11 de janeiro de 2021  

Antonio Câmara, fundador da Ydreams, foi nosso convidado no programa desta semana do The Next Big Idea (a entrevista completa estará disponível em breve no nosso canal de YouTube). O professor, cientista e empresário está prestes a lançar um novo projeto assente numa das tecnologias que acredita que marcará o nosso futuro, o hiper local. Não se sente injustiçado, mesmo tendo visto falhar duas vendas decisivas no último minuto, e, recorda, que há 10 anos, a Ydreams era a empresa de realidade aumentada mais valiosa do mundo. Conta como está a seguir em frente e garante: “nunca tive pena de mim próprio”. Falarmos de gaming nesta edição e de como se tornou a maior indústria de entretenimento digital é, a par com está entrevista, uma feliz coincidência. Rute Sousa Vasco

Long Stories Short

 O maior rival da Netflix 

Em 2019, Reed Hastings, CEO da Netflix, revelou numa entrevista que considerava a indústria de gaming o seu principal adversário. Sim, o Disney+ cresceu rapidamente para mais de 80 milhões de subscritores. Contudo os números mostram que Hastings tinha e continua a ter razão. O crescimento do gaming em 2020 Como em todos os negócios, a pandemia teve um efeito significativo na indústria dos videojogos. Se, por um lado, o confinamento e o medo de contrair o vírus significaram menos pessoas a ir comer pipocas a salas de cinema, por outro levou a que cada vez mais pessoas escolhessem os videojogos como meio de entretenimento. De acordo com dados do IDC – International Data Corporation, em 2020, as receitas globais dos videojogos cresceram cerca de 20% aproximando-se dos 180 mil milhões de dólares. Este valor já é quase o dobro daquele registado por toda a indústria do cinema e do streaming juntas em 2020. Neste crescimento inclui-se:- Os jogos mobile (em tablets e smartphones), que representam 49% do mercado e cresceram 24%, nomeadamente no mercado chinês que domina este segmento.- As consolas (29% do mercado), onde as vendas subiram também perto de 20%, depois do lançamento quase em simultâneo da Playstation 5 e da Xbox Series X, em novembro, e com o sucesso da Nintendo Switch.- Os jogos de computador, com 22% do mercado, subiram “só” 11%, provavelmente porque não queríamos desgastar muito os computadores depois de horas de videochamadas Zoom.

  • Não só em $$ mais também em horas: um relatório da NPD, uma empresa de analytics americana, revelou-se que em 2020, nos EUA, o tempo total passado em videojogos aumentou 26%, valor semelhante para as diferentes plataformas.

  • Fun Fact: o mesmo estudo afirma também que o crescimento mais significativo deu-se na faixa 45-54 anos, onde se observou uma subida de 59% no tempo passado a jogar e 76% no dinheiro que saiu da carteira em direção aos videojogos.

  • Qual o jogo mais jogado do ano? Não só do ano, mas de sempre, em novembro, "Among Us" bateu recordes ao ter mais de 500 milhões de jogadores mensais ativos.

 A receita para o sucesso O gaming sofreu uma viragem cultural que lhe permite ser hoje o meio de media mais adaptado às necessidades dos consumidores:

  • Personalização: oferece uma diversidade e quantidade de soluções customizadas às preferências de cada jogador. Seja pelo tipo de jogo, seja por onde o decidimos jogar, existe algo para todos os gostos.

  • Interação: quando acabamos os episódios de uma série em poucos dias, a nossa ligação à mesma termina, a não ser que a queiramos rever. Muitos videojogos, pela forma como são desenhados, permitem, além de uma intervenção no rumo da história, que a sua experiência seja infinita e que nunca haja um "fim". Por outro lado, as horas que utilizadores gastam no YouTube e na Twitch a observar pessoas a jogar os seus jogos favoritos também contribuem para que estes sejam “consumidos” por mais tempo. Mais horas no mesmo “produto” significam mais atenção ganha e roubada às plataformas de streaming. E como se sabe: tempo é dinheiro.

  • Socialização: especialmente durante a pandemia, jogar videojogos tornou-se na forma de podermos fazer algo em conjunto com os nossos amigos e família. Vários foram os casos de serões, casamentos, concertos ou festas de graduação feitas através de jogos online, como foi o exemplo do “Animal Crossing: New Horizons”, da Nintendo.

  • Inovação:  o mercado está cada vez mais competitivo, o que traz a necessidade de ofertas cada vez mais diferenciadoras. É no gaming que tecnologias como a realidade virtual, a realidade aumentada e a inteligência artificial já estão a conseguir aplicações efetivas na experiência do utilizador.

