
18 de janeiro de 2021
Informação é poder e o puzzle é hoje mais complicado do que nunca. Porque a informação está dispersa em múltiplas fontes, redes, apps, o que deixa nervosos - por razões opostas - verdadeiros democratas e tiranos ou candidatos a autocratas. Com o mundo de olhos postos nos Estados Unidos da América, que esta quarta-feira encerram formalmente a era Trump e iniciam a era Biden, o shutdown da internet no Uganda foi uma notícia bem mais discreta. Por razões distintas e em contextos diferenciados, ambos os países confrontam o papel do poder político e o da tecnologia numa luta entre o certo e o errado que dificilmente deixará de marcar a agenda nos próximos anos. Obrigada por nos acompanharem, Rute Sousa Vasco
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Long Stories Short

Calçado a condizer
Na semana em que voltámos a ter de confinar nas nossas casas, decidimos olhar para empresas com razões para considerar 2020 um ano muito bom. Uma delas é uma empresa criada em 2002 que, depois de muito debate e de altos e baixos, pode dizer que voltou a estar no caminho certo. Falamos, claro, da Crocs. Foi assim que aconteceu Há quase 20 anos, as Crocs apareceram no mercado como um calçado confortável, com o formato de um crocodilo, feito de um material esponjoso (“foam clogs”, em inglês), mas que visualmente não era o mais apelativo. No entanto o conforto vende e, entre 2003 e 2007, as vendas da Crocs passaram de 1.2 milhões de dólares para 850 milhões de dólares, evoluindo de um produto utilizado por velejadores nos seus barcos para um produto que muitos escolhiam para estar em casa ou para tarefas profissionais que exigissem longas horas, por exemplo, os enfermeiros nos hospitais. A crise financeira de 2008-2009 trouxe dificuldades económicas a todos os negócios e expôs também as fragilidades do modelo de negócio que a Crocs tinha implementado durante os seus anos de maior sucesso. Na entrada para uma nova década, a empresa era dirigida por executivos com pouca experiência na gestão de produtos de consumo; tinha sérias ineficiências logísticas quer na produção quer no número de lojas onde distribuía o seu produto (o que fazia com que tivesse uma estrutura de custos muito elevada); e, por último, em termos de marca, a Crocs não era apelativa e tinha colada a si a conotação de “produto para usar em casa, mas na rua nem pensar”, o que diminuía imenso o seu potencial: as pessoas não se preocupavam em comprar em quantidade e variedade algo que só iriam usar quando ninguém está a ver. No final de 2009, as receitas da Crocs desceram para 645 milhões de dólares. A recuperação Depois de aproveitar um contexto económico favorável, especialmente nos EUA, a Crocs começou a implementar mudanças significativas. Além de correções na parte logística, o principal esforço financeiro da empresa foi no trabalho de marca e na personalização da experiência que o consumidor tinha. O principal desafio passou a ser como transformar a Crocs numa marca “cool”, como a Nike, que as pessoas tivessem orgulho em usar na rua e em combinar com qualquer outfit. Para isso, a Crocs pegou no livro de estratégias da Nike, e começou a formar a sua rede de embaixadores e a criar edições especiais em colaboração com designers de marcas de streetwear (“uso de rua” ou “uso urbano” na gíria portuguesa). Por um lado, podia comunicar diretamente com os consumidores do presente e do futuro que tinham uma perceção negativa da marca. Por outro, ao promoverem a exclusividade e ao atraírem interesse de mais pessoas, podiam vender os seus produtos por um preço mais alto e aumentar a sua margem. Assim, nos últimos anos (incluindo 2020), a Crocs focou-se em criar “hype” à sua volta e lançou coleções em parceria com artistas como Justin Bieber, Post Malone, Bad Bunny e Grateful Dead e ainda com outro tipo de marcas como a Balenciaga e o KFC (tudo a ver, nós sabemos). A verdade é que o material esponjoso com que os seus produtos são produzidos permitiu que a Crocs tivesse a flexibilidade para adaptar diferentes conceitos ao seu produto. Uau, 2020 Não se pode dizer que as Crocs tenham ficado um produto mais bonito. Mas ficaram certamente um produto preparado para a pandemia. Porquê? Em primeiro lugar porque gozavam de uma popularidade grande entre a geração Z e Millennials com o seu slogan “Come as you are”, cativando até o maior hater de Nirvana (se é que existe). Segundo, podiam vender uma combinação de conforto e criatividade, a um preço mesmo assim acessível a uma comunidade de consumidores fechada em casa e a querer comprar online.
