21 de novembro de 2022

Depois do que se escreveu sobre a FTX na semana passada, parece que estamos ainda nas primeiras páginas de uma história com muitos mais episódios para serem escritos e com mais personagens a entrar em cena. Esta semana, tentamos perceber o que se pode esperar e o potencial impacto da empresa na criptoeconomia e no mundo empresarial.Obrigado por nos lerem,Miguel Magalhães

Long Stories Short 

FTX. Apenas no início da tempestade 

“Nunca na minha carreira vi uma falha tão grande de controlos corporativos e uma completa inexistência de informação financeira de confiança como aqui” foram as palavras escolhidas por John J. Ray III, uns dias depois de se tornar CEO da FTX e iniciar os procedimentos para avançar com a sua insolvência. Elas ganham especial importância dado que vêm da mesma pessoa que tratou da insolvência da Enron, a gigante energética que no início do milénio foi ao fundo, depois de se saber que andava a esconder milhares de milhões de dólares em dívidas.No caso da FTX, a empresa criada por Sam Bankman-Fried viu a sua operação ser desmascarada na semana passada, onde vieram ao olho público não só uma série de fraudes e maus atores na forma como utilizava os fundos dos utilizadores da sua plataforma de transação de criptomoedas, mas também uma conjunto de abusos de confiança naquilo que eram os seus parceiros institucionais, desde investidores a parceiros comerciais.Os documentos fornecidos pela empresa no âmbito do “Chapter 11”, lei sob o qual empresas declaram insolvência nos EUA, revelaram os primeiros dados sobre aquilo que a FTX estava a fazer de errado. Estes são alguns dos highlights:

  • A estrutura corporativa da FTX é um caos entre as +100 subsidiárias, a forma como se relacionavam e quem era responsável pelas mesmas.

  • Não há uma consolidação dos depósitos dos utilizadores de forma a que se possa perceber fragilidades financeiras da empresa.

  • As divisões de trading (Alameda Research) e de investimento (FTX Ventures) não têm qualquer tipo de registo de transações atualizado e vão ter de ser desenvolvidos de raíz.

  • Existem 5.5 mil milhões de dólares registados como ativos da FTX Internacional que atualmente estão avaliados em 656 mil dólares (pouco mais de 0.1% do reportado).

  • Deve cerca de 3.1 mil milhões de dólares aos seus 50 maiores credores, sendo que ao maior “lesado” é devido cerca de 226 milhões de dólares.

  • Um dos auditores da FTX até ao momento era uma empresa chamada Pragar Metis, conhecida por ser a primeira a ter um escritório no metaverso.

Mão humana e perigos de contágioNos últimos dias, muitas têm sido as comparações feitas com o caso da FTX e com outros que têm surgido na criptoeconomia em 2022. O errático fator humano da bolha “dotcom” do início de 2000 e da crise sub-prime provocada pelo banco Lehman Brothers, que mudaram o panorama económico e empresarial, está todo lá, mas há uma coisa diferente: uma plataforma de regulação clara que permitia julgar de alguma forma os maus atores e encontrar compensações para os prejudicados. Por isso, nas próximas semanas existem 4 coisas para as quais vamos estar a olhar:

  1. Na política. O último ano de Bankman-Fried tinha sido a desenvolver relações valiosas com o status quo. Era um dos principais doadores de Joe Biden, era keynote speaker nos principais eventos de web3, reunia-se regularmente com membros do Congresso americano para o desenvolvimento de propostas para regulação cripto, sinalizando que as criptomoedas estavam finalmente prontas para ser mainstream. E todo esse trabalho (e doações) será provavelmente revisto.

  2. Na indústria. Há um medo claro da continuação do contágio e naquilo que é a perda de confiança originada por casos como este. Se todos os utilizadores começarem a desinvestir nas criptomoedas, estas poderão desvalorizar para níveis que levam mais exchanges e até outras empresas descentralizadas a enfrentar problemas de liquidez e a ter de tomar medidas mais drásticas. 

  3. No investimento. Depois de um período em que houve muito dinheiro a entrar em várias empresas, de uma forma nem sempre o mais rigorosa possível, a maior parte dos VCs vai reforçar a sua “due diligence” para mitigar ao máximo o risco de acontecer outra FTX. Por exemplo, a Sequioa Capital já assumiu a perda completa do investimento de mais de 210 milhões de dólares na empresa americana.

  4. No mundo. Empresas do setor e partes interessadas terão um papel importante na explicação de que estas fraudes sucessivas não são necessariamente um problema da tecnologia blockchain e das criptomoedas, mas sim das pessoas por detrás da sua criação e comercialização como em qualquer outro negócio. A reputação e crescimento da web3 vão depender disso.

