5 de dezembro de 2022

O ChatGPT é o tema do momento na comunidade tecnológica dos EUA e um pouco por todo o mundo. É uma experiência com inteligência artificial divertida e com uma série de aplicações nas mais diversas indústrias. Mas ainda tem falhas importantes que é preciso não esquecer.Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

A IA já é mainstream 

Filmes de ficção científica têm sido pródigos em fazer-nos sonhar com algumas das aplicações da inteligência artificial e temer as suas consequências naquilo que é a nossa organização enquanto sociedade. Nos últimos anos, as grandes tecnológicas têm cada vez mais recorrido a modelos de inteligência artificial no desenvolvimento dos seus produtos e plataformas, mas agora tecnologia parece estar a dar os primeiros passos rumo ao mainstream e não envolvem necessariamente ter uma Alexa em casa.A OpenAI é uma empresa tecnológica focada em desenvolver inteligência artificial de uma forma segura e benéfica para a sociedade. Foi fundada em 2015 por Sam Altman (ex-Presidente da Y Combinator e CEO) e Elon Musk (ele está de facto em todo o lado), com o objetivo de desenvolver IA amigável que trabalhasse juntamente com os humanos. A OpenAI faz investigação de uma forma transparente e colaborativa e fez avanços significativos em áreas como natural language processing (NLP) e reinforcement learning. A OpenAI também trabalha com parceiros de diversas indústrias e desenvolve os seus produtos comerciais como o GPT3 language model. Que conceitos são estes e como estão a disromper a indústria?

  • O processamento natural de linguagem: É uma área da inteligência artificial que se foca na interação entre humanos e computadores usando linguagem natural. Inclui o desenvolvimento de algoritmos e sistemas que conseguem entender, gerar e manipular a linguagem humana, podendo realizar tarefas como a tradução, o resumo de ideias e a resposta a questões. Está na base dos assistentes virtuais, dos chatbots e dos motores de pesquisa e a OpenAI é líder nesta área com a GPT3, o modelo de linguagem (com diferentes versões) que desenvolveu e que está na base das aplicações que realizam estas tarefas.

  • O reinforcement learning: É um algortimo de machine learning que se foca em treinar agentes a tomar decisões em ambientes complexos e dinâmicos. Funciona numa base de tentativa/erro na qual o agente vai aprendendo sucessivamente com o que correu bem e o que correu mal em cada uma das simulações, bastante útil no desenvolvimento de robôs ou de videojogos. 

IA a uma frase de distânciaNa semana passada, a OpenAI lançou o ChatGPT, um modelo inovador que nos permite interagir com inteligência artificial através de uma conversa em que esta consegue responder a questões de “follow-up”, admitir erros, questionar premissas erradas e recusar questões inapropriadas.Já estive algum tempo a brincar com a plataforma (experimente aqui) e é incrível o número de coisas que permite fazer desde:

  • Escrever guiões (nem sempre bons) para comédias românticas com atores específicos

  • Delinear tópicos essenciais para um texto (utilizei para este)

  • Pedir correções em códigos de programação

  • Pedir ideias para jogos mobile

  • E fazer pedidos nas mais diversas línguas (umas de formas mais eficaz que outras)

E dá, certamente, para muitas mais coisas. Contudo, não é tudo um mar de rosas e muitas das respostas dadas pelo Chat estão só parcialmente corretas devido aos desafios naturais envolvidos numa solução de inteligência artificial. 

  • Um deles está associado à forma como o algoritmo é treinado: como não há uma fonte unilateral de verdade, o ChatGPT pode dar respostas a factos históricos, por exemplo, que misturam as informações de diferentes origens, umas mais fidedignas que outras. Outro problema associado pode ser a diferença entre aquilo que o utilizador sabe vs aquilo que o algoritmo sabe: no seu treino pode ter havido parcelas de informação não utilizadas que o levam a fazer inferências erradas sobre alguns acontecimentos. 

  • Às vezes é necessário fazer várias iterações do mesmo pedido até que o Chat consiga dar a resposta que procuramos: isto está associado à forma como foi mais treinado com certas palavras em vez de outras. Associado a isto está também problemas de ambiguidade, isto é, quando o utilizador faz pedidos pouco explícitos, idealmente, o algoritmo pediria esclarecimentos, mas, por agora, tenta automaticamente entender o que o utilizador pretende mesmo que seja de forma errada.

  • A prevenção de pedidos mais inapropriados ainda não é 100% eficaz: se perguntarmos diretamente ao Chat qual é o homicídio perfeito, ele vai recusar-se a responder, no entanto, se colocarmos a mesma pergunta no contexto de uma personagem numa história, o algoritmo já é capaz de responder. É o problema de contexto que ainda é apontado à grande maioria destes sistemas.

Apesar de tudo, estar na plataforma não deixou de ser uma experiência recompensadora que sinto que só ficou pela superfície. De acordo com Sam Altman, em poucos dias, já mais de 1 milhão de utilizadores estiveram a interagir com o ChatGPT e a partilha de user cases no Twitter tem sido um dos principais tópicos. Ainda há um longo caminho por percorrer, mas a primeira utilização com uma tecnologia deste género deixa entusiasmo com os desenvolvimentos que se podem seguir.

