1 de outubro, 2026

Bom dia! Tens planos para este fim de semana? Vai estrear o primeiro episódio da nova temporada de The Next Big Idea, na SIC Notícias, com exibições no sábado, às 16h40, e no domingo, às 11h40. Sem grandes spoilers, vamos à Madeira, onde o eGames Lab está a construir um programa dedicado a colocar Portugal no mapa mundial do gaming e da gamificação. É o primeiro de 16 episódios em que vamos percorrer o país em busca das ideias, projetos e pessoas que estão a transformar setores inteiros. Vemo-nos na Madeira?

- Gabriel Lagoa

_IN THE HUB: BRASIL

Felipe Duarte e Nicholas Rodrigues, fundadores do Trilha.

Como dois estudantes da UFPB criaram uma ponte para Silicon Valley

Para chegar a Silicon Valley, talvez o primeiro passo não tenha de ser dado nem na Califórnia nem na Faria Lima, em São Paulo. A cerca de 2600 quilómetros do principal centro financeiro do Brasil, dois estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) criaram um programa gratuito de mentoria que já ligou mais de 100 jovens do Nordeste a profissionais de empresas como a Amazon, a Google, a Meta e a Uber, além de fundadores de startups do ecossistema tecnológico norte-americano.

O Trilha nasceu numa sala de aula emprestada e, segundo os seus fundadores, é hoje tão procurado que cerca de 93% dos novos alunos dos cursos de tecnologia da UFPB tentam entrar no programa. A capacidade atual, no entanto, permite acolher apenas entre 15 e 20 alunos por turma.

A iniciativa nasceu oficialmente em julho de 2024, mas a sua semente foi plantada dois anos antes, quando Nicholas Rodrigues e Felipe Duarte entraram na UFPB, em agosto de 2022. Em entrevista ao Startups, Felipe conta que chegou a escolher o curso de Ciência da Computação por receio de não conseguir sustentar-se com outra opção. Queria estudar psicologia, mas o medo acabou por pesar na decisão da família.

A ler também:

  • Bloqueada pela Strava, a Zyla torna-se rival com foco nos clubes de corrida. A Plataforma quer chegar a 1 milhão de atletas até o fim de 2026 e tem planos para a internacionalização em 2027, através de uma parceria com o Wellhub.

  • Num acqui-hire, a Strattum adquire a Tropicalia, que encerra atividade. O negócio integra os fundadores da Tropicalia na equipa da Strattum, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento da sua camada de contexto e inteligência empresarial.

  • Deeptech Doroth capta 23 milhões de reais em ronda liderada pela Loccus. Os fundos serão destinados à expansão da startup e à construção da primeira unidade industrial de chips microfluídicos da América Latina.

  • Gabriel atinge o breakeven e expande presença para 45 cidades. O modelo de subscrição recorrente permite à startup de segurança privada reinvestir o dinheiro gerado na expansão geográfica e no desenvolvimento de novos produtos.

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_LONG STORIES SHORT

Ser CFO em tempos de IA ainda é a mesma coisa?

Quase três quartos dos diretores financeiros dizem que o seu papel se expandiu no último ano. Qual a principal razão? A gestão da inteligência artificial nas respetivas organizações, segundo um relatório da Salesforce baseado em 865 líderes financeiros em três continentes.

O estudo indica uma mudança: as equipas financeiras já não se limitam a reportar resultados, passando cada vez mais a ter voz na forma como a IA é adotada, onde gera valor e como esse valor é medido.

  • Metade dos inquiridos afirma hoje desempenhar um papel decisivo na definição da estratégia de IA das suas empresas.

A complexidade crescente das receitas agrava o cenário: 71% vendem através de mais canais do que há 12 meses e 65% gerem múltiplos modelos de receita em simultâneo. Cerca de 67% das equipas continuam ainda a executar manualmente pelo menos um em cada cinco processos.

Entre quem já usa IA, os resultados são positivos: 90% reporta retorno positivo sobre o investimento. Os principais obstáculos à adoção mais alargada são a segurança (46%), a governação e a integração com sistemas existentes (42% cada).

“Ainda se enviam PDFs por email no século XXI”. Um antigo concierge quer resolver os pequenos problemas dos hotéis

Em 2025, o alojamento turístico em Portugal recebeu 32,5 milhões de hóspedes e registou 82,1 milhões de dormidas, segundo o INE. São, respetivamente, mais 3% e 2,2% do que no ano anterior.

Por trás de cada estadia circulam reservas, confirmações, pedidos de orçamento e documentos entre clientes, hotéis e agências, muitas vezes espalhados por emails e anexos. É nesse bastidor, bem menos visível do que as estatísticas, que uma nova empresa portuguesa, a Aplicora, quer mexer.