Há mais: Os documentos entregues pela FTX também revelam que nem todas as suas subsidiárias eram um buraco financeiro e que muitas tinham uma gestão responsável e um conjunto de ativos muito valioso, por isso vai ser interessante perceber, primeiro, quem poderá receber o dinheiro de volta e se, à medida que mais factos forem descobertos, Sam Bankman-Fried poderá enfentar acusação por algum tipo de crime.

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The Next Big Idea apresenta...

Série especial "Únicos" | EP #8 

Humberto Ayres Pereira sabe que destronar o Excel e a Google Sheets é uma missão ambiciosa, mas diz que também foi isso que o fez convencer investidores, apesar de ter recebido muitos nãos primeiro. Com um percurso de relevo por várias startups, o co-fundador da Rows conta a história da sua empresa e partilha o que é necessário para uma startup levantar investimento.A série especial “Únicos” é um projeto realizado em parceria com a Google e a Shilling, que tem por missão democratizar o acesso à história e à estratégia das melhores startups portuguesas que se tornaram empresas globais na última década.

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No nosso site  👀

A Demium, empresa espanhola de investimento, anunciou esta semana que redefiniu a estrutura do seu Programa de Aceleração. A sua missão permanece inalterada, mas a forma como vai apoiar as startups vai mudar. Planos da empresa espanhola passam por investir e apostar em 10 a 12 startups por ano.Sword Health lança solução de “movement health”A Sword Health anunciou esta quinta-feira o lançamento da Sword Move, uma nova solução de ‘movement health’, que utiliza tecnologia para escalar a experiência humana dos Personal Trainers. A ideia passa por pôr as pessoas a mexer à distância e ao seu ritmo, mas com a supervisão de profissionais credenciados. 

Alguém utiliza a sua conta da Netflix e não deve? Já pode expulsá-loA Netflix anunciou esta terça-feira que lançou a nível mundial uma nova funcionalidade que permite ver todos os dispositivos utilizados recentemente na sua conta.

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It's OK to not be OK - Podcast

 "Salta-se de reunião em reunião e não se tomam decisões"

Diogo Romão é partner da Monday, uma empresa que ajuda outras empresas a ter melhores rotinas de trabalho e a pensar os produtos que oferecem aos clientes. E, com este descritivo, esta conversa tinha que falar obrigatoriamente desse tema fraturante que é o número de reuniões que fazemos nas empresas onde trabalhamos.Sobre o futuro do trabalho, Diogo Romão diz que a única certeza que tem é que “nunca mais será igual ao que era”. E acredita que uma palavra é essencial: “o equilíbrio da vida no seu todo é fundamental, o trabalho é uma parte, mas há muitas outras partes”.

  • Também pode ouvir os restantes episódios neste link.

It’s Ok To Not Be Ok” é uma série produzida em parceria pela MadreMedia e o LACS, onde se fala da saúde mental e do bem-estar no contexto da nossa vida profissional e do que as empresas podem fazer para promover formas que permitam viver e trabalhar melhor.

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Vi algures na Internet  💻

Disney. Depois de quase três anos, Bob Iger está de regresso à liderança da empresa, substituindo com efeito imediato o executivo que o tinha subsituido, Bob Chapek. Por detrás da decisão estão os resultados financeiros abaixo do esperado, que levaram a que a empresa tenha perdido 41% do seu valor em bolsa em 2022. Iger esteve à frente da empresa durante 15 anos e foi responsável pela aquisição de “marcas” como a Marvel, a LucasFilm e a Pixar (TechCrunch)Elizabeth Holmes. A fundadora da Theranos foi condenada a 11 anos na prisão, no seguimento do julgamento por fraude, na qual enganou investidores e pacientes sobre as capacidades de um dispositivo que, com apenas uma gota de sangue, não realizava os testes que afirmava fazer. A Theranos chegou a estar avaliada em +10 mil milhões de dólares e Holmes chegou a ser comparada a Steve Jobs. A história está disponível em maior detalhe na série da Disney+ “The Dropout” (The Verge)Taylor Swift. Tem uma das tours mais aguardadas dos últimos anos e não começou da melhor forma, pelo menos da perspetiva dos milhões de fãs que esperavam conseguir o seu bilhete. Durante a pré-venda para a “Eras Tour”, a plataforma Ticketmaster teve uma série de problemas por enfrentar uma procura (14 milhões de pessoas) como nunca tinha experenciado. Agora, a venda propriamente dita foi cancelada e distribuem-se culpas: Swift? Ticketmaster? Fãs que especulam com o preço dos bilhetes? (Bloomberg)Twitter. Têm sido tempos interessantes, no mínimo, para a rede social sob a liderança de Elon Musk. O episódio mais recente é a reativação da conta de Donald Trump, que tinha sido bloqueada desde os ataques ao Capitólio em 2020 (The Verge)Starbucks. Num dos dias mais concorridos do ano, o Red Cup Day, um dia em que a empresa distribui um copo reutilizável, milhares de empregados decidiram sair à rua para organizar a maior greve de sempre na empresa (NPR)

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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes

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