4 de agosto, 2026

Bom dia! Depois de anos a ser apontado como o repositório favorito de conteúdo artificial e vazio, o LinkedIn decidiu agir e criou um botão que permite assinalar publicações que "parecem lixo de IA". Uma empresa de deteção citada pela Futurism estima que uma fatia enorme das publicações da rede já é gerada por inteligência artificial. A ironia é que o próprio LinkedIn continua a incentivar os utilizadores a escrever com a ajuda de um assistente de IA integrado na plataforma.

- Gabriel Lagoa

_IN THE HUB

Com sede em Portugal, Hala Systems usa IA para proteger civis em zonas de conflito

A Hala Systems, startup com sede em Portugal, usa inteligência artificial para proteger civis em zonas de conflito, com apoio tecnológico da AWS. A empresa transforma dados de satélites, sensores e redes sociais em informação que apoia respostas humanitárias e governamentais.

Um dos seus projetos mais conhecidos é o Sentry, sistema de alerta precoce criado inicialmente para a Síria, que já terá alcançado mais de dois milhões de pessoas, com uma média de oito minutos de aviso antes de ataques aéreos.

  • Mais recentemente, em colaboração com a ONG Save Ukraine, a empresa tem monitorizado informação sobre deslocação forçada de crianças, um trabalho que já apoiou o resgate de 207 crianças.

Por causa do trabalho que tem vindo a desenvolver, a Hala Systems foi selecionada para o AWS Pioneers Project, iniciativa que distingue empresas europeias que usam tecnologia para gerar impacto social positivo.

A ler também:

  • A Vodafone escolheu Portugal para acolher um novo centro estratégico de cibersegurança do grupo, o Global Cyber Centre Lisbon, que vai reforçar a proteção das redes, sistemas e clientes da Vodafone em todo o mundo.

  • Startups portuguesas de turismo têm a oportunidade de ganhar visibilidade internacional gratuita. O NEST — Centro de Inovação do Turismo, está a selecionar três startups para representar o ecossistema nacional no Tourism Innovation Summit (TIS) 2026, em Sevilha.

  • Estão abertas até 14 de agosto as candidaturas para o "Portugal To Take Off", um programa de aceleração que ajuda startups portuguesas a expandir para a Califórnia e para o mercado norte-americano.

_LONG STORIES SHORT

A UE abriu concurso para sete gigafábricas de IA. Portugal prepara candidatura ibérica

A União Europeia lançou um concurso para criar até sete gigafábricas de IA em território europeu, com o objetivo de reforçar a capacidade de computação para inteligência artificial e desbloquear mais de 30 mil milhões de euros em investimento.

A iniciativa é liderada pela indústria e apoiada por até 10 mil milhões de euros em fundos europeus e nacionais, devendo atrair pelo menos 20 mil milhões de euros em investimento privado.

  • As gigafábricas vão dar a startups, empresas, universidades e entidades públicas acesso a infraestrutura para treinar e afinar modelos avançados de IA.

O concurso está dividido em dois lotes, cada um com duas fases. Portugal e Espanha decidiram avançar com uma candidatura conjunta, ao segundo lote do concurso, o das gigafábricas de maior escala. No total, o projeto ibérico está avaliado em cerca de oito mil milhões de euros, entre investimento público e privado, repartidos por igual pelos dois países: cerca de quatro mil milhões do lado português e outros tantos do lado espanhol.

"O acesso à escala bruta de computação dentro das gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa", afirma Henna Virkkunen, Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia.

A Universidade de Leiria e Oeste desenvolveu um sistema que vigia florestas para prevenir incêndios

Investigadores da Universidade de Leiria e Oeste desenvolveram um sistema autónomo de vigilância florestal capaz de operar 24 horas por dia, sete dias por semana, mais de um ano depois de terminar o financiamento do projeto que lhe deu origem.

O sistema combina drones, inteligência artificial e gémeos digitais para vigiar áreas de maior risco de incêndio.

  • A grande novidade é uma doca inteligente que permite aos drones aterrar, carregar e descolar de forma automática: enquanto um vigia o terreno, outro recarrega a bateria, garantindo monitorização sem interrupções.