A ideia não é competir com os grandes sistemas de gestão hoteleira, mas pôr-lhes ao lado ferramentas para problemas do dia a dia. “Não é fácil implementar software com dimensão. Porque não ter, para cada departamento, uma pequena solução que ataque aquele problema e melhore a vida dos clientes e de quem trabalha?”, diz Pedro Esteves, cofundador da marca.

Para já, a Aplicora tem:

  • Aplicora Wallet: junta bilhetes, reservas e vouchers num link que, depois do primeiro acesso, funciona sem internet;

  • Aplicora Lead: o cliente desenha o seu evento empresarial e fica logo com um preço aproximado, enquanto o comercial do hotel sabe que pedidos tratar primeiro;

  • Aplicora Intelligence: feita por medida, analisa o tom dos comentários online aos hotéis concorrentes, ou seja, do que os clientes gostam e do que se queixam;

Mas, ao automatizar uma parte do trabalho de uma equipa comercial de um hotel, não se corre o risco de eliminar postos de trabalho? Pedro Esteves recusa a leitura: “Vamos pegar no pessoal que temos e fazer com que consiga vender mais”. E a ambição é contida: “Não contamos fazer uma gigante transformação, mas pequenas transformações em coisas pequenas”.

Entre prejuízos e avisos, o que sabemos sobre a IPO da Anthropic?

Cinco anos depois de ter sido fundada por investigadores que saíram da OpenAI por divergências sobre governação e segurança, a Anthropic prepara-se para entrar em bolsa. Poderá ser a IPO mais valiosa de sempre e um teste ao apetite do mercado pela IA, numa corrida em que a OpenAI já apresentou, em junho, um pedido confidencial. O prospeto da operação ainda não foi divulgado ao público, mas já foi visto pela Reuters e pelo Financial Times. O que diz?

Os números, mostram uma empresa a crescer a grande velocidade, mas que fechou 2025 com largas perdas. Faturou quase 4,6 mil milhões de dólares, 12 vezes mais do que no ano anterior. Só que gastou quase 13 mil milhões a funcionar, mais de metade em poder de computação. O prejuízo final foi de cerca de 42 mil milhões, mas a maior parte, 34 mil milhões, é um efeito contabilístico e não dinheiro que saiu da conta.

Para o futuro, a fatura é elevada: a empresa prevê gastar 518 mil milhões de dólares nos próximos anos em computação e infraestrutura. Os resultados já estão à vista: só no segundo trimestre, a receita foi de 11,5 mil milhões de dólares.

O documento dedica quase um terço do texto aos riscos. Admite que os modelos de IA podem manipular ou agir de forma imprevisível e fala em "riscos existenciais para a humanidade". Há ainda um risco mais terra a terra: quase um quarto da receita veio de dois clientes.

Com entrada em bolsa, espera-se ainda uma avaliação acima dos 2 biliões (trillion, em inglês) de dólares, mais do dobro da avaliação de maio. A estreia deverá acontecer depois das eleições norte-americanas de novembro (as midterms).

👉 Desafio: esta imagem foi gerada com IA?

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“Há uma pergunta aparentemente simples que o SIADAP torna surpreendentemente difícil: se eu sou um trabalhador muito bom, porque é que a Administração Pública pode considerar que sou apenas bom? Uma avaliação de desempenho deveria fazer exatamente aquilo que o nome promete. Avaliar o trabalho realizado.”

Gonçalo Vieira, trabalhador da administração pública

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_VI ALGURES NA INTERNET

Inteligência artificial. A OpenAI decidiu não lançar o novo modelo de IA, o GPT-6.1, por considerar que este não cumpre com os critérios de segurança da empresa.

Inovação. O programa Horizonte Europa vai receber um reforço de 500 milhões de euros, que inclui dois novos concursos, para financiar investigação ligada à biodiversidade, IA tecnologias avançadas e qualificação de trabalhadores.

Empresas. A Lince Capital anunciou um investimento de dois milhões de euros na Erakulis, uma plataforma portuguesa de saúde e bem-estar de que Cristiano Ronaldo é acionista.

Inteligência Artificial. Cerca de 20 líderes da indústria tecnológica firmaram um acordo voluntário para autorregular o setor da IA, num encontro promovido por Donald Trump.

Tecnologia. Apple foi condenada a pagar 5,7 mil milhões de dólares por violação de duas patentes relacionadas com o sistema de vibração utilizado nos modelos de iPhone e Apple Watch. 

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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Inês de Almeida Fernandes

The Next Big Idea, 2026

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