The only one: a NPD, uma empresa de estudos de mercado, revelou que a Crocs foi a única marca de calçado a registar uma subida nas vendas entre março e abril de 2020.
Customização: os Jibbitz são uns pequenos acessórios que podem ser qualquer coisa, desde figuras de super-heróis a palavras, que podem ser colocados nos buraquinhos característicos das clogs. Em 2020, a sua venda duplicou e passou a representar 6.5% das receitas totais da Crocs.
No total: em 2020, a Crocs registou um crescimento de 12% e em 2021 não tenciona abrandar. “Trabalhar de Crocs” será a nova tendência nas próximas semanas?
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Não devolva que reembolsamos na mesma
Quando estamos insatisfeitos com um produto que comprámos, o habitual é devolver esse mesmo produto e receber o dinheiro gasto. Mas algumas marcas, como a gigante de e-commerce Amazon ou a cadeia de supermercados Walmart, estão a pedir aos clientes para não devolverem os itens de que, por alguma razão não correspondem às expectativas de compra, segundo um relatório do Wall Street Journal.
Porquê? O custo da logística de devolução para a marca pode custar 20% a 65% do valor do produto. E, de acordo com um artigo da RetailWire os avanços de inteligência artificial já permitem determinar a viabilidade económica em devolver um produto, com base no histórico de compras dos clientes, no valor dos itens a devolver e no custo de processamento da devolução.
Do lado da Amazon: Este sistema cria uma política de devolução mais simples e uniforme. Se este processo for mais amigável aumenta a classificação do vendedor, fazendo com que este tenha um melhor rating. Para além disso, alicia os consumidores a associarem-se à Prime (serviço de subscrição da Amazon, que inclui descontos em preços e entregas, bem como acesso a plataformas como o Prime Video).
Do lado do Walmart: A marca lançou a campanha "Keep It" (Fique com Isso), para os seus vendedores no mercado. Estes podem definir os limites de preço para os itens que desejam que os clientes mantenham.
Outras exemplos Keep It: A cadeia de grandes superfícies Target ou a marca de e-commerce de produtos para animais Chewy também já têm vindo a incentivar os clientes a manter ou doar os produtos indesejados.
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The Next Big Idea apresenta...

Uma caravana global
Tudo começou com uma tese de mestrado. Hugo Oliveira decidiu estudar uma abordagem diferente para uma empresa de aluguer de caravanas que a pudesse colocar numa posição para ser competitiva em qualquer mercado. A ideia passava por criar um veículo único que tivesses as mesmas funcionalidades de uma autocaravana, com os custos de consumo de um carro normal. Do papel para o mundo real, desse projeto nasceu a Indie Campers que, depois de começar com apenas seis caravanas e com um investimento residual, cresceu progressivamente em Portugal. O sucesso luso levou a que se expandisse para outros mercados a partir de 2015 e que passasse a empregar 150 pessoas. Conquista atrás de conquista, em 2020, a Indie Campers foi considerada pelo Financial Times como uma das empresas europeias de turismo mais inovadoras e com potencial de crescimento. No episódio mais recente do The Next Big Idea fomos falar com Ricardo Grijó, diretor de operações da Indie Campers Portugal, que nos contou a história da empresa e os seus planos para o futuro: o desenvolvimento de um marketplace de experiências turísticas.
Saiba mais sobre a Indie Campers em indiecampers.pt
Veja o teaser do último episódio aqui.
Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.
