
10 de outubro de 2022
Pode uma marca jovem de água ser considerada uma startup, apesar do seu rápido crescimento? Nesta edição da newsletter contamos a história da Liquid Death, a empresa americana que viu a sua valorização subir para 700 milhões de dólares com uma gama de produtos que consistem em água em latas. Ou será mais do que isso?Obrigado por nos lerem, Miguel Magalhães
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Long Stories Short

Esta água vale 700 milhões de dólares
“Somos apenas uma empresa de água engraçada, que odeia marketing corporativo como tu. A nossa missão maléfica é fazer as pessoas rir e fazer com que cada uma delas beba água mais regularmente, ao mesmo tempo que reduzimos a poluição de plástico”.É esta a breve apresentação que a Liquid Death dispõe no seu site, para quem quiser saber mais sobre a empresa. Criada em 2019, na Califórnia, o propósito da marca era bastante simples: hoje em dia, se beber água é muito menos cool do que beber uma cerveja ou uma bebida energética, como é que podemos mudar isso?E tudo começou pelo branding. Por norma, estamos habituados a beber água em garrafas de plástico transparentes que, na maior parte dos casos, não têm nada que as destaque seja pelo seu nome, seja pelo design pouco memorável. Foi isto Mike Cessario, CEO da Liquid Death, decidiu mudar, pegando precisamente no livro de estratégias de bebidas mais populares. Além do nome radical (morte líquida, em português) que facilmente fica na memória, a embalagem da Liquid Death pode facilmente ser confundida com qualquer bebida energética ou cerveja.
Em lata e com um logo que podia pertencer a uma banda de heavy metal, a marca não demorou muito tempo a ganhar vários fãs que procuravam uma maneira divertida de consumir bebidas não alcoólicas ou sem uma componente forte de cafeína.
Para uma empresa que odeia marketing, é uma jogada de marketing genial, não é? Nos últimos três anos, além da forte mensagem ambiental, a Liquid Death foi fazendo uma série de outras jogadas, desde parcerias com celebridades a criar uma série de categorias de merchandise, que não só fortaleceram a relação da marca com os seus fãs, como a tornaram numa autêntica rockstar.
Há t-shirts, há figuras colecionáveis, há clubes exclusivos, há vinis com músicas de heavy metal, há parcerias com séries como “The Boys”, entre muitas outras coisas.
Há slogans incríveis como “Murder your thirst” (será que o nosso “matar a sede” foi uma inspiração?) e “Don’t be scared. It’s just water” (Não tenhas medo, é só água).
Há redes sociais com conteúdo de qualidade e com uma legião gigante de fãs, com destaque para os 2.9 milhões no TikTok e os 1.3 milhões no Instagram.
Matar a sede é um negócio
“Se não quiseres beber, assim é mais divertido”, diz Cessario, que viu a sua empresa ser avaliada em 700 milhões de dólares na mais recente ronda de financiamento. De acordo com a Bloomberg, a Liquid Death está a caminho de 130 milhões de dólares em receitas, em 2022, um valor que é quase 3 vezes superior ao registado em 2021 (45 milhões de dólares).A Liquid Death pode ser encontrada em várias lojas espalhadas pelos EUA, na sua loja online e em várias bancas de concertos. Aliás, a componente de eventos foi precisamente um dos elementos vencedores da estratégia da marca, que levou a que muito mais pessoas se sentissem mais confortáveis em beber água e a não escolher outro tipo de bebida mais social. Para isto, também contribuiu a aposta da empresa californiana em produtos de água com sabor igualmente radicais como o Mango Chainsaw (manga) ou Berry It Alive (framboesa).A nova ronda de financiamento de 70 milhões de dólares é a segunda de 2022 (a Liquid Death já totaliza 195 milhões em investimento) e foi liderada pelo fundo Science Ventures e curiosamente por dois nomes conhecidos da indústria musical: a Live Nation, a maior empresa de organização de eventos do mundo, e a banda Swedish House Mafia, autora de hits como “Don’t You Worry Child” e “Hey Brother”.
Os próximos passos de Mike Cessario são a aposta em novos produtos e a entrada nos mercados europeus, num esforço para transformar a marca de um sucesso americano para um fenómeno global. Se tudo correr bem, daqui a dois anos talvez uma IPO possa acontecer.
Ainda é apenas o início
Pode uma marca de água ser considerada uma startup? É uma das críticas que tem sido feita nos EUA, dada a natureza “simples” da Liquid Death. Se há uma componente tecnológica forte? Não. Se há um crescimento acelerado e resultados muito animadores? Sim. Por isso, para já, nenhum dos investidores da marca tem razões para não estar satisfeito.
Então, e os grandes rivais corporativos? Se nos EUA, a empresa conseguiu ultrapassar uma série de adversidades, na Europa vai enfrentá-las novamente. Há uma série de players bem estabelecidos, mas exatamente a mesma oportunidade de comunicar uma marca de água de forma diferenciadora. Cessario acredita ter as ferramentas para criar maior “brand loyalty” do que as marcas mais típicas. Vamos ver como corre.
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The Next Big Idea apresenta...