 Quem mais beneficiou com este crescimento?

  • As grandes tecnológicas: a Apple e a Google, pela fatia que tiram das vendas das game-apps presentes nos seus ecossistemas; a Microsoft, a Sony ou a Nintendo, pelo número de consolas e acessórios que venderam no mundo inteiro.

  • As produtoras de jogos: em 2020, empresas como a Electronic Arts (responsável por jogos como o FIFA) ou a Activision Blizzard (Candy Crush e Call of Duty), cresceram a sua valorização em 30% e 49%, respetivamente. 

  • Os softwares criativos: empresas como a Roblox, a Unity, o Minecraft (detido pela Microsoft) e a Epic Games (também autora do fenómeno Fortnite) tornaram-se os locais onde muitos gamers passam mais tempo não só a desenvolver os seus próprios mundos virtuais, mas também a jogar as diversas criações disponíveis da autoria de outros.

Qual o futuro dos videojogos? Os líderes da indústria respondem, neste artigo da IGN.

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Vi algures na Internet

 Ano Novo, cara Nova 

Com a passagem de um ano estranho para outro ano igualmente estranho, houve algumas marcas e instituições que decidiram criar uma nova imagem. Ora, vamos espreitar alguns exemplos de rebrandings do início deste ano:

  • Burger King: a marca mudou o logo e adotou um visual meio retro a partir deste ano. Esta é a maior mudança de design da empresa dos últimos 20 anos. Este artigo da Fast Company mostra o novo visual cadeia de fast-food.

  • KIA: a companhia de automóveis sul-coreana revelou ao mundo o seu novo logo através de um espetáculo digno de Passagem de Ano. Foi numa exibição com 300 drones e muito fogo de artifício que a marca exibiu a nova imagem. Espreite aqui o vídeo.

  • CIA: Sim, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos também tem direito a uma extreme makeover. O símbolo de fundo azul com uma águia foi substituído por um logotipo negro preenchido com linhas brancas luminosas que criam a ilusão de relevo. O website foi remodelado na mesma linha. O objetivo é atrair trabalhadores mais diversos para trabalhar neste serviço do Governo norte-americano. No entanto, esta nova imagem não teve a melhor receção. Este artigo da Fast Company afirma que o novo visual da CIA mais parece uma "reminiscência dos Joy Division dos anos 70" e mostra algumas críticas feitas no Twitter. A Internet não perdoa mesmo.

 Um faroleiro papa-filmes 

Com restrições aos ajuntamentos e a cultura em suspenso, o Festival de Cinema de Gotemburgo arranjou uma solução original para celebrar a arte e o cinema sem, de facto, realizar o festival. O evento sueco vai acompanhar um felizardo (ou apenas corajoso), que vai ficar isolado num farol na ilha de Pater Noster, no Mar do Norte, a assistir aos filmes do festival em modo non-stop. Veja o vídeo de promoção da experiência aqui.Além da sessão de cinema solitária no farol de Pater Noster (em português Pai Nosso), haverá ainda dois cinéfilos que terão o privilégio de ver filmes em locais emblemáticos da Suécia. O filme "Arena Deserta" dá luz, precisamente, a uma das arenas de hóquei mais populares da Europa - a Scandinavium. Já o filme "Sala Vazia", curiosamente, passará no Draken Cinema, uma sala histórica onde acontecem normalmente as pré-estreias de filmes.O Diretor Artístico do festivel, Jonas Holmberg, explicou que esta foi uma forma de tornar as restrições associadas à COVID-19 numa "experiência existencial". Dostoevsky estaria orgulhoso…

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The Next Big Idea apresenta...

 D'A Tarte para O Gelado 

Nunca foram uma startup, mas são um exemplo de inovação. A Tarte, como foi batizada, nasceu na cozinha do Vasco Valença de Sousa. Hoje é produzida numa fábrica de onde saem cerca de 50 mil tartes por ano.  Há 9 anos, dois amigos decidiram pegar numa receita tradicional e torná-la num produto moderno com o sabor de sempre. Nasceu assim A Tarte que foi, então, a primeira ideia que contamos na estreia do The Next Big Idea. O Vasco Valença de Sousa e a Catarina Noronha contaram-nos como foi esta travessia de quase uma década e como se propõem entrar num novo mercado: o dos gelados. Agora com O Gelado querem conseguir aquilo a que nos habituaram – um produto com sabores inesquecíveis que não se encontram em mais nenhum lado.

  • Saiba mais sobre O Gelado em ogelado.pt

  • Veja o teaser do último episódio aqui.

