de uma PlayStation 5. (MITOpenAI. Os utilizadores já podem desativar o histórico no ChatGPT, um novo recurso de privacidade para que as conversas não sejam usadas para treinar e melhorar os modelos de IA. (Quartz)Apple. Está a ser concebido um novo serviço de coaching para manter os clientes motivados para fazer exercício, melhorar os seus hábitos alimentares e ajudá-los a dormir melhor através da utilização de IA e dados recolhidos pelos Apple Watch dos utilizadores. (The Verge)Meta. Zuckerberg fez saber que devido às recomendações de conteúdo alimentadas por IA, houve um aumento de 24% relativamente ao tempo médio gasto no Instagram desde que a plataforma lançou o Reels. (TechCrunch)Dyson. Já está à venda o purificador de ar portátil que também nos deixa ouvir música. Num estilo 2 em 1, a Dyson desenvolveu uns auscultadores, com cancelamento de ruído, em que o ar entra pelos auriculares e é canalizado para a viseira que depois sopra ar limpo para a cara do utilizador. (The Verge)Microsoft. A empresa quer fazer uma aposta nunca antes vista no cloud gaming, começando com a tentativa de aquisição da Activision Blizzard por 68.7 mil mlihões de dólares. No entanto, as autoridades reguladoras do Reino Unido bloquearam este negócio. (CNBC)Geoffrey Hinton. O "Padrinho da IA” demitiu-se do seu cargo de investigador principal na Google, alertando para as "coisas más" que vão surgir com a utilização massiva da IA generativa. (Gizmodo)Jack Ma reaparece. Depois de uma disputa com os reguladores chineses o ter levado a abandonar a vida pública durante dois anos, o outrora homem mais rico da China e o co-fundador do Alibaba é agora professor convidado na Tokyo College. (Yahoo)

* * *

Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Maria Moreira RatoEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

Copyright © , Todos os direitos reservados.O nosso endereço é:Quer deixar de receber estes emails?Pode clicar aqui. Mas não faça isso: isto está giro.