Série especial "Únicos" | EP #2 Há mais de 10 anos, Ricardo Marvão foi um dos cofundadores da Beta-i, a aceleradora de startups que desempenhou um papel importante no desenvolvimento de um ecossistema de inovação em Portugal. Neste episódio, fomos conhecer um pouco melhor a sua história.E porque hoje é dia da saúde mental, fica a recomendação que deixa aos empreendedores: “Há cinco coisas que precisam garantir. Comer bem, dormir bem, fazer desporto, estarem próximos das pessoas que amam e fazerem algo que os apaixone. Se falhar uma destas coisas, ainda estão ok, mas se só assegurarem três, aí já não”.A série especial "Únicos" é num projeto realizado em parceria com a Google e a Shilling e que tem por missão democratizar o acesso à história e à estratégia das melhores startups portuguesas que se tornaram empresas globais na última década.
Veja aqui o episódio #2 da série especial “Únicos” com Ricardo Marvão.
Acompanhe os conteúdos extra da série especial “Únicos” no canal de YouTube do The Next Big Idea.
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1 episódio no The Next Big Idea.
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Vi algures no nosso site 👀
O metaverso de Mark Zuckerberg ainda está pouco meta?A “Horizon Worlds”, a principal aplicação “metaverso” da empresa, está atualmente a sofrer de demasiados problemas de qualidade e mesmo a equipa responsável pelo desenvolvimento parece desligada da sua criação.Metaverso vai melhorar ligações humanas? Há quem acredite que simUm novo inquérito da Talkdesk sugere que há quem acredite que o metaverso vai tornar as ligações humanas mais fortes — e ao mesmo tempo facilitar a relação com as marcas.
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Vi algures na Internet 💻
AI + Música. Como é que os novos sistemas de inteligência artificial poderão influencer a produção musical do futuro? (TechCrunch)Arábia Saudita. O governo do país anunciou que ia investir 37 mil milhões de dólares na indústria do gaming (Axios)Por falar em gaming… cada vez mais publishers tão a apostar na comunicação em jogos mobile (Marketing Brew)MBAs. Cada vez menos pessoas estão a candidatar-se aos programas executivos de gestão e isso não é um bom sinal para as universidades de topo (The Wall Street Journal)Economia. A maior parte dos CEOs das principais empresas americanas acredita que uma recessão económica está a caminho (CNN)Economia Parte 2. O Crédit Suisse apresentou níveis de liquidez que levaram alguns mercados a temer que pudesse estar a enfrentar uma situação semelhante ao Lehman Brothers em 2008 (CNBC)Twitter & Musk. Para evitar ter que ir a julgamento, o dono da Tesla tem de comprar a rede social até dia 28 de outubro. (CNBC) Google. A Big Tech anunciou uma série de novidade no seu evento da semana passada (The Verge)Recorde. Um diamante rosa foi vendido por 49.9 milhões de dólares num leilão em Hong Kong (Associated Press)Investimento. O terceiro trimestre de 2022 confirmou que o mercado de venture capital está mesmo a arrefecer (Crunchbase)Freevee. A Amazon tem duplicado o conteúdo original destinado à sua aplicação mobile de streaming (não está disponível em Portugal) — que, apesar da saturação do mercado, tem crescido. (Protocol) Binance pirateada. A exchange de criptomoedas suspendeu temporariamente a sua rede de blockchain na sexta-feira depois de hackers terem tido acesso ao equivalente a 570 milhões de dólares da sua moeda digital, a BNB. (CNBC)EUA & EU. Joe Biden assinou uma nova ordem executiva para implementar um novo framework que garanta a segurança dos dados pessoais durante a partilha de informação entre os Estados Unidos e a União Europeia. (Reuters)
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Ficha TécnicaPRODUÇÃO MADREMEDIANewsletter escrita por: Miguel Magalhães, Abílio dos ReisEdição:Rute Sousa Vasco, Miguel MagalhãesRevisão:Abílio dos ReisIlustrações:Rodrigo Mendes, Diogo Gomes








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