  • Onde ver o programa: todos os sábados às 9h45 e todos os domingos às 16h45, na SIC Notícias.

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Adicionar ao Cofre

 A pessoa mais rica do mundo é... 

É oficial: Elon Musk é o homem mais rico do mundo. O fundador da Tesla ultrapassou o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e o pódio dos cofres mais cheios deste planeta tem agora Musk em primeiro lugar, Jeff em segundo e Bill Gates (que Musk ultrapassou em novembro) em terceiro. Entre estas medalhas de ouro, prata e bronze, afinal o ouro é de todos e, mais milhão, menos milhão, parece que ninguém fica mal servido.

  • Mas…como? De acordo com o The Guardian, a vitória do Partido Democrata nas últimas eleições dos Estados Unidos fez disparar as ações da Tesla, com um aumento de 4,8%...  Este é o poder de uma agenda política mais verde.

  • É sempre a subiiiir! O preço das ações da Telsa aumentou sete vezes este ano. Tudo por causa de medidas mais amigas do ambiente que foram sendo anunciadas pelos governos mundiais. A companhia vale agora mais de 700 mil milhões de dólares (cerca de 573 mil milhões de euros). Ou seja a Tesla vale mais do que a Toyota, a Volkswagen, a Hyundai, a GM e a Ford…juntas.

  • Mas, afinal, quanto vale a fortuna de Musk? Alguma coisa. O património líquido do empresário de 49 anos ronda os 186 mil milhões de dólares (cerca de 152 mil milhões de euros).

  • O que é que o homem mais rico do mundo pensa sobre o homem mais rico do mundo? No caso de Musk, houve dois tweets. Um dizia "Que estranho…" e outro dizia "Bem, de volta ao trabalho…".

  • É tudo uma feira de vaidades! Nesta base de dados da Bloomberg pode consultar a concorrência direta de Musk, que é como quem diz a lista e os perfis das 500 pessoas mais ricas do mundo.

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Projetos que ficaram debaixo de olho esta semana 🤩

  • Não é um ponto de vista, é uma vista sobre todos os pontos. É assim que funciona a app MixCam, que permite filmar e fotografar com a câmara frontal e traseira ao mesmo tempo. A aplicação, que já está disponível para IOS (iPhone), é uma boa maneira de, por exemplo, gravar vídeos de acontecimentos e da reação aos mesmos em simultâneo.

  • Uma prateleira de ténis infinita. Quem adora estrear um novo par de ténis antes de os comprar? A app Wanna Kicks é uma plataforma com ténis de todas as marcas onde é possível selecionar o modelo e ver como ficam no nosso pé. Uma solução inteligente antes de comprar ou, simplesmente, uma diversão para os apaixonados por este tipo de calçado.

  • Um lugar ao sol (para o comando da TV…). Para evitar o desperdício de plástico e o gasto de pilhas, a Samsung desenhou um comando de televisão que carrega com a luz solar. E não, se usar este comando não tem de o meter diariamente no parapeito da janela. Tal como explica o The Verge, esta tecnologia foi pensada para durar sete anos sem ser carregada de novo (a longevidade média de uma TV). 

É só mais 1 minuto ⌛

  • Mais versão online: o CES é o maior evento de produtos eletrónicos do mundo e, tal como muitas ocasiões que reúnem milhares de pessoas todos os anos, também teve de se adaptar ao mundo em que agora vivemos. Entre hoje e quinta-feira, a maiores empresas tecnológicas do mundo vão ter a oportunidade de apresentar as suas novas criações pela primeira vez. Participe no CES aqui.

  • Um precedente perigoso: a semana passada foi marcada pela invasão do Capitólio por parte de apoiantes de Trump, que levou à vandalização do coração da democracia americana. O papel que o Presidente americano poderá ter tido na incitação deste incidente levou a que todas as plataformas de social media fizessem um boicote coletivo às suas contas, umas com suspensão temporária e outras de forma permanente. Os perigos desta decisão foi o tema deste artigo do The New York Times.  

  • Wall Street bem explicada: Para quem gosta de estar a par do mundo das finanças e dos investimentos, a newsletter “Money Stuff” da Bloomberg é uma forma de ter as coisas explicadas de forma percetível e fácil de entender.

Dois dedos de conversa

  • Esta newsletter é produzida pela MadreMedia e reúne histórias do admirável mundo da inovação e das empresas, por isso andamos sempre à procura de novas ideias e de novos projetos que valha a pena dar o devido destaque. Às segundas-feiras na sua caixa de email.

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