23 de janeiro de 2023

Reed Hastings é um dos meus CEOs favoritos. Com um perfil mais discreto do que muitos dos seus pares, construiu calmamente uma das maiores marcas de entretenimento no mundo inteiro e, em vez de jogar o jogo de Hollywood, não só o mudou por completo, como obrigou todos os outros jogadores a repetirem a sua jogada. Na semana passada, anunciou que ia deixar o comando da empresa que fundou e isso significa que, provavelmente, daqui a um ano devemos ter um documentário sobre a sua vida (na Netflix, claro).Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

 Uma ode a Reed Hastings 

Bill Gates deu o leme da Microsoft a Steven BallmerJeff Bezos entregou a liderança da Amazon a Andy Jassy.Larry Page e Sergei Brin passaram a pasta da Alphabet a Sundar Pichai.Agora é a vez de Reed Hastings sair de cena e dar a vez a outro.O ex-professor de Matemática já teve um impacto suficientemente grande na nossa vida para estar na mesma categoria que os nomes anteriores. A Netflix é a principal plataforma de streaming no mundo inteiro, conta atualmente com 231 milhões de subscritores e mudou para sempre a forma como consumimos filmes e séries.Segundo reza a lenda, Hastings teve a ideia de criar a Netflix em 1997 depois de acumular uma dívida grande na Blockbuster (empresa que dominava o mercado do aluguer de DVDs) e pensar que todo o processo seria mais fácil se funcionasse como uma subscrição de ginásio com uma prestação mensal.Daí para a frente, o sucesso da Netflix foi o resultado de fazer a coisa certa no timing certo mesmo quando nada indicava para tal.

  • No auge das dotcom, em vez de apostar logo no digital e no streaming, montou uma rede de distribuição com os Correios dos EUA, tendo apenas uma landing page para recolher pedidos de DVDs, que eram depois entregues no espaço de dois dias nos envelopes que tornaram a empresa popular.

  • Em 2007, quando a cobertura de Internet nos EUA já era significativa lançou o serviço de streaming como um “extra” para quem já subscrevia o tradicional serviço de aluguer de DVDs e começou a fazer os primeiros testes com a plataforma.

  • Em 2011, com o crescimento exponencial da Internet enquanto infraestrutura que deu escala às redes socias, às plataformas de ecommerce e a plataformas de video, a Netflix lançou o seu primeiro plano de subscrição focado no streaming, com uma oferta de filmes e séries à distância de um clique.

  • Em 2013, quando os custos de licenciamento de conteúdo começaram a aumentar começou a investir significativamente em produções originais, primeiro nos EUA (“House of Cards”, “Orange is the New Black) e progressivamente lá fora (“Narcos”, “Dark”, “Squid Game”), tornando-se uma marca global de entretenimento.

Desta forma, criou um playbook para o sucesso na indústria do streaming e levou a que as principais empresas como a Disney, a Warner Bros (HBO) e a Amazon seguissem os seus passos sem nunca conseguirem antecipar-se. Mas não fez isto sozinho.Ao longo de 25 anos, Hastings também criou uma cultura forte na empresa, que começava no exigente processo de recrutamento e culminava na atribuição de responsabilidades a cada elemento da empresa, independentemente da hierarquia. Foi talvez esse sentimento de empoderamento que o levou, em 2020, a nomear como Co-CEO Ted Sarandos, para que pudesse partilhar os deveres de comandar uma marca global de entretenimento. Não é uma estrutura comum numa empresa como a Netflix, mas é o formato de liderança que se vai manter com a sua saída, anunciada na semana passada.Reed Hasting vai agora ocupar o cargo de Executive Chairman, mantendo-se ligado à empresa, mas não à intensidade do dia-a-dia. Ted Sarandos vai manter-se como Co-CEO e o homem-forte de toda a área de conteúdos. Greg Peters era o antigo COO da Netflix e vai ocupar o lugar deixado por Hastings, ficando responsável por toda a área mais operacional onde se inclui a gestão da despesa da empresa, a expansão para novos mercados e árdua tarefa de resolver o problema da partilha de passwords.

