6 de agosto, 2026

Bom dia! O verão traz praia, piscina e protetor solar, mas também um aumento significativo de avarias em smartphones. Segundo dados da iServices, as intervenções técnicas chegaram a subir 42% em julho de 2025 face à média do ano, e em 2026 o padrão repetiu-se ainda mais cedo. Os líquidos continuam a ser a principal causa, e a resistência à água dos telemóveis é mais limitada do que parece.
- Gabriel Lagoa
_IN THE HUB

Neuraspace capta 15,6 milhões de euros para expandir vigilância espacial e soluções de defesa
A Neuraspace, empresa portuguesa de vigilância e gestão de tráfego espacial baseada em inteligência artificial, angariou 15,6 milhões de euros para acelerar a sua expansão internacional, tanto em soluções comerciais como de defesa.
O financiamento junta 9,6 milhões de euros do PRR a 6 milhões de investimento privado, liderado pela Lince Capital, Explorer Investments e Armilar Venture Partners.
Os fundos vão reforçar a plataforma de IA da empresa e expandir a sua rede de sensores óticos.
Fundada em 2020, a empresa monitoriza atualmente mais de 600 satélites de clientes como a Spire Global, a NanoAvionics e a Agência Espacial Europeia, e tem contratos com a Força Aérea Portuguesa e a NATO. As receitas cresceram mais de 350% no último ano.
"Hoje, proteger satélites significa lidar tanto com riscos acidentais como com ameaças intencionais. Segurança operacional e proteção já não são desafios separados. São duas faces do mesmo problema operacional”, afirma Chiara Manfletti, CEO da empresa.
A ler também:
A Noviq, nova empresa portuguesa de tecnologia, defende que o principal obstáculo à adoção de inteligência artificial nas empresas já não é a escolha dos modelos, mas processos internos desatualizados e pouco integrados.
O unicórnio português Tekever foi selecionado pelo Ministério da Defesa do Reino Unido para fornecer o CORVUS, nova capacidade de vigilância do Exército britânico baseada no sistema autónomo AR5.
A Foundever vai recrutar mais de 400 novos colaboradores em Portugal até ao final de 2026, reforçando a posição do país como hub estratégico da empresa para mercados internacionais.
_LONG STORIES SHORT
A empresa portuguesa que quer manter bancos e hospitais de pé quando a internet falha

Quem nunca ficou sem internet quando menos esperava? Seja a meio de uma chamada de Zoom importante, no momento decisivo de um jogo online, ou simplesmente a tentar carregar uma página enquanto o resto da casa via Netflix. As falhas de internet são comuns e para as empresas podem significar um dia de prejuízos.
Eis que a Wede, uma startup portuguesa fundada por Ricardo Madeira, criou uma tecnologia que mantém sistemas críticos, como bancos, hospitais ou petrolíferas, a funcionar mesmo quando a internet dá de frosques.
A empresa funciona como um middleware instalado dentro das aplicações dos clientes, que deteta a perda de ligação e reencaminha automaticamente para canais alternativos, como satélite, SMS ou um canal de voz apoiado em inteligência artificial.
Uma transferência bancária feita sem internet, por exemplo, fica guardada localmente e sincroniza assim que a ligação regressa.
A ideia nasceu durante a pandemia, quando o fundador percebeu que a falta de internet no Alentejo travava um serviço de entregas que tinha criado na região.
A Wede recebeu recentemente luz verde no EIC Accelerator, do Horizon Europe, o que pode garantir um financiamento a fundo perdido de dois milhões de euros.
INESC Coimbra lidera projeto europeu de defesa com inteligência artificial

O INESC Coimbra, unidade de I&D ligada à Universidade de Coimbra, lidera o projeto SHIELD-EU, que pretende desenvolver tecnologias de inteligência artificial para reforçar a resposta a ameaças híbridas, como ciberataques e campanhas de desinformação.
O projeto, coordenado por Jorge Sá Silva, docente da FCTUC, combina internet das coisas, inteligência artificial na borda (Edge AI) e modelos cognitivos e comportamentais, com o objetivo de melhorar a tomada de decisão e a capacidade de resposta em ambientes de elevada pressão.
Uma das apostas centrais é processar informação crítica localmente, de forma mais rápida e segura, sem depender de infraestruturas centralizadas.
"O SHIELD-EU pretende colocar o conhecimento científico desenvolvido no INESCC e na FCTUC ao serviço da construção de infraestruturas digitais europeias mais resilientes e seguras", afirma o coordenador do projeto.
O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e conta com a colaboração da Força Aérea Portuguesa na validação das soluções em cenários operacionais.
UE torna obrigatória indicação de conteúdo gerado por IA para empresas

Captura de ecrã de uma imagem gerada por inteligência artificial do Presidente francês, Emmanuel Macron, a dançar numa discoteca dos anos 80.
Entrou em vigor no domingo, 2 de agosto, uma nova regra da União Europeia que obriga empresas a rotular imagens, áudio e texto gerados por inteligência artificial que pareçam autênticos. A medida faz parte do AI Act e aplica-se já a novos sistemas de IA, com quatro meses adicionais para os sistemas já existentes se adaptarem.
Os conteúdos sintéticos têm de ser claramente identificados como gerados por IA e conter uma marca de água digital. O incumprimento pode resultar em coimas até 15 milhões de euros ou 3% do volume de negócios global da empresa.
"É uma questão de proteção do consumidor, mas também de proteção da democracia", afirma Sergey Lagodinsky, eurodeputado que ajudou a negociar o AI Act, citado pelo The Guardian.
Segundo o jornal, a indústria tecnológica diz apoiar o princípio, mas teme que a definição de deepfake seja demasiado ampla, levando à rotulagem excessiva de conteúdos, como já acontece com os avisos de cookies.
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“O interior não resolverá sozinho o desemprego tecnológico, a concentração de poder ou a necessidade de regular os algoritmos. Mas pode ajudar-nos a responder a uma dimensão que nenhuma política económica conseguirá resolver por completo: a necessidade humana de pertença, utilidade, contacto com o real e participação numa comunidade.”
Tiago Trigo Pires, Innovation Project Manager
_NO NOSSO CANAL
Os drones portugueses para missões "impossíveis"
Nesta edição da nossa newsletter, recuperamos mais um episódio da série de The Next Big Idea. O setor da Defesa e Segurança é hoje um dos temas em destaque na agenda, em Portugal e no plano internacional.
Neste episódio falámos com a Tekever, o unicórnio português que nos últimos dias tem feito correr muita tinta após “impressionar” a Rússia, e com a Beyond Vision, que está a dar passos largos na sua expansão e assinou recentemente duas importantes parcerias com o Governo americano para utilização dos seus drones.
_VI ALGURES NA INTERNET
Espaço. Parte de um foguetão espacial da SpaceX colidiu com a Lua esta quarta-feira. Porquê?
Eclipse. A 12 de agosto, Portugal é palco de um eclipse do Sol que transformará o dia em noite. A agência Ciência Viva abriu reservas de óculos gratuitos para poderes observar em segurança.
Saúde. O Serviço Nacional de Saúde britânico quer que, até 2035, nove em cada dez cirurgias minimamente invasivas sejam feitas com robôs.
Negócios. A Anthropic assinou um acordo de dez mil milhões de dólares com a Volta, uma startup de computação em nuvem, para fornecimento de capacidade computacional durante seis anos.
OpenAI. Empresa confirmou que está a preparar uma “família de dispositivos” concebidos para facilitar a interação com os seus modelos de inteligência artificial.
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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Marta Amaral
The Next Big Idea, 2026
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