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Vi algures na Internet

Um cofre cheio com uma chave perdida
Já todos nos esquecemos de uma password, é normal. O que não é normal é que nos esqueçamos de uma password se ela abrir um cofre cheio de dinheiro. Mas, segundo este artigo do The Hustle, 20% do valor global das bitcoins (140 mil milhões de dólares – 116 mil milhões de euros) é perdido em carteiras digitais com passwords das quais os donos não se recordam!O The New York Times escreveu uma história hilariantemente dolorosa sobre um programador alemão que tem cerca de 182 milhões de euros em bitcoins num disco mas, pura e simplesmente, não se lembra da palavra-chave. Esta unidade bloqueia após dez tentativas e, neste momento, restam-lhe apenas duas. Se errar, o dinheiro desaparece para sempre! Isto não é morrer na praia. Isto ficar à deriva e ser engolido pelos tubarões!
Governar sem Internet é mais fácil
Um artigo do Quartz abordou a quebra da Internet que já durava há dois dias no Uganda, exatamente dois dias depois das últimas eleições no país. O resultado foi o previsível: voltou a ganhar o presidente Yoweri Museveni, que governa o Uganda desde 1986 e parece não querer abdicar do poder, apesar de se saber que o seu opositor, o músico Robert Kyagulanyi (também conhecido como Bobi Wine), tem o apoio dos jovens.Num país que não conhece outro líder há 35 anos, o bloqueio às redes sociais e à Internet em geral foi uma resposta à recusa da Google em apagar conteúdo anti-governamental do YouTube, a pedido do Governo do Uganda, e ao facto de o Facebook ter apagado várias contas pró-Governo. Para Museveni, este braço de ferro com as gigantes tecnológicas foi a gota de água e a opção foi fazer aquilo que se tem feito em tempo de eleições noutros países africanos: barrar totalmente o acesso à Internet.
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Projetos que ficaram debaixo de olho esta semana 🤩
"Eu não estou bêbado". Normalmente esta frase é dita por alguém inconsciente do seu estado. Mas desta vez esta pessoa pode mesmo estar sóbria. As bebidas Kin são 100% livres de álcool, mas funcionam como desinibidores sociais. São feitas à base de adaptógenos (plantas medicinais) e nootrópicos (suplementos de aumento de desempenho cerebral). "Um humor melhor, desfoque zero" é o lema da marca que se diz capaz de ajudar o cliente a estar "à altura de todas as ocasiões", ou seja: a sentir o efeito do álcool, mesmo sem o consumir.
Uma barriga que não dura para sempre: a barriga de grávida. Foi a pensar nisso que foi criada a Mom-to-Mom, onde é possível alugar roupa para esta fase. A ideia - com selo português - consiste em alugar roupa a preços acessíveis e devolve parte do dinheiro às futuras mães dependendo do tempo que usam o serviço na totalidade.
A arte de "fazer uns biscates": é algo que tem vindo a aumentar com a pandemia. Com a instabilidade em alguns setores e o crescimento de outros (como o transporte, a logística e o armazenamento), existem neste momento cerca de 500 milhões de trabalhadores temporários em todo o mundo, segundo este artigo do The Hustle. Como resultado, a startup de Madrid Jobandtalent – uma app de serviços temporários – teve uma ronda de investimento de 89 milhões de euros, depois de aumento repentino de utilizadores (+ 80 mil em 2020, o dobro do ano anterior), que resultou uma receita a bater nos 597 milhões de euros.
É só mais 1 minuto ⌛
Novidades tecnológicas: A CES – Consumer Electronic Show é a maior feira de tecnologia do mundo e, na semana passada, numa edição totalmente online, passaram por lá algumas das principais empresas do setor para apresentes os seus novos produtos. Veja quais foram os anúncios mais entusiasmantes neste artigo da CNET.
Tirando notas: numa altura em que o país passa por um período muito complicado, é altura de reavaliar como é que as coisas estão a ser feitas, sabendo que nenhum plano é perfeito. A estratégia de vacinação de Israel, um país com uma dimensão parecida à nossa, parece estar a colher frutos e é importante perceber porquê.
ICYMI: uma sigla para In Case You Missed It (“caso não tenhas reparado”) para introduzir uma lista de abreviações que por norma encontramos nas redes sociais e não sabemos o que significa. Descubra neste artigo da Hootsuite.
A Wikipédia chegou aos 20: fique a conhecer o percurso da popular enciclopédia online, o 13º site mais visitado da Internet, neste artigo do SAPO24.
Dois dedos de conversa
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