* * *

The Next Big Idea apresenta...

Série especial "Únicos" | EP #10 

Daniela Braga, CEO e cofundadora da Defined.ai, teve tudo menos um percurso fácil. Entre Lisboa, China e Seattle, Daniela passou de uma linguista com um projeto de investigação, para uma das responsáveis pela área de inteligência artificial da Microsoft. A experiência levou-a a uma startup com um ritmo mais exigente que acabou por lhe dar vontade de ter a sua própria empresa. É através da sua construção que falamos dos desafios que uma startup tem de superar neste episódio da série “Únicos”.

  • Veja aqui o episódio 10 da série Únicos com Daniela Braga

* * *

Prémio Únicos

Nos últimos dois meses, no âmbito da iniciativa que o The Next Big Idea desenvolveu em conjunto com a Google e a Shilling, estivemos à procura de projetos das mais diversas indústrias, que tivessem potencial para ser o próximo unicórnio português.Nas mais de 100 candidaturas, tivemos a oportunidade de ficar a conhecer uma série de novas ideias e as equipas que estão por detrás das mesmas, de norte a sul do País (e algumas a trabalhar remotamente noutros territórios). Os finalistas estão a ser escolhidos e vão ter a oportunidade de, no dia 14 de dezembro, apresentar as suas empresas e ganhar o Prémio Únicos que inclui:

  • 50 mil euros atribuídos pela Shilling

  • 100 mil euros em serviços Google

  • 1 episódio TV no The Next Big Idea

A maior sorte aos finalistas e um obrigado a todas as empresas que enviaram as suas candidaturas!

* * *

No nosso site  👀

Miguel Santo Amaro: “Devemos ser o melhor do mundo a resolver um problema e não o mais apaixonado”Começou como empreendedor com apenas 22 anos e tem memória de um tempo, não muito longínquo, em que era preciso explicar o que era uma startup. Hoje acredita que fundar uma empresa de base tecnológica é já um objetivo de vida para muitos jovens a sair da universidade.Humberto Ayres Pereira: “Tivemos de vender uma ideia de futuro e o futuro tem de ser incrível”Humberto Ayres Pereira começou na faculdade de engenheira no Porto, mas a dedicação levo-o primeiro até à Califórnia e depois a Harvard (que garante não ser muito diferente do que se faz cá). Depois, o gosto e a aptidão pelos computadores fez o resto. E por resto, refira-se a Rows, a folha de cálculo que quer fazer frente ao Excel.Inclusio foi a grande vencedora do Prémio Internacional de Inovação da Altice PortugalA escolha dos vencedores foi da responsabilidade de um júri representado pela Altice Labs, Altice Portugal, Agência Nacional de Inovação (ANI), Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Enterprise Ireland, Estrutura de Missão “Recuperar Portugal”, Associação Europeia de Operadores de Redes de Telecomunicações (ETNO), Fundação Altice, Luz Saúde, Startup Lisboa e Universidade de Coimbra.Como é que o humor inteligente pode ajudar no dia a dia das empresasA Bridgewhat, plataforma digital de Growth-as-a-Service uniu esforços com Luís Afonso, escritor e cartoonista que colabora com vários jornais e revistas em Portugal e, com o apoio da UNICRE, lançaram o livro ‘Os Cartoons Bridgewit 1’ que tem como objetivo ser um manual para empresários e empreendedores aumentarem as vendas e fazerem crescer a sua empresa com boa disposição.

* * *

Vi algures na Internet  💻

Vulcões. O Mauna Loa, o maior vulcão do mundo, voltou a entrar em erupção quase 40 anos depois (CNN)BlockFI. A plataforma crypto é o mais recente caso de falência depois do sucedido com a FTX (The Wall Street Journal)Balenciaga. Uma campanha publicitária desastrosa levou a marca de luxo a pedir desculpa duas vezes num dia e uma das embaixadoras, Kim Kardashian, a afastar-se. Segue-se um processo em tribunal contra a agência responsável pela campanha (The Washington Post)Palavra do ano. Para o dicionário Merriam-Webster é “gaslighing”, termo associado à manipulação psicológica de uma pessoa (AP News)Solidão. Um estudo realizado com uma amostra de milhares de americanos demonstra que passamos cada vez mais tempo sozinhos e que isso pode ajudar a explicar o surgimento de cada vez mais casos de saúde mental (The Washington Post)Twitter 2.0. Elon Musk partilhou numa apresentação a sua visão para o que deve ser o Twitter (Social Media Today)Cor do ano. É a “Viva Magenta” para a Pantone (CNN)Blackstone. O popular fundo de investimento tem nas suas mãos aquilo que pode ser o futuro da indústria imobiliária, como explica Genevieve Decter nesta thread (Twitter)Idris Elba. O popular ator participou numa ronda de investimento de 24 milhões de dólares da Huel, uma startup que desenvolveu batidos e sandes saudáveis (Sifted)Anduril. O jovem que criou a Oculus (e vendeu à Meta por $2B) tem agora um novo unicórnio avaliado em $7B (Defense News)

* * *

Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

Copyright © , Todos os direitos reservados.O nosso endereço é:Quer deixar de receber estes emails?Pode clicar aqui. Mas não faça isso: isto está giro.