O projeto está a ser desenvolvido em colaboração com o Comando Territorial de Leiria da GNR, com vista a uma futura utilização na deteção precoce de incêndios rurais.

"Hoje damos mais um passo importante, ao transformar uma tecnologia desenvolvida em contexto de investigação num sistema autónomo de vigilância permanente", afirma António Pereira, professor catedrático e investigador.

O projeto megalómano da FIFA caiu por terra

O Mundial 2026 bateu todos os recordes de receita. A resposta da FIFA? Vender uma fatia do negócio.

A FIFA anunciou a criação da FIFA Forward Enterprise, uma nova empresa que junta direitos de transmissão, patrocínios, bilhética e licenciamento do Mundial (e do Mundial de Clubes) numa única entidade, com até 20% a ser vendido a investidores privados.

Em comunicado, a organização liderada por Gianni Infantino afirmou que conseguiria levantar cerca de 4,2 mil milhões de dólares de investidores, uma operação que avaliaria a subsidiária da FIFA em 20 mil milhões.

Por trás do negócio: a Thrive Capital, de Joshua Kushner (irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump), o que rapidamente levantou sobrancelhas sobre conflitos de interesse.

A reação não tardou: a UEFA acusou a FIFA de "cruzar uma linha" e de tentar "enriquecer-se a si e aos amigos", dizendo que o Mundial "não é um produto" e que "nenhum de nós é dono do futebol".

  • Nos bastidores, há quem veja isto como uma guerra de poder disfarçada de disputa ética: a Europa a perder influência para um modelo mais global e mais... privado.

A verdade é que, menos de duas semanas depois, a FIFA recuou. Depois de UEFA, AFC, CONCACAF e CAF se terem manifestado contra e de a vitória de Infantino nas eleições de 2027 começar a ficar em risco, o projeto foi oficialmente retirado.

A questão que fica: se maior competição desportiva do mundo se tornasse um ativo financeiro, quem é que realmente ficaria a ganhar?

👉 Em que ano aconteceu o primeiro Campeonato do Mundo de Futebol?

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“Vale a pena perguntar quem paga, de facto, a fatura da sustentabilidade. Taxas turísticas, limites de visitantes e certificações verdes têm um efeito colateral pouco falado: tendem a filtrar por rendimento, não por comportamento. O turista que paga mais continua a entrar.”

Rui Pedro Figueiredo, Consultor de Viagens

_NO NOSSO CANAL

4YFN: Onde estão as startups daqui a 4 anos?

Nesta edição da nossa newsletter, recuperamos mais um episódio da última temporada de The Next Big Idea. Como é que vai estar o mundo daqui a 4 anos? É esse o mote do 4YFN, o evento de startups integrado na Mobile World Congress, em Barcelona, uma das principais conferências tecnológicas a nível mundial. Além de novidades no mundo das Big Tech, acompanhámos a delegação portuguesa liderada pela Startup Portugal, no âmbito do seu programa Business Abroad.

_VI ALGURES NA INTERNET

Inteligência Artificial. A Anthropic revelou que o Claude conseguiu aceder sem autorização aos sistemas de três organizações, durante testes de cibersegurança. O caso veio a público dias depois de a OpenAI admitir um incidente parecido, com um agente descontrolado.

Tecnologia. Esta startup quer que um robô troque os pneus do teu carro.

Chatbots. Vários estudos mostram que os chatbots são avaliados como mais "calorosos" do que médicos e terapeutas humanos. O motivo, explicam os especialistas, tem menos a ver com empatia genuína e mais com o facto de os modelos escreverem respostas mais longas e concordarem quase sempre com quem os usa.

MacBook Air. A escassez global de chips de memória está a afetar a disponibilidade do Mac mais popular da Apple.

Inteligência Artificial. Numa altura de forte competição entre os EUA e a China, a Alibaba lançou o Qwen3.8-Max, o modelo de IA concebido para tarefas de programação.

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Escrita e editada por Miguel Magalhães, Gabriel Lagoa e Marta Amaral

The Next Big Idea, 2026

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