  • A mudança na Netflix veio depois da plataforma de streaming ter anunciado a adição de mais 7,7 milhões de subscritores no último trimeste de 2022.

  • Apesar de um ano díficil, em que o preço das ações caiu 39%, a Netflix continua um passo à frente da concorrência no que diz respeito a presença internacional e à rentabilidade da sua plataforma.

Ler também: A Netflix está à procura de um hospedeiro ou de uma hospedeira para trabalhar no jato privado da empresa e é uma proposta bastante atrativa (BBC)

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The Next Big Idea apresenta...

O "DeNites TV" é um videocast sobre Web3 produzido pela MadreMedia.A premissa é discutir, de uma forma descontraída, a atualidade da indústria com as principais startups e players portugueses de Web3 e debater os principais desafios e soluções de cada área específica, do DeFi à economia criativa.A DeNites é a maior comunidade de startups web3 em Portugal, com nomes como a Talent Protocol, a TAIKAI, a Subvisual e a WalliD.O projeto da DeNites TV é coordenado pelo Miguel Magalhães e os primeiros dois episódios já estão disponíveis no YouTube e no Spotify da DeNites TV.

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No nosso site  👀

Unbabel comprou a alemã EVS TranslationsDe acordo com informação divulgada pela empresa portuguesa, esta compra “permitirá proporcionar aos clientes um fluxo de trabalho adaptado às necessidades de cada um, reduzindo significativamente o custo e o tempo de tradução e também serviços de conteúdo especializado para novos segmentos de mercado, incluindo financeiro, jurídico e automóvel”.Didimo. Startup portuguesa traça 5 tendências para o metaverso em 2023Ainda não se sabe muito bem definir o que é o metaverso – Zuckberg diz que é uma imersão via Realidade Virtual, as plataformas da Web3 tipo The Sandbox acham que é a descentralização, a gigante Microsoft fala em “metaverso empresarial”, Tim Cook vai mais longe e diz que a “pessoa-comum” não sabe simplesmente o que é. Seja como for, opiniões à parte, uma coisa é certa: a Internet e a tecnologia está em constante evolução.Já teve de esconder um cancro por medo de despedimento? Este projeto quer acabar com issoChama-se “#WorkingWithCancer”, foi revelada esta semana no Fórum Económico Mundial, em Davos, e já conta com o apoio de empresas como a Toyota, a Disney e a Microsoft.ENEEB debate engenharia biomédica há quase 20 anos. Em 2023, não será diferenteA cidade de Aveiro, entre 23 a 26 de fevereiro, vai debater o presente e futuro da engenharia biomédica ao receber a XVIII edição do ENEEB, um evento organizado por estudantes e para estudantes.

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Vi algures na Internet  💻

Apple. Podem estar a caminho os Macs com ecrã tátil (9 to 5 Mac)A Família Belfer. Como perder dinheiro com a Enron, Madoff e FTX? (NY Post)China. A superpotência asiática viu a sua população decrescer pela primeira vez desde a década de 50 (Associated Press)AI + Arte. A Getty Images vai processar os criadores da Stable Diffusion, uma plataforma que permite criar imagens recorrendo a inteligência artificial (The Verge)Shein. A marca de fast fashion está à procura de uma nova ronda de financiamento e poderá diminuir a sua capitalização de mercado de 100 mil milhões de dólares para 64 mil milhões (TechCrunch)Redes Sociais. O Discord comprou a Gas, a app que está a fazer furor entre o jovens americanos (The Verge)Microsoft. A tecnológica anunciou a expansão da sua parceria com a OpenAI e integrará diversas aplicações, incluindo o ChatGPT, em várias das suas plataformas (Blog Microsoft)Amazon. Depois de despedir 18 mil colaboradores nas últimas semanas, o que se avizinha para o futuro da Big Tech (Vox)Martin Shkreli. O empresário caído em desgraça parece estar de regresso à vida pública com um projeto na Web3 e as autoridades americanas estão atentas (